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23 de outubro de 2012

Crianças passam fome nas escolas


Já aqui falámos do caso da menina que terá ficado sem almoço na escola.
Aparentemente, este caso não é único e nem o mais grave.

Tive informação que nas escolas do Algarve, possivelmente também noutras zonas do país, a quantidade de comida entregue diariamente nas escolas, não chega para alimentar todas as crianças. Os pratos são servidos e quando termina a comida é dito: acabou. As restantes crianças passam fome. Tendo chegado ao conhecimento das associações de pais estas situações, os pais estão a revesar-se para estarem presentes nas cantinas à hora das refeições, para garantir que a comida existente é igualmente distribuída pelo número de pratos necessários e que assim, nenhuma criança passa fome.

Onde estamos a chegar? Onde está o estado social que permite que as nossas crianças passem fome na escola? Onde está o dinheiro dos nossos impostos que pagamos há tantos anos? Fazem-se tantas greves por aumentos salariais, por manutenção dos contratos colectivos de trabalho, onde está a mobilização que garanta que cada ser humano, cada criança tem o que comer?

Peço que divulguem estas situações e que façam chegar outros casos que tenham conhecimento, noutros locais do país. Muito provavelmente este caso não será o único e não podemos deixar o tempo passar e não intervir em situações socialmente importantes.


19 de outubro de 2012

Pais não pagam refeições dos filhos nas escolas



Ainda sobre a notícia da menina de Quarteira que supostamente terá ficado sem comer na escola.

É perigoso tirar conclusões sem conhecer os factos. É muitíssimo injusto julgar sem conhecer os factos dos dois lados. Por essa razão publico a Comunicação Escola-Família enviada pela directora da escola a esclarecer o que aconteceu. Cada um tire as suas conclusões.

Exº Senhor Pai / Mãe / Encarregado(a) de Educação 

Em função da notícia vinda a público, hoje, na comunicação social, sinto-me na obrigação de partilhar convosco os esclarecimentos necessários para repor a verdade do que realmente aconteceu. 

Esta missiva dirige-se especialmente a si, pai /mãe e faço-o pelo respeito que me merece. 

Passemos aos factos: 

1. A escola identificada na notícia está errada. A situação aconteceu na EB1/Jardim de Infância da Abelheira.  

2. “Nada justifica uma criança a passar fome. Não é justo castigá-la a ela” – são supostas declarações da mãe da criança. Não poderia estar mais de acordo com esta afirmação, e tanto assim é, que a criança comeu na sala onde ficou, durante a hora de almoço, acompanhada de uma educadora. 

3. É, portanto, completamente falso que esta criança tenha sido colocada no refeitório, “sentada ao lado dos colegas, enquanto estes almoçavam”; a acontecer, seria absolutamente desumano e nisso estamos todos de acordo. 

4. “Uma das funcionárias foi impedida pela direção da escola de pagar a refeição da menina do seu próprio bolso” – gostaria muito (e peço a quem identificou esta situação que me informe) quem foi a funcionária que prestou estas declarações uma vez que nenhuma funcionária me contactou sobre este assunto nem a nenhum elemento da direção. Assim, ou a comunicação social ou os supostos pais que querem manter o anonimato ou a suposta funcionária estará a mentir.

5. No dia 4 de setembro foi divulgada uma comunicação  escola família onde este assunto foi abordado. Relembro: Existem, neste momento, dívidas de refeições para com o Agrupamento, no valor de 20.000 €, aproximadamente. Como compreenderá, esta situação é insustentável, até porque põe em risco o fornecimento de refeições a todos os alunos. Estou disponível para procurar uma solução com todos os que mantêm esta situação, como, aliás, tem acontecido. Para isso, os pais /encarregados de educação que têm este problema terão que vir ter connosco, conversar e assumir os compromissos possíveis, dentro das várias possibilidades que temos para lhes propor. A partir do dia 9 de outubro, nenhuma criança poderá almoçar na escola sem o respetivo pagamento e sem dívidas anteriores saldadas /negociadas. Foi uma decisão difícil de tomar mas absolutamente necessária, como compreenderá. 

6. Esta medida foi, depois, debatida com Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento que, não só a apoiaram como a consideraram absolutamente necessária para normalizar a situação, uma vez que, só assim, poderemos disponib bilizar ajuda suplementar aos alunos que dela efetivamente necessitam.  

7. Em todas as receções aos pais e encarregados de educação das escolas do agrupamento foram os mesmos informados, por mim, sobre a decisão tomada e, relembro também, que recebi o apoio e a concordância dos mesmos, tendo eu, na altura, informado que nenhuma criança ficaria sem comer ou passaria fome – apenas não almoçaria. 

8. Das situações de dívida, a situação presente é a seguinte: 4.696,29€ nunca serão recuperados porque os alunos regressaram ao país de origem, foram transferidos para outras escolas ou estão em situação de fuga à escolaridade; das dívidas negociadas no último ano, muitas já se encontram totalmente pagas havendo, neste momento, 14 famílias a efetuar o pagamento em prestações, de acordo com as suas possibilidades - este montante tem o valor 2.372,72€; 31 famílias continuam sem cumprir as suas obrigações nem contactaram a escola para resolver a situação (6.530,85€), havendo famílias com dívidas superiores aos 400€. A diferença para o montante indicado no ponto 5 representa dívida que já foi perdoada e ou /regularizada. 

9. A frontalidade com que sempre me relacionei consigo permite-me dizer-lhe que, efetivamente, há comportamentos de negligência grave que têm que ser denunciados e combatidos, a bem da saúde e da educação das nossas crianças. Mas com a mesma frontalidade, e sem querer fazer juízos de valor, pergunto-lhe: era capaz de deixar o/a seu/sua filho(a) na escola, depois de ser informado que, ao mesma não seria dado almoço no refeitório e de lhe ter sido indicado, repetidas vezes, como resolver esta situação, inclusivamente no próprio dia e não fazer nada? Muito sinceramente, eu nunca seria capaz de o fazer.  

Expostos os factos, quero informá-lo que acredito na sabedoria popular e, “como quem não se sente não é filho de boa gente”, reservo-me o direito de agir, nos termos da lei, contra aqueles que, deliberadamente, fizeram declarações difamatórias da minha ética profissional e do bom nome da escola e dos profissionais que nela trabalham diariamente, incluindo o jornal que publicou a notícia da forma como o fez. Esclareço-o que  foram transmitidas ao senhor jornalista todas as informações necessárias para o esclarecimento cabal, tendo sido enviada, por e-mail, a comunicação escola-família que atrás referida.  

Aos muitos cidadãos e cidadãs responsáveis que se voluntariaram para pagar as refeições desta menina informo que a Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Drª Laura Ayres receberá, de bom grado, o contributo da vossa generosidade, não para esta criança em particular, uma vez que não precisa, mas para as muitas outras que necessitam de ajuda (associacaodepais.quarteira@gmail.com). 

Termino enviando-lhe, novamente, uma palavra de apreço e reconhecimento, em tempos tão difíceis para todos, lembrando-lhe que, por muito grandes que sejam as dificuldades e os obstáculos, pode contar sempre comigo e com a equipa que comigo trabalha. 

16 de outubro de 2012
A Diretora
Conceição Bernardes

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR.ª LAURA AYRES
JI nº 3 de Quarteira – EB1 /JI da Abelheira –EB1 nº 2 de Quarteira
EB1 da Fonte Santa - EB23 de Quarteira - Escola Secundária Drª Laura Ayres
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