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31 de julho de 2014
Notícias da Comporta
Depois de anos a brincar aos pobrezinhos na Comporta, parece que este ano se brinca aos polícias e ladrões!
(O post anterior faz agora um ano...)
23 de junho de 2014
Somos pobres mamã?
O meu filho do meio perguntou-me.
- Porque perguntas isso?
- Porque não temos dinheiro.
- Sabes, com a crise todas as pessoas têm pouco dinheiro. Não quer dizer que sejam pobres. Temos o que precisamos. Comida. Uma casa grande.
Esta forte noção de realidade tão presente numa criança de sete anos por vezes preocupa-me. Gostava que fosse mais inocente. Tem tempo para ser responsável. Tento amenizar.
- Lembras-te dos teus amigos na tua festa de anos dizerem que tinhas uma casa grande? As casas deles são mais pequenas. A nossa casa é maior que a maioria das casas dos teus colegas da escola.
- Pois foi mamã. A nossa casa é maior?
Temos uma casa que foi cara. Não é nossa pois devemos o seu valor ao banco. Passámos a pagar com muita dificuldade quando o desemprego duplo nos bateu à porta, quase ao mesmo tempo. Foi quando nasceu o mais novo.
É esta casa que não é nossa, mas que não podemos vender. A casa que o ministério público não deixa vender, pois acha que a sua construção foi licenciada pela Câmara em terrenos com outros fins. Enfim, problemas da Câmara e do construtor que agora nos batem à porta. A casa que comprámos legalmente. Com registos provisórios e definitivos. Da qual pagámos IMT, pagamos IMI. Mas que não é nossa, nem a podemos vender.
Mas está em nosso nome.
Por causa do seu valor, nas alturas mais complicadas, nunca recebemos nem 1€ de abono de família, nem de apoios sociais. Na escola pública, pagamos as senhas de refeição com o preço normal. Nunca tivemos qualquer apoio por termos esta casa em nosso nome.
Se pudesse regressar ao passado o que não voltaria a fazer era comprar uma casa. Alugava e se deixasse de poder pagar, mudava para uma mais pequena. Teria outra flexibilidade que agora não tenho.
- Porque perguntas isso?
- Porque não temos dinheiro.
- Sabes, com a crise todas as pessoas têm pouco dinheiro. Não quer dizer que sejam pobres. Temos o que precisamos. Comida. Uma casa grande.
Esta forte noção de realidade tão presente numa criança de sete anos por vezes preocupa-me. Gostava que fosse mais inocente. Tem tempo para ser responsável. Tento amenizar.
- Lembras-te dos teus amigos na tua festa de anos dizerem que tinhas uma casa grande? As casas deles são mais pequenas. A nossa casa é maior que a maioria das casas dos teus colegas da escola.
- Pois foi mamã. A nossa casa é maior?
Temos uma casa que foi cara. Não é nossa pois devemos o seu valor ao banco. Passámos a pagar com muita dificuldade quando o desemprego duplo nos bateu à porta, quase ao mesmo tempo. Foi quando nasceu o mais novo.
É esta casa que não é nossa, mas que não podemos vender. A casa que o ministério público não deixa vender, pois acha que a sua construção foi licenciada pela Câmara em terrenos com outros fins. Enfim, problemas da Câmara e do construtor que agora nos batem à porta. A casa que comprámos legalmente. Com registos provisórios e definitivos. Da qual pagámos IMT, pagamos IMI. Mas que não é nossa, nem a podemos vender.
Mas está em nosso nome.
Por causa do seu valor, nas alturas mais complicadas, nunca recebemos nem 1€ de abono de família, nem de apoios sociais. Na escola pública, pagamos as senhas de refeição com o preço normal. Nunca tivemos qualquer apoio por termos esta casa em nosso nome.
Se pudesse regressar ao passado o que não voltaria a fazer era comprar uma casa. Alugava e se deixasse de poder pagar, mudava para uma mais pequena. Teria outra flexibilidade que agora não tenho.
26 de novembro de 2013
A Distribuição da Riqueza
Todos sabemos que existem ricos e pobres.
Sabemos que a riqueza não está igualmente distribuída.
Sabemos que a distribuição equitativa da riqueza não funciona.
Saberemos como está realmente a riqueza distribuída?
Este video é um pontapé no estômago. 40% da riqueza americana está nas mãos de 1% da sua população!
Em Portugal é diferente, dizem. Será Portugal tão diferente assim?
2 de agosto de 2013
Cristina Espírito Santo e os Pobrezinhos da Comporta
Cristina Espírito Santo gosta de brincar aos pobrezinhos. Eu não tenho nada contra, podia brincar até aos sem abrigo, para mim seria igual.
É pena é que alguém tão rica, que teve acesso às melhores escolas, às melhores universidades, à arte e à cultura, não seja bem educada. Alguém deveria ter-lhe ensinado que não se diz tudo o que vem à cabeça. Sobretudo de forem saídas ocas e que possam ofender alguém.
Uma geração constrói uma fortuna, tenta educar os filhos da melhor forma possível e as gerações futuras vivem apenas para gastar o dinheiro, com nojo dos mais pobres. Uma geração cria e outra destrói.
Nos anos 30 e 40, o Presidente do Conselho de Administração do Banco Espírito Santo, Ricardo Espírito Santo Silva, ensinava os seus sobrinhos (só tivera filhas) a aprender tudo sobre o negócio da família. Ensina-os a começar por baixo. O meu querido avô trabalhou no Banco Espírito Santo. Foi um dos pobrezinhos que começou por baixo. Começou como paquete aos 14 anos. Anos mais tarde chegou a director de balcão. Contava-me histórias, em como o dr. Ricardo e o dr. Manuel, por quem tinha uma enorme admiração, punham os seus filhos e sobrinhos ao lado do meu avô e de outros colaboradores, a aprender tudo sobre o banco.
Mais tarde, com o 25 de Abril, o banco foi nacionalizado, os directores saneados. O meu avô passou horrores. Teve medo mas, talvez graças ao respeito das equipas que liderava, não chegou a ser saneado. No entanto, os seus problemas de coração agravaram-se e acabou por ter de se reformar.
Cristina de Castelo-Branco Espírito Santo Silva Toscano Rico, filha de Jorge e Kiki Espírito Santo, pede agora desculpa à família. Bem o pode fazer, pois não reflete em nada os valores desta família. Pode ter a certeza que o seu tio-avô Ricardo Espírito Santo Silva e o seu avô Manuel Espírito Santo Silva, pudessem saber o que se está a passar, davam uma volta no túmulo e assentavam-lhe um bom açoite no traseiro mordido pelos mosquitos da Comporta!
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