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11 de maio de 2016
Síndrome do 3º Período
O 3º período escolar é aquela altura do ano em que os miúdos estão cansados da escola, distraídos, desatentos e a suspirar por férias.
Eles estão assim, tal como eu estava na idade deles. Ainda me lembro de como suspirava, a olhar pela janela da sala de aula e a sonhar com as férias grandes.
Por aqui, o mais novo anda com preguiça para fazer a totalidade dos trabalhos de casa. Já foi chamado à atenção pela professora, que falou connosco para reforçarmos a atenção.
O do meio, diz que não quer ir à aula de formação musical (que sempre adorou), que não gosta deste professor de coro (descobriu agora!). Que a escola é uma seca, que já sabe tudo de matemática e estudo do meio e que estão sempre a estudar a mesma matéria (isto é verdade mas terá de habituar-se).
Paciência para mim, para nós, para a conseguirmos passar também para eles.
É o que eu chamo o Síndrome do Terceiro Período. Um onda de tédio e falta de vontade invade os estudantes no final do ano letivo. O problema é que isto coincide com a época de testes finais, provas de aferição ou exames conforme o caso!
São só os meus, ou este mal é geral? Contem-me como os vossos filhos reagem ao cansaço de final de ano letivo.
17 de janeiro de 2013
Os momentos que valem a pena
Como muitos de vocês já sabem porque contei aqui, arranjei um trabalho temporário em part-time. Estou a dar aulas de inglês como AEC (Actividades de Enriquecimento Curricular) numa escola básica da rede pública. Isto significa que trabalho duas horas por dias, durante alguns dias, pois estou a fazer uma substituição de outro professor.
Não é muito, mas para quem não tinha nada é uma oportunidade a não perder. Já tinha dado aulas de inglês no final da adolescência, mesmo antes de entrar para a faculdade, pois já tinha os cursos do Cambridge.
A experiência está a ser muito gratificante. Os alunos da primária são muito queridos, ternos e meigos. Os do 1º e 2º anos querem muito aprender e colaboram nas actividades que lhes proponho com muito interesse e dedicação. Os do 4º ano, já estão a entrar na fase em que se acham muito engraçadinhos, que podem dar "baile" ao professor. As duas turmas do 4º ano dão-me mais trabalho do que as outras todas juntas.
Ontem tive uma experiência deliciosa numa destas turmas. Esta turma é muito pequena. Tenho em sala apenas 9 alunos. Acreditem, ainda existem algumas turmas pequenas nos centros urbanos da rede pública. Esta turma teria tudo para ser uma turma fácil, mas não é. Dos 9 alunos há 3 pestinhas impossíveis. Um rapaz que se acha engraçado e finge que é atrasado mental, sem o ser. Mas as piores são duas miúdas que se acham o máximo. Gritam e guincham o tempo todo, acham-se as maiores do mundo e por sua grande sorte são bastante inteligentes e conseguem ter bom aproveitamento , apesar de prejudicarem o resto da turma com o seu comportamento.
Ontem quando cheguei à escola a outra professora de inglês avisou-me que teríamos festa de anos com bolo, ou na minha sala de onde era o aniversariante, ou na sala dela onde está o irmão. O aniversariante eu ainda não conhecia. É um miúdo com trissomia 21 que costuma estar na sala da educação especial mas que pertence a esta turma. As miúdas tagarelas pediram-me autorização para o ir buscar e explicaram que ele deveria estar connosco na aula de inglês o que nem sempre acontecia pois na educação especial nem sempre sabem os horários das AEC e não o trazem.
Eu concordei e passado um pouco as alunas chegaram com o aniversariante e a professora da educação especial que me informou que o pai do aluno estaria a chegar com o bolo. O mais giro foi ver a forma carinhosa como esta turma terrível recebeu o seu colega com trissomia 21. Todos o queriam ter ao pé de si, as duas miúdas engraçadinhas viraram mães protectoras do seu colega. Ficaram sossegadinhas na aula, escreviam as palavras em inglês numa folha para o seu colega as copiar. Elogiavam o colega quando ele copiava as palavras correctamente, enfim, de pestinhas viraram anjinhos, apenas pela presença de um colega com trissomia 21, por quem se sentiam responsáveis e queriam mimar e proteger.
São estes momentos que se tornam tão gratificantes. A escola pública tem esta diversidade que enriquece os alunos. Aprendem a conviver com as diferenças, aprendem a proteger os mais fracos, aprendem o valor do carinho. Nem imaginam o que foi de abraços e beijinhos ao seu colega. Nem imaginam os abraços que eu própria recebi desta criança que nunca me tinha visto mas que estava mais feliz que nunca, por ser o seu aniversário, ter uma coroa de rei da festa e ser tão acarinhado pelos seus colegas e irmão.
E vocês, também já tiveram situações que os surpreenderam de uma forma especial?
Não é muito, mas para quem não tinha nada é uma oportunidade a não perder. Já tinha dado aulas de inglês no final da adolescência, mesmo antes de entrar para a faculdade, pois já tinha os cursos do Cambridge.
A experiência está a ser muito gratificante. Os alunos da primária são muito queridos, ternos e meigos. Os do 1º e 2º anos querem muito aprender e colaboram nas actividades que lhes proponho com muito interesse e dedicação. Os do 4º ano, já estão a entrar na fase em que se acham muito engraçadinhos, que podem dar "baile" ao professor. As duas turmas do 4º ano dão-me mais trabalho do que as outras todas juntas.
Ontem tive uma experiência deliciosa numa destas turmas. Esta turma é muito pequena. Tenho em sala apenas 9 alunos. Acreditem, ainda existem algumas turmas pequenas nos centros urbanos da rede pública. Esta turma teria tudo para ser uma turma fácil, mas não é. Dos 9 alunos há 3 pestinhas impossíveis. Um rapaz que se acha engraçado e finge que é atrasado mental, sem o ser. Mas as piores são duas miúdas que se acham o máximo. Gritam e guincham o tempo todo, acham-se as maiores do mundo e por sua grande sorte são bastante inteligentes e conseguem ter bom aproveitamento , apesar de prejudicarem o resto da turma com o seu comportamento.
Ontem quando cheguei à escola a outra professora de inglês avisou-me que teríamos festa de anos com bolo, ou na minha sala de onde era o aniversariante, ou na sala dela onde está o irmão. O aniversariante eu ainda não conhecia. É um miúdo com trissomia 21 que costuma estar na sala da educação especial mas que pertence a esta turma. As miúdas tagarelas pediram-me autorização para o ir buscar e explicaram que ele deveria estar connosco na aula de inglês o que nem sempre acontecia pois na educação especial nem sempre sabem os horários das AEC e não o trazem.
Eu concordei e passado um pouco as alunas chegaram com o aniversariante e a professora da educação especial que me informou que o pai do aluno estaria a chegar com o bolo. O mais giro foi ver a forma carinhosa como esta turma terrível recebeu o seu colega com trissomia 21. Todos o queriam ter ao pé de si, as duas miúdas engraçadinhas viraram mães protectoras do seu colega. Ficaram sossegadinhas na aula, escreviam as palavras em inglês numa folha para o seu colega as copiar. Elogiavam o colega quando ele copiava as palavras correctamente, enfim, de pestinhas viraram anjinhos, apenas pela presença de um colega com trissomia 21, por quem se sentiam responsáveis e queriam mimar e proteger.
São estes momentos que se tornam tão gratificantes. A escola pública tem esta diversidade que enriquece os alunos. Aprendem a conviver com as diferenças, aprendem a proteger os mais fracos, aprendem o valor do carinho. Nem imaginam o que foi de abraços e beijinhos ao seu colega. Nem imaginam os abraços que eu própria recebi desta criança que nunca me tinha visto mas que estava mais feliz que nunca, por ser o seu aniversário, ter uma coroa de rei da festa e ser tão acarinhado pelos seus colegas e irmão.
E vocês, também já tiveram situações que os surpreenderam de uma forma especial?
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