Para mim, um verdadeiro embuste.
- Nunca vi o Miguel Esteves Cardoso a responder ou comentar blogs, não me parece que agora fosse caso para esta primeira vez.
- Qualquer pessoa se regista no blogger como quiser como MEC, Cavaco Silva ou Passos Coelho, não sendo isso garantia de identidade.
- O próprio MEC tem má dicção e fala de forma afectada, não me parece que fosse desdenhar da Pepa por isso.
Cuidado com o que lêem, mantenham o espírito crítico porque nem tudo o que se escreve, lê ou ouve é verdadeiro.
De qualquer modo aqui fica a transcrição. Cada um tire as suas próprias conclusões.
"Miguel Esteves Cardoso 10 Janeiro, 2013 16:37
Querida Pipoca,
Li com atenção o seu post (isto de termos sido os dois jornalistas acaba por, de alguma forma, nos unir) e parece-me que caiu numa em alguns lugares infelizes, porventura por azar, que passarei a destacar.
1 - "Mas acredito que o tom de menina de boas famílias possa chatear quem vê (ter dinheiro é sempre meio caminho andado para chatear os outros)".
Este é talvez o erro principal. Mal estamos se alguém com uma dicção errada das palavras e que tenta não mexer os lábios enquanto fala é sinónimo de "menina de boas famílias". Ser de boas famílias, ou ser bom, revela-se através de atitudes, gestos, valores, de honra e coerência. Não se revela, por muito que acredite nisso, através da pronúncia, do ângulo com que se cruza a perna, ou da inércia dos lábios.
Quando ao comentário sobre o dinheiro, parece-me revelar um preconceito bastante grande, talvez algo aristocrático, que em nada lhe fica bem.
2 - Deverá perceber que, para o comum dos mortais, ouvir alguém dizer que "comprar uma carteira" é uma "conquista pessoal" é terrível. Isso demonstra o quão baixas poderão ser as expectativas relativamente a essa pessoa. Bem sei que vivemos numa sociedade bastante tolerável, em que criticar o outro parece mal. A pipoca chega a dizer: "É queque e blasé, mas é o tom dela." Infelizmente, não é aceitável justificar alguma coisa com um simples "mas pronto, ela é assim mesmo". Ser "assim" não é característica nenhuma. Ser "assim" não tem valor. Todos, de uma maneira ou de outra, somos "assim", de alguma maneira, e isso não nos define como seres humanos. Dizer que se é "assim mesmo" é o princípio para aceitar tudo, e esse é o princípio do fim. Se ela é assim, e se pensa que uma conquista pessoal grande é comprar uma carteira, então estamos aqui todos para a ajudar a pensar mais alto, a ensiná-la que há algo de mais interessante, que por entre esta vida há palavras, para além das carteiras, que a poderão ajudar a abrir umas frinchas de luz por entre essa parede dura de tijolo que é a realidade. Eleger as carteiras como objectivo mais alto é, como tal, fútil. Querer justificar a futilidade apenas com o simples facto de que alguém é "assim mesmo" é preocupante.
Um cordial abraço,
MEC"