26 de setembro de 2016

Inundação

Sabes quando chegas a casa domingo à tarde, depois de um divertido mas longo almoço de família e só te apetece esticar no sofá?

Não apetece nada ter o administrador do condomínio a tocar-te à porta para te dizer que há uma inundação nas garagens e a tua arrecadação está com água.

Lá se foi o tão sonhado descanso! Toca de calçar os sapatos e ir à cave ver o que se passa. É pior do que imaginas. Apesar da quantidade de água não ser muita, apenas dois centímetros de altura, o seu cheiro é pestilento. Descobres que é água de esgoto. Blhac! Explicam-te que não é o esgoto pior, o das retretes mas o esgoto das máquinas de lavar, dos lavatórios e afins. Não fazia a mínima ideia existirem dois tipos de esgotos mas ainda assim o cheiro de águas sujas nunca pode ser bom.

Depois dos serviços municipalizados fazerem o seu trabalho, desentupirem o esgoto na rua, passei o resto da tarde e noite a empurrar a água para fora da arrecadação. Não imaginam a quantidade de água que pode estar em dois centímetros de altura. Por mais que se empurre para fora, parece que a água nasce dos lados e continua a inundar tudo.

Foi muito cansada e esfomeada que já tarde voltei para casa, com a certeza de ainda ter muito trabalho pela frente nos próximos dias.

23 de setembro de 2016

Harry Potter e a criança amaldiçoada

Finalmente!
Chega agora em Português, à maioria das livrarias do país, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.
J. K. Rowling, a autora da saga Harry Potter garante que, desta vez, este será mesmo o último livro da série. Quem viver verá...

Harry Potter
Trago sugestões para viver, em família, este momento em pleno.
Assim, para todas as idades:


  1. Harry Potter e a criança amaldiçoada, o livro.
  2. Harry Potter livro de colorir
  3. Harry Potter e a Espada de Gryffindor, personagem
  4. Hermione Granger, personagem
  5. Jogo PSP Harry Potter, anos 1 a 4
  6. Jogo PS3 Harry Potter, anos 5 a 7
Clique para mais informação:


Desde o lançamento do primeiro volume da saga, Harry Potter e a Pedra Filosofal, passaram já 16 anos. Quem era criança cresceu, quem era jovem adulto amadureceu. Vale a pena rever se falta algum volume na biblioteca lá de casa e se for o caso, apresentar Harry Potter aos membros mais novos da família.



Uma oportunidade para ler ou reler cada um dos oito volumes Harry Potter e fazer deste um grande momento em família.


Coisas de que não gosto #2

Um coisa que me dá cabo do juízo é estar numa fila, em que a pessoa de trás se cola, literalmente, a nós.

Ainda num destes dias, na fila do supermercado, um cavalheiro resolveu que o meu espaço privado deveria ser zero. Eu avançava devagarinho 10 cm e ele acompanhava. Eu desencostava, ele encostava. Cheguei a virar-me de lado para a fila, mas nem assim consegui evitar o contato físico, desta vez no meu cotovelo.

Tentei todos os truques subtis de que me consegui lembrar. Todos infrutíferos. Quando comecei a hiperventilar pensei Já chega! Respirei fundo e expliquei-lhe delicadamente Tem muito espaço atrás de si, não precisa de se encostar a mim. Aparentou surpresa e desculpou-se, enquanto se afastava aqueles centímetros preciosos.

Porque será que as pessoas de uma forma geral não respeitam o espaço privado do outro?

22 de setembro de 2016

Dizem que começa hoje


Bem vindo Outono!


Sim, ainda o escrevo com letra maiúscula, pois foi assim que a minha super professora da escola primária, Maria Emília, me ensinou.

A ela devo muito. Devo a forma como escrevo, hoje (quase) sem erros. Na verdade, hoje, os erros devem mais à pressa, aos teclados e aos corretores ortográficos do que à ignorância. Graças a ela aprendi a escrever corretamente. Não foi um caminho fácil.

Nunca poderei esquecer o dia que dei a mão à palmatória. Na verdade foi a uma régua comprida que a professora Maria Emília manejava com mestria, fruto de muitos anos de experiência.

Andava na Terceira Classe, hoje rebatizada de Terceiro Ano. O desafio era um ditado em que não se podiam dar erros. O castigo, uma reguada por cada erro acima dos cinco. Foi uma manhã tenebrosa. O meu veredito foram 11 (Onze!) erros. Um a um, os meus colegas caminharam em direção à mesa da professora. Levaram uma, duas reguadas. Ainda me estou a ver chegar junto à professora Maria Emília, fixar a palma da mão enquanto os dedos eram firmemente seguros e aquela régua estalava na minha mão, seis vezes!

Não sabia que uma mão podia latejar de dor. Mas aquela latejou toda a manhã, todo o dia. Não sei nem se tive coragem de contar aos meus pais. Não senti raiva, só vergonha Morri de vergonha por ter 11 erros no ditado.




21 de setembro de 2016

Coisas de que não gosto


Entrar logo de manhã no elevador e sentir um cheiro intenso a perfume forte. Fico a pensar se nas outras casas em vez de duche de água se tomam duches de perfume...

Pior, pior mesmo, é entrar no elevador pela manhã e sentir um cheiro intenso a vários perfumes fortes, todos misturados. Esta manhã, o estômago embrulhou-se de tal forma que tive de contrair as entranhas com quantas forças consegui reunir àquela hora da manhã, numa tentativa desesperada de evitar que um jato de iogurte grego com flocos de aveia se precipitasse para o espelho, onde pude ver o meu rosto em agonia.

Em relação a perfume, como a muitas outras coisas na vida, menos é mais.



20 de setembro de 2016

Fui transferido do colégio para a escola pública

Muito engraçado!

Apesar de ter tido os meus filhos na escola privada e ter sido obrigada a transferi-los para a pública quando deixei de conseguir pagar a privada.

Exagerado, mas divertidíssimo!

Algumas notas:

  • Tratamos os filhos por tu e eles a nós
  • Não compramos mochilas e estojos novos todos os anos
  • Os meus filhos não têm smartphones, e os mais novos nem têm telemóvel
  • Também não temos consolas, PSP's e outros que tais (por opção)
  • Os meus filhos brincam com outras crianças: correm, saltam, jogam às escondidas e esfolam os joelhos 
  • A minha filha teve melhores professores do 1º ciclo na escola pública do que teve na privada
  • Era muito bom poder entregar os meus filhos na escola privada às 8h e, se a isso o trabalho me obrigasse, ir buscá-los apenas às 19h. Isto sem ter de os inscrever num ATL noutra instituição e ter alguém para os ir buscar à escola.



Começou o ano lectivo e há cerca de 10000 alunos que foram transferidos do ensino privado para o público, depois dos cortes do governo no número de turmas financiadas pelo Estado em escolas particulares. São dez mil alunos que vão para o desconhecido e que serão largados na selva que é o sistema de ensino público, cheio de pessoas pobres e malformadas. Tive acesso ao diário do Bernardo, 14 anos, que viu a sua vida sofrer uma mudança radical ao ser transferido para um desses ninhos de piolhos e tuberculose.

O relato que se segue pode ferir a suscetibilidade dos leitores mais sensíveis.

9:00h - Primeira aula e desde logo notei algo de muito estranho quando a professora fez a chamada: todos os meus colegas têm apenas dois nomes. Aliás, eu ia levando falta por não ter respondido «presente» quando a senhora professora chamou por Bernardo de Melo! Só respondo quando usam dois apelidos, Bernardo Campos de Melo! Notei, também, que os poucos que eram chamados com três nomes era porque tinham dois nomes próprios: Cátia Vanessa, Sandro Miguel, Andreia Patrícia. Estranhei, não o facto de terem dois nomes próprios, mas o facto de nenhum deles ser Maria.

9:30h - Cada um fez uma pequena apresentação sobre si e um dos colegas que me chamou logo à atenção foi o Wilson! Nunca tinha visto ninguém tão bronzeado! Aquilo só pode ser solário duas vezes por dia o que me leva a crer que os pais dele devem ter imenso dinheiro e ele tem um SPA em casa. E isso leva-me também a querer um para mim.
Note to self: falar com o papá para comprar um solário para colocar ao lado do jacuzzi.

9:45h - Outra colega que estranhei foi a Vânia que disse que depois das aulas trabalhava num café. Não percebi o conceito e peguei logo no iPhone Gold para pesquisar no Google e, ao que parece, existem mesmo pessoas que trabalham e estudam ao mesmo tempo! Até existe o termo que desconhecia por completo «trabalhador-estudante». Dizem que é para pagar os estudos e terem dinheiro para viver. Coitada, os pais dela devem ser mesmo forretas ou talvez tenham morrido e alguma tia lhe terá ficado com a herança e as casas todas.

10:30h - Pedi uma caneta emprestada ao Pedro Miguel (lá está mais um com segundo nome que não é Maria) e reparei que o estojo dele era muito giro. Perguntei-lhe onde tinha comprado aquele estojo, assim com ar vintage, e ele disse-me que não se lembrava, isto porque o tinha sido comprado no 5º ano. Diga, Pedro Miguel? Não percebi e perguntei-lhe «Como assim? Reutilizas estojos de um ano para o outro? Não compras sempre mochila, estojo e todo o material novo?» e ele respondeu-me «Não, porque eu estou no SASE.». Senti-me envergonhado por não ter percebido logo que ele fazia parte de um desses clubes de colecionadores que só utilizam artigos raros e antiquíssimos.
Note to self: pedir dinheiro ao papá para a joia de inscrição no SASE.

13:00h - Almocei na cantina e ao início fiquei satisfeito por ser arroz de pato, mas depois, percebi que era arroz de frango. Já que assim era perguntei se, ao menos, me podiam servir só com a parte escura do frango, já que o peito é muito seco. A senhora Custódia, da cantina, riu-se e perguntou se eu queria sobremesa. Perguntei o que havia e ela respondeu «Gelatina de morango, gelatina de ananás e gelatina de tutti frutti.» Já me tinham falado de praxes, mas não sabia que eram assim tão humilhantes. Esperemos que sejam só nos primeiros dias e que para a semana já haja pato e crumble de maça com gelado caseiro.

14:00h - Alguns colegas, como sabem que venho de um meio diferente e mais civilizado, convidaram-me para integrar uma lista para concorrer à associação de estudantes. Aceitei desde logo e perguntei quem eram os outros jotas para formarmos um grupo forte e com experiência política. Disseram-me que o único jota era o JP e que era ele que sacava as músicas do Anselmo Ralph para passar durante a campanha.

15:40h - No intervalo grande gerou-se uma discussão e dois alunos começaram a agredir-se. Um deles era claramente mais forte do que o outro (deve fazer parte da equipa de rugby). O outro rapaz ficou maltratado e disse-lhe «Vou chamar o meu pai e o meu tio!» o que me leva a pensar que deve ser filho de alguém importante e que os seus familiares virão cá à escola apresentar queixa. Os outros alunos que estavam a assistir a tudo bem que disseram «Agora é que vai ser, vem a família toda do Igor e vai ser só xinadas e fuscas na escola!».
Note to self: perguntar ao papá se conhece os Xinadas e Fuscas e se é uma família brasonada.

16:00h - Chego à aula de educação física e qual não é o meu espanto quando não vejo onde estão os estábulos dos cavalos para o hipismo! Nem campo de ténis e, afinal, não havia campo de rugby! Resta-me esperar que as obras que estão a fazer atrás do pavilhão sejam para construir um campo de golfe.

16:10h - Notei que alguns dos meus colegas não tinham roupa de marca. Esta altura do Verão às vezes é complicada porque as empregadas vão de férias e não há quem nos lave e passe a roupa e temos de usar aquela de andar por casa, tipo Zara e Springfield, que só usamos para dormir.

17:00h - Fui à aula de Educação Moral e Religiosa e finalmente uma professora que me pareceu competente. Freira, como as que tão bem me educaram no colégio do 1º ciclo, só para rapazes, onde andei. No fim, cantámos algumas das músicas de que mais gosto «No rabo é pecado.» e «Jesus melhor do que Phelps.».

17:50h - Um dos meus colegas atendeu o telemóvel no meio de uma aula e fiquei chocado! Já não há respeito! «Pai, vou sair daqui a bocado, vens buscar-me?», perguntou ele! A tratar o pai por tu? Será que também o faz com a mãe? E será que os pais também o tratam por tu? Começo a perceber que quando se dizia que as pessoas do ensino público não têm a mesma educação nem princípios é, de facto, verdade.

18:00h - Ao sair da escola, vejo três rapazes na minha direção e percebi logo que deviam ser irmãos do Wilson, pois estavam tão ou mais bronzeados do que ele. Fiquei pasmado quando me pediram dinheiro! «Como é que pessoas que têm solários em casa precisam de dinheiro emprestado», pensei. Mas, depois, percebi que era um assalto! Estavam a assaltar-me mesmo à porta da escola! Os mitos que se contavam no colégio afinal são mesmo verdade. A vida é injusta, se eu andasse por aí, como os irmãos do Wilson, a roubar dinheiro aos outros, também tinha possibilidades de ter um SPA com solário na minha moradia.

Arrepiante. Ao pé deste diário, o da Anne Frank é uma história para crianças. Resta-me deixar o apelo a todos para que partilhem este texto para que todos possam ver a desumanidade a que estão a ser sujeitados milhares de alunos que foram obrigados a sair da sua escola privada para esta zona de guerra que é a escola pública.

Fonte: Por falar noutra coisa

Blogs do Ano 2016

Já começou a votação para a escolha dos Blogs do ano. É óbvio que este pequeno blog não está entre os nomeados para esta competição.
Todos podemos votar em cada categoria, uma vez por dia, aqui.

É votar amigos, é votar!

19 de setembro de 2016

Estiveste mal Mariana Mortágua

Mariana Mortágua
Sempre admirei a dupla feminina do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins e Mariana Mortágua. A sua defesa dos direitos femininos, sonegados apesar de estarem na lei, das minorias, dos mais desfavorecidos. Acredito que devemos construir uma sociedade justa, com igualdade de direitos independentemente do género, raça, religião, idade, opção política e de recursos financeiros.

Sempre fui uma acérrima defensora dos animais, dos fracos e oprimidos. Já convoquei uma greve, numa empresa que não pagava salários; já salvei vidas de animais; tirei cursos de socorrismo que já me permitiram salvar vidas humanas; dou sangue desde os 18 anos na esperança de salvar vidas de doentes e vítimas de acidentes.

Sou também acérrima defensora do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública. Se sou de esquerda? Não sei. Tenho ideias de esquerda mas também ideias de direita. Defendo a meritocracia, a iniciativa privada, o capitalismo supervisionado e regulado pelo estado. Defendo penas pesadas para o crime de colarinho branco, aquele em que não se roubam uns trocos, mas em que se desviam milhões, se afundam empresas públicas, aqueles que nenhum partido político tem coragem de perseguir. Porque será?

Defendo também a Escola Privada, a Saúde Privada porque defendo a liberdade de escolha. Cada cidadão deve ter assegurado pelo estado a sua educação, saúde, segurança e justiça. Estas são as bases de uma sociedade justa. Ainda assim, deverá poder optar por usufruir destes serviços prestados por empresas privadas.

Acho que a maioria dos portugueses ficou a admirar Mariana Mortágua ao vê-la tão bem preparada, tão crítica e a conseguir colocar o dedo na ferida na Audição Parlamentar no caso BES. Agora, Mariana esticou-se. Propor ao partido do governo que perca a vergonha de ir buscar dinheiro a quem o acumula?

Mariana Mortágua é economista. Deve ainda lembrar-se da importância das poupanças para a economia. Em Portugal sofremos de um índice de poupança muito baixo desde o início da última crise.

Os portugueses sempre pouparam. Desde cedo perceberam ser melhor ter uma poupança para eventualidades no futuro. Muitos imigraram. Submeteram-se a baixas condições de vida para poupar, acumular dinheiro para o trazer para Portugal (injetar dinheiro na nossa economia), construir uma casa na terra, ou comprar um apartamento na cidade. Quer agora a Mariana fazer-nos crer que os nossos imigrantes são todos uns criminosos por terem acumulado dinheiro e adquirido o bem imobiliário onde habitam?

Será que todos os trabalhadores portugueses que poupam, compram certificados de aforro e pagam a sua casa própria são criminosos fiscais?

Para quando perseguirem os criminosos de colarinho branco que desviam milhões, que afundam empresas públicas e deixam o nosso país mais pobre, em vez de quererem roubar os trabalhadores que com muito sacrifício ganham e poupam o seu dinheiro?

Estiveste mal Marianita!

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