Quando hoje li esta história da Manuela não pude deixar de me lembrar de outra menina.
É uma amiga da minha filha. Foram colegas no colégio desde os 3 anos, até a minha ter de sair já no 3º ano, por não podermos pagar mais o colégio.
Esta menina não é rica. Mas é filha de pais divorciados. Pais que se dão bem, que falam um com o outro mas que disputam o seu amor, fazendo-lhe todas as vontades. Esta menina é super mimada e manda em duas casas. Quando está com a mãe, esta faz-lhe tudo o que ela quer, até deixá-la dormir sempre na sua cama. Quando está com o pai, em casa dos avós, tem 3 adultos a mimá-la e em quem mandar.
Esta menina com 8 anos passou um dia connosco nas férias. Mudou de roupa 3 vezes ao longo do dia. Casa vez que molhava um fato de banho, ia logo vestir outro seco. Quando se sentava à mesa começava logo em altos berros "odeio esta comida", "odeio esparguete!". Com dois filhos mais pequenos sentados à mesa, tive de lhe explicar que não se diz que se odeia a comida. Se não quer comer só tem de dizer que não quer que eu não obrigo. Os mais pequenos não podem ouvir essas coisas porque senão também eles vão repetir. Depois expliquei-lhe calmamente que não percebia como ela não gostava de esparguete, pois todas as crianças adoravam esparguete. Deviam ver a cara de espanto dela, "é verdade que todas as crianças adoram esparguete?". Eu acho que ela nunca tinha provado esparguete na vida! A mãe diz que ela só gosta de hamburguers e batata frita e pelos vistos todos lhe fazem a vontade e é tudo o que come na vida!
A história da Manuela fez-me lembrar também este episódio, pois quanto mais damos aos filhos, mais eles ficam insatisfeitos. Eu gosto de ensinar aos meus a darem valor ao que têm e a serem felizes por isso.
Vai haver sempre mais coisas que não temos, do que as que temos, se isso nos causar infelicidade iremos sempre ser muito infelizes.
Eu prefiro ensinar a felicidade por estarmos juntos, por sermos uma família e por termos amigos!