Quando parece que já não há notícias que nos possam chocar vem mais uma. Um jovem de 20 anos matou a mãe e mais 26 pessoas numa escola do Connecticut nos Estados Unidos. As vítimas são 20 crianças com menos de 10 anos e 6 professores e funcionários da escola.
É o segundo maior massacre de sempre numa escola dos Estados Unidos, a seguir ao
massacre de Columbine.
Não se conhecem os motivos que possam ter levado a este trágico desfecho. Os Estados Unidos encontram-se mais uma vez confrontados com o resultado das armas serem legais, toda a gente ter armas em casa e várias vezes terem sido usadas por crianças e jovens para actos de violência.
Todos os jovens têm momentos violentos. Os meus doces filhos mais novos também têm os seus. Dão com um carrinho na cabeça do irmão. Quais os seus motivos para isso? Nenhuns, em especial. Zangam-se, experienciam a raiva e a vontade de vingança. Sentimentos normais em crianças que ao crescerem aprendem a controlar estes impulsos. Não quero nem imaginar um momentos destes com armas por perto. Qualquer momento de raiva, de desejo de vingança se poderia traduzir numa tragédia.
O que quero dizer, é que não é preciso procurar motivos muito sérios para estes desfechos dramáticos aconteçam. Basta ter armas à disposição de crianças e jovens. Os jovens têm emoções violentas: amam assoberbadamente, odeiam com todas as suas forças, desejam a morte aos seus rivais, dão a vida por um amigo, odeiam-no no dia seguinte. Esta montanha russa de emoções é normal, por muito que custe aos pais de adolescentes.
A questão é o que pode ocorrer durante estas alterações emocionais, quando os jovens têm acesso a armas de fogo. Em vez de esmurrarem o rival, em vez de cometerem
bullying na escola, podem pegar nas armas e matar dezenas de pessoas.
O problema é que a constituição dos Estados Unidos, mais propriamente na
Segunda Emenda, consagra o direito ao uso de armas de fogo por qualquer cidadão. Este país foi construído à lei da bala e assim continua. Mesmo depois de muitas tentativas para alterar esta lei, não tem sido possível graças ao poder económico e político dos fabricantes de armas.
Enquanto cada cidadão americano puder ter armas em casa, iremos continuar a assistir a estes finais infelizes.