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16 de março de 2016

Sete vezes mais mortos por infeções hospitalares que por acidente de viação


"Morre-se mais sete vezes mais por infecções do que nos acidentes de viação".

Esta é uma das conclusões de um estudo da Direção Geral de Saúde. Para melhorar esta estatística, porque são as estatísticas apenas que preocupam os nossos governantes, vão atribuir-se subsídios financeiros aos hospitais que diminuírem estes índices.

Ora, se fecharem os hospitais, acabar-se-iam as mortes por infeções hospitalares. iriam aumentar as mortes por AVC, ataque cardíaco, etc. Mas as infeções hospitalares seriam seguramente eliminadas das causas de morte dos portugueses.

Esta medida é perigosa. Já estou a ver as administrações hospitalares preocupadas com os índices a vedarem a entrada no hospital aos doentes mais atreitos a infeções hospitalares: doentes com HIV; doentes imunossuprimidos, tais como os transplantados e doentes oncológicos.

É aquela velha máxima, se queres mudar o output, muda o input.
Sem admissão de doentes com maior risco de infeções hospitalares, conseguem seguramente evitar vítimas mortais pelas mesmas.

Esta medida não irá conseguir a melhoria na qualidade do tratamento hospitalar, apenas irá prejudicar os doentes mais frágeis.

6 de outubro de 2015

Que tal começar a escola com um pé partido?

Novo ano letivo, nova correria.
Miúdos a adaptarem-se às rotinas após três longos meses de férias.
Mal se ambientaram, começaram os acidentes que alteraram as rotinas!

Crianças são sempre crianças e nunca sabemos a novidade que nos trás cada dia.
Filho do meio leva com um skate no tornozelo.
Chora na escola, põem-lhe gelo (não há melhor remédio para a maioria das mazelas!), sai da escola e o pai leva-o ao Conservatório para as aulas de violino.

Chega a casa a coxear. Já depois do jantar peço para ver o tornozelo. Ai! Olhar de mãe identifica sinais de alerta. Não está muito inchado, mas tem uma pequena nódoa negra em cima de um alto. Pesquiso os movimentos do tornozelo. Consegue fazer todos menos um. Não consegue fazer o movimento de flexão e extensão do pé. Fico realmente preocupada. Não sendo uma menina sossegada, já fiz mais de meia dúzia de entorses, todos da tibiotársica. Conheço bem os sintomas.

Vamos ao hospital, anuncio. Que não é preciso, que está pouco inchado contrapõe o pai. Nestas coisas ganha sempre a mãe, claro está. Também sou sempre eu a selecionada para ir ao hospital e o pai para ficar com os outros dois em casa.
- Vou levá-lo ao hospital.
Lá vamos nós. Chego, faço a inscrição enquanto ele fica no carro. Vou busca-lo e levo-o ao colo. Somos imediatamente chamados para triagem. O médico chama-os muito rápido.

- Tem de fazer um raio-X e depois ir para a ortopedia. Devem já estar fartos de nós. Hoje já lhes mandámos mais de 20 crianças. Não sei o que se passa.
- Deve ter sido por a escola ter começado esta semana. Os miúdos estão todos excitados.
- Sabe ir até ao raio-X?
- Sim, doutora, já tenho muita experiência.

Peço uma cadeira de rodas, apesar de ser uma mãe que pega diariamente os seus filhos ao colo (adoro!), um miúdo de oito anos já pesa horrores.

Lá vamos nós a rodar pelos longos corredores do hospital. Deixamos a pediatria e dirigimo-nos ao raio-X. As crianças são mesmo bem tratadas neste hospital. Explicam-lhes tudo. Mostram-lhes tudo. Parece que estão numa visita de estudo ao hospital.

Saímos do raio-X e vamos à receção de adultos pedir a transferência da ocorrência da pediatria. Chegamos à sala de espera. Só crianças em cadeiras de roda eram três.

Foi rápida a chamada da ortopedia. O médico também super simpático toca-lhe em todos os ossos e tendões do tornozelo para identificar o único onde tem dor. Muita dor.

Mostra-nos o raio-X digital no seu computador.
- Está a ver? Aqui. Fez entorse da tibiotársica e ainda partiu um pouco o osso.

Infelizmente o meu receio confirmou-se. Era o que eu tinha imaginado, sem a parte do osso partido.
Em vez de gesso, imobiliza o tornozelo com uma ligadura feita de esponja que aperta bem. Logo se segue o veredito:
- Duas semanas sem por o pé no chão, na terceira semana já pode por o pé no chão mas ainda com muletas.

Aqui ele desata num pranto.
- Logo agora que ia começar o meu desporto favorito!
E chora. Chora. Voltamos à pediatria para devolver a cadeira de rodas.
Continua a chorar, agora convulsivamente. A enfermeira muito atenciosa conversa com ele. Explico que tem asma e que pode iniciar uma crise. A enfermeira muito paciente consegue acalmá-lo.

Temos mesmo excelentes profissionais de saúde nos hospitais públicos! Tanto médicos, como enfermeiros, como técnicos de radiologia. São profissionais com competências técnicas e humanas para lidar com as crianças que sofreram um trauma, estão com dores e fragilizadas. Estou muito grata a todos eles.

Este é o acontecimento que me tem transtornado os últimos dias e afastado um bocadinho do blog. O rapaz não se adapta a andar de canadianas e em casa anda ao meu colo de um lado para o outro.

Mais um episódio na vida de uma mãe de três.






22 de abril de 2015

Eu estou bem!

Não sou eu quem ficou sem andar.

Mas dói-me na alma. Foi alguém muito próximo, a minha mãe. Aquela pessoa que já existia antes de nós existirmos. A pessoa que nos gerou. Quem nos embalou, nos ensinou a andar, a correr e a voar.
Ficou sem andar. Para sempre, ou até um dia. Não sabemos. Nunca se sabe.

Como se diz a uma pessoa que não volta a andar?

Como se lida como uma notícia destas?
O que pode o próprio fazer? O que deve a família fazer?
Isto são questões que me assaltam os pensamentos.

O notícia é demasiado pesada. Terrível. A notícia que ninguém queria dar. As pistas que deixavam, as possibilidades que levantavam. Sempre a direcionar para uma conversa com o cirurgião.
Foram simpáticos, foram-nos preparando para a devastação que seria esta notícia de chofre.
Agora, ainda falta conseguir digerir e assimilar esta informação.
Só depois poderemos lidar com o E agora?

Sinto-me perdida. Muito perdida. É uma novo mundo no qual tenho zero de experiência.
O ser humano tem uma enorme capacidade de adaptação. Vamos ver como nos saímos disto.

21 de abril de 2015

Noticias devastadoras

Finalmente uma conversa com o cirurgião para receber as más noticias.
Quando tudo está bem ninguém insiste na conversa com o cirurgião.
Agora tudo muda. Puf! Nada mais será como antes.
Ainda tenho de digerir e assimilar a informação.
Não se recebe esta notícia como se nada fosse.  Sei que tudo mudou mas preciso de uns dias para conseguir imaginar e planear as coisas daqui para a frente.

20 de abril de 2015

À espera

Ainda à espera de notícias.  Só o cirurgião me dirá o que se passa.
A falta de notícias não pode ser bom sinal.
Continuo sentada à porta à espera do médico.
Tento pensar noutra coisa.


19 de abril de 2015

Parcas notícias

Casa-hospital-casa. Este tem sido o meu itinerário.
Novo dia, nova equipa. Felizmente mais simpática. Finalmente algumas informações. Escassas. Demasiado escassas.

A cirurgia correu bem mas as consequências podem ser devastadoras. Ninguém me quer dizer. Chutam para canto. Terei de falar com o cirurgião. Segunda feira lá estarei. A esperar o melhor, mas a temer o pior.

Obrigada pelo apoio. As vossas mensagens têm sido uma grande ajuda. De verdade.



18 de abril de 2015

17 de abril de 2015

Preocupação, impotência e raiva


Que dia! Descobrir a tua mãe nos cuidados intensivos. Ter a alegria de a ver bem; acordada e consciente. Quereres perceber o que aconteceu mas ninguém te dar informações; nem um médico, nem um enfermeiro. Nada. Só um: a cirurgia correu bem.

Chorar lágrimas de preocupação, mas também de raiva; lágrimas de impotência.

Gostei de a ver com boa disposição.
Mas angustia-me não saber o que tem; não conhecer as consequências do que lhe aconteceu.
Estou preocupada. Muito preocupada.

Quando o telefone muda o teu dia

Receber um telefone pela manhã que te deixa em alvoroço. Apenas uma chamada. Descobrir que durante a noite, enquanto dormias, a tua mãe foi operada de urgência e está nos cuidados intensivos.

Ficas com o coração apertado. Tens um nó no peito que te dificulta até a respiração. Mas tens de esperar, tentar ter paciência até à hora que os cuidados intensivos permitem que as famílias lá vão.

Tens de dizer mil vezes a ti mesma, para te tentares convencer, que vai ficar tudo bem. Que tudo correu bem e tudo vai ficar bem.

Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.

10 de dezembro de 2013

Dói dói trim trim...


E pronto, já inaugurei as visitas ao Hospital São Francisco Xavier este inverno.
Sem chuva estava tudo a correr tão bem! Mas o miúdo do meio andava há umas semanas com uma tosse alérgica. Não é grave mas também não é bom. Chegou a casa com um ataque de tosse que não passava dei-lhe um anti-histaminico (anti-alérgico) e pedi para esperar sossegado. A tosse passou mas começou a respirar com um silvo! Parecia o vento a passar pelas frestas da janela. Até ele ficou assustado.
Não tinha febre, nem dores. Achei que não era grave.
Dei banho aos 3, jantaram todos. Tudo calmo e pronto para ir para a cama. Por descargo de consciência resolvi ligar para a Saúde 24 (808 24 24 24). Sou fã da Saúde 24! Os enfermeiro ajudam, dão conselhos, orientam e evitam-se muitas idas desnecessárias ao hospital. Adoro este serviço e recorro a ele sempre que as crianças estão doentes, ou mesmo os adultos.
Esperava receber uns conselhos, umas receitas caseiras e "continue a vigiar". A sra. enfermeira explicou-me que o meu filho tinha de ser visto por um médico num prazo máximo de 4 horas pois estava com obstrução respiratória. Mau! Isto não é bom de ouvir! Será alérgico? Não sabia. Teria de ser avaliado por um médico pois podia ser de foro alérgico, ou não... Mau!
Lá troquei o pijama do miúdo por uma roupa e fomos ao hospital. Foi super rápido. Com 3 miúdos pequenos já conheço todas as equipas de enfermeiros e médicos. Fomos triados por um dos enfermeiros do costume (já os conhecem e perguntam aos miúdos pelos irmãos) e visto por um pediatra com quem já estivemos umas 3 vezes... Um médico muito cool. Mandou fazer um aerossol para desobstruir as vias respiratórias e voltar para ser avaliado. Pouco depois do aerossol já o miúdo respirava tranquilamente, sem barulhos estranhos. Então já não apitas? Mesmo cool este pediatra! Auscultou de novo o miúdo e nem sinal de apitos! Terapêutica para fazer em casa e ala que nos vamos pois faz muito frio na rua por estes dias!

12 de novembro de 2013

Lorenzo Carvalho foi Pai pela segunda vez

Lorenzo Carvalho e a sua filha Leticia
Lorenzo Carvalho foi pai novamente. O piloto de 22 anos, já tinha uma menina, Laura, de dois anos e meio, e a segunda filha nasce em Portugal.

Letícia nasceu dia 21 de Outubro no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, o mesmo hospital onde nasceram os meus dois filhos mais novos.

Lorenzo Carvalho ficou famoso depois de dar uma excêntrica festa dos seus 22 anos no Algarve com convidados como Pamela Anderson. Mais tarde deu uma lição de educação e humildade à famosa jornalista Judite de Sousa, cujo tom agressivo foi amplamente criticado nas redes sociais.

Lorenzo Carvalho diz que gostaria de ter uma família grande, já que foi filho único e lhe faltou essa companhia fraternal em casa. Com a segunda filha aos 22 anos parece que Lorenzo vai conseguir realizar mais este sonho.



20 de maio de 2013

Pesadelo de Domingo à Tarde


Era uma pacata tarde de domingo em família.
Tinha ido buscar a minha avó para estar com os bisnetos. Eu estava na cozinha de volta dos tachos.
A mais velha fazia os trabalhos de casa na sala, com o pai e explicar-lhe a matéria. A bisavó assistia. Os mais pequenos brincavam no quarto.
O quente sol da tarde envolvia a cozinha numa luz magnífica.

Podia acabar por aqui. Mas não. A miúda entra da cozinha para me dar um recado da bisavó.
De repente começa a gritar. Largo a faca que tinha na mão, passo as mãos por água e vou em seu socorro.
Tinhas as mãos cobertas de sangue! Muito sangue! - O que aconteceu? Perguntava. Só gritava de susto e de dor (?). Levei-a até ao lavatório e passei água pelas mãos. Tinha de perceber o que se passava.
A água enxaguou o sangue e vi-o. Um corte enorme, na base do polegar, mesmo na articulação. Merda! (desculpem-me a expressão, mas há alturas que esta palavra se torna necessária). Aquilo não era bom. Um corte profundo numa articulação é um ferimento grave. A minha experiência de socorrista gritou-me: para o hospital! E a minha voz correspondeu ao apelo.
O pai achou que eu estava a ter um ataque de histeria. - Acalma-te, assim enervas a miúda. - Vamos pôr água para estancar o sangue.
Não se põe água para estancar o sangue, a água só provoca mais hemorragia. - Compressão manual directa e hospital, o mais rapidamente possível, gritei.
A bisavó, que está cega dos dois olhos dizia: - Não, ponham água oxigenada para parar de sangrar!
- Não hospital já! Não se põe nunca água oxigenada nas feridas, muito menos em caso de hemorragia.
O pai lá continua que quando socorro outras pessoas não me ponho a gritar. Pois não, mas também não tenho de discutir com familiares a necessidade de ir com urgência para o hospital.
Quem me dera não perceber o que se estava a passar. As articulações são dos locais mais frágeis do nosso corpo. Em cada uma passa uma veia, uma artéria, um nervo e um tendão. O risco de cortar uma destas coisas é muito grande. O meu maior medo era se o tensão estava cortado.
Lá fomos para o hospital. O pai a conduzir, a miúda na cadeira dela sem cinto, eu sentada aos seus pés (sem cinto, claro) agarrada à sua mão, onde tinha posto papel higiénico entre os dedos e a fechava com toda a força.
Em caso de hemorragia o que se deve fazer sempre é Compressão Manual Directa, colocar um pano limpo em cima do ferimento e fazer força, comprimir, com a nossa mão o sítio da ferida. Deste modo, o sangue deixa de sair, pois deixa de ter por onde. O orifício de saída fica bloqueado pelo socorrista. O pano é apenas retirado no hospital.
As mulheres são multifacetadas, habituadas ao multi-tasking (execução de inúmeras tarefas em simultâneo). A caminho do hospital liguei para a Linha Saúde 24 (808 24 24 24). Ligo sempre. Normalmente para ter a confirmação do  que já sei, mas também para enviarem o belo fax para o hospital.
Respondi a meia dúzia de perguntar e a enfermeira confirmou: - Continue a pressionar os dedos fechados como está a fazer e vá para o hospital. Vou já enviar o fax.
À chegada a S. Francisco Xavier começa novo filme. Entro directamente para a triagem, com uma criança com uma hemorragia numa mão. Avisam-me que não pode ser triada sem fazer ficha. Explico que foi um acidente que a criança está com uma hemorragia. A enfermeira insiste que tenho de ir fazer a ficha. Explico que já o pai já foi fazer a ficha e manda-me sentar, sem olhar sequer para a mão da miúda. Começa a triar outra criança em situação de doença e não de acidente. Vou tentar agilizar a ficha. Levo a miúda de 9 anos ao colo, continuando a pressionar os seus dedos, para estancar a hemorragia. Vejo o pai a tentar estacionar o carro do lado de fora do hospital, como lhe mandaram fazer. Peço-lhe ajuda para fazer a ficha.
Com os cortes nos serviços o hospital S. Francisco Xavier já não tem inscrição na Pediatria, fecharam este serviço administrativo. Agora fazem-se as inscrições na Obstetrícia que fica na porta ao lado. Fui para lá com a miúda. Não estava ninguém para fazer a inscrição. Gritei para dentro do guiché a dizer que tinha uma criança com uma hemorragia. Não apareceu ninguém. Apenas consegui a atenção de todos os que estavam na sala de espera do serviço.
Finalmente entra  o pai. Digo-lhe que tem de fazer a ficha pois recusam-se a olhar para a miúda sem ter ficha. Volto para a pediatria. À entrada da triagem encontro uma pediatra a quem explico a situação. Volta a dizer que não a pode ver sem ter ficha. Querem lá ver que uma pessoa se pode esvair em sangue numa urgência hospitalar que ninguém a vê se a m**** da ficha não estiver feita?
Sento-me na triagem e a enfermeira lá se digna a olhar para o dedo da miúda pois já tinha acabado de triar a situação de doença anterior.
Nisto chega o pai que explica que finalmente apareceu alguém nas inscrições da Obstetrícia que lhe indicou que temos de levar a miúda para a urgência de adultos pois tem de ser vista pela cirurgia. Será que as incompetentes das pediatra e enfermeira da Pediatria não nos podiam já ter dito isso e encaminhado para o dito serviço? Não, ficaram a fazer a birra da ficha. “Sem ficha não podemos fazer nada”, nem olhar para uma situação de emergência!
A minha vontade é voltar lá hoje e fazer queixa desta gente. Mas depois fico a pensar, com 3 filhos sou cliente assídua deste serviço, não quero ficar na lista negra e da próxima vez ser (ainda mais) mal tratada.
Lá vamos nós para o serviço de urgência de adultos. Felizmente era tarde de futebol e tudo estava calmo. Sim, para quem não sabe fique a saber: está provado estatisticamente que as pessoas não sofrem de situações de emergência durante os jogos de futebol. Pelo contrário, logo que estes terminam há uma afluência aos serviços de urgência de situações recentes, semi-recentes e do dia anterior.
Finalmente uma triagem a sério. A muito custo tentam tirar o papel higiénico do dedo da miúda para substituir por gaze esterilizada. Ela recusa-se. Tem mais medo de médicos, enfermeiros e hospitais do que de qualquer outra coisa. Lá aceita ser ela a tirar o papel. Com muita paciência este enfermeiro consegue ver-lhe o dedo. Não consegue que mexa o polegar. Eu acho que é por medo. Mas também pode ser por corte de tendão… O enfermeiro telefona ao cirurgião plástico. Em caso de corte de tendão será com ele, em caso de menor gravidade pequena cirurgia. O cirurgião plástico indica-lhe que nos devemos dirigir à pequena cirurgia que ele mesmo lá irá observá-la.
Lá chegados ele observa-a com imensa paciência. Ela chora, não quer mostrar, diz-lhe que lhe dói e só pergunta o que lhe vão fazer. Morre de medo do desconhecido!
Aos pouco lá ganha a confiança da miúda, consegue ver o dedo e a muito custo consegue que ela o mexa um milímetro  Ainda assim, já é suficiente para excluir o corte de tendão. Ufa! Que alívio! O pior que poderia ter acontecido não se confirma! Toca-lhe dum lado e doutro da ponta do dedo. Ela sente. Exclui também o corte de nervo. Outra boa notícia! Já só falta suturar o dedo.
Para suturar o dedo deveria ser alguém da pequena cirurgia. Por sorte dela, é tarde de futebol e a enfermeira indica ao cirurgião plástico que os outros colegas estão “lá em cima”. Ele resolve pôr as mãos na massa e ser ele a tratar a miúda, para não a deixar à espera dos colegas que assistiam ao jogo de futebol . Ia ser suturada por um cirurgião plástico.
Mais fácil de dizer do que fazer. Ela não se quer deitar, quer  ver o que lhe vão fazer. Está com muitas dores e ainda mais medo. Lá nos esmeramos todos, mãe, enfermeira e médico e lá a conseguimos deitar. Explicam-lhe que vão ver e tratar o dedo. Mas ela quer saber exactamente o QUE LHE VÃO FAZER? Quer ver todos os instrumentos… Lá se deita e o médico desinfecta o dedo e a mão e começa a dar a anestesia explicando que vai sentir uma picada e depois não sente mais nada. Ela sente a picada e ainda fica com mais medo. Do outro lado da cortina os retirados ao futebol, suturam a testa de um bebé. O médico explica-lhe que não pode chorar que assusta o bebé. Indica-lhe que se lhe doer só tem de levantar a outra mão. Ela quer saber:  - E se eu levantar a mão, o que é que vocês fazem? A resposta – Paramos! acalma-a e dá-lhe confiança. Lá se deixa tratar, agarrando a minha mão com muita força. Recebe vários pontos, nem contei. Estava mais preocupada com o bem estar dela. Não teve dor nenhuma, nem sentiu os pontos. Olhou para o dedo antes de lhe colocarem o penso.

Lá saímos e ficamos à espera que o pai nos vá buscar.

28 de fevereiro de 2011

Mais caro não significa melhor

Na maioria das vezes pagar mais caro não significa ter acesso a um melhor serviço.

Foi o que mais uma vez me aconteceu num hospital privado.

Pela segunda vez o serviço do Hospital da Luz deixa demasiado a desejar.

Levei o meu filho mais novo, dois anos, à urgência pediátrica. Pensei que como o caso requeria fazer várias análises seria melhor optar por um privado e fazer todos os exames de uma vez.

Estava errada. Na recepção informam-me que o tempo de espera é de 1h30! Mais do que no hospital público a que normalmente recorro.

Como pelos filhos fazemos todos os sacrifícios, lá me decidi a esperar o que fosse preciso.

Ao fim de hora e meia de espera, percebo pela mãe de um bebé saído da consulta que não foi visto por um pediatra. A mãe reclamava junto da assistente do serviço que queria que o seu bebé fosse visto por um pediatra. Por isso se tinha dirigido a uma urgência pediátrica.

O mesmo pensei eu. Regressei à recepção e informei que me queria ir embora. Educadamente perguntaram-me se desistia pelo tempo de espera. Ao que respondi que para ser visto por um pediatra até esperava, mas que para ser atendido por um médico de família, com todo o respeito pelos médicos de família preferia não ser atendida.

Será que estes senhores do Hospital da Luz não sabem que as crianças não são adultos pequenos? As suas doenças e seus tratamentos pouco têm a ver com os dos adultos? Não sabem que Pediatria é uma especialidade médica que requer mais 6 anos de estudo, para além do curso de medicina?

É uma afronta encontrar uma urgência pediátrica, com um único médico a atender, não sendo este sequer pediatra.

Saí. Dirigi-me ao Hospital de São Francisco Xavier. Pediatras a atender: quatro. Tempo de espera 10 minutos. Consulta detalhada e completa por Pediatra atenciosa e experiente:  10 minutos. Saí ao fim de 20 minutos com diagnóstico e receituário para medicação.

Para quê privados quando o serviço nos hospitais públicos é muito melhor?

Bye, Bye Hospital da Luz, será melhor fecharem a porta!
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