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29 de abril de 2014

Sónia Morais Santos: Entrevista

Hoje, na fila de transito a caminho do trabalho entregaram-me o jornal Destak.
Gosto sempre de receber os jornais gratuitos matinais que muito resumidamente nos dão uma série de noticias que nos permitem ficar mais ou menos informados do que se está a passar em Portugal e no mundo.

Hoje, abri o jornal e pumbas! Lá estava ela! Uma entrevista à Sónia Morais Santos, a propósito do lançamento do seu novo livro A Culpa não é Sempre da Mãe. E recomendo, como a melhor prenda para o Dia da Mãe do ano!
Sónia Morais Santos

"Com o Dia da Mãe à porta, fomos perceber se A Culpa Não é Sempre da Mãe. Conheça um livro (sobretudo) para mães, escrito por uma mãe - com o input de psicólogos e psiquiatras. Além dos três filhos, Sónia Morais Santos é jornalista e autora do blog Cocó na Fralda... e também sente culpa.

Todo o livro gira à volta da culpa. Vamos desmistificá-la?

O que falo no livro é o lado mau da culpa, e em como devemos tirar o peso dos nossos ombros. Mas a culpa tem um lado bom, porque permite-nos nuns dias sermos menos boas e no dia seguinte tentarmos compor-nos. O excesso de culpa é prejudicial, mas a culpa é o que nos faz perceber que não estamos a agir da melhor forma e faz corrigir. Outras vezes não, o que nos faz sentir ainda mais culpa!

Como conseguimos afastar esse sentimento de culpa má?

Basicamente, é relativizando e percebendo que não estamos sozinhas. Um dos intuitos do livro foi deixar testemunhos que mostram às mães que sentimos as mesmas coisas, que falhamos e não somos perfeitas. Por outro lado, é perceber que não podemos exigir essa perfeição. Temos de ter corpos fantásticos, ser bonitas, ter carreiras de sucesso, ser ótimas mães, ser ótimas amantes, ser estupidamente sociáveis. Somos realmente uma espécie de canivetes suiços, mas não conseguimos fazer isto tudo ao mesmo tempo, 24 horas por dia - o que nos frusta, porque queríamos. Há que perceber que não se pode ser perfeito o tempo todo.

Há o sentimento que se não se falhar como mãe, é porque se está a falhar sempre em qualquer coisa.

Há sempre algo que está a falhar. Isso não deixa de ser verdade, mas não faz mal! Porque não há mulheres perfeitas! Somos um bocadinho supermulheres, mas não somos a supermulher!

Porque sentiu necessidade de partilhar as suas histórias?

O livro não tem a pretensão de ser um tratado científico. Pretendia ser um livro descontraído, numas partes divertido, noutras sério, com opinião dos especialistas à mistura. Envolver-me no livro e explicar que também sinto culpa era permitir que as pessoas percebessem que não estou acima delas, pelo contrário.

Ainda sente culpa?

Culpabilizo-me imenso! O livro também me ajudou a perceber de onde vem a culpa tão enraizada na nossa cultura. Muita culpa tem a ver com a psicanálise, que definia boas mães, más mães, mães que provocavam esquizofrenia nos filhos... e isto vai deixando veneno. Quando sinto essa culpa, tento rir-me e pensar que amanhã vai ser melhor.

Se há culpa e não é sempre da mãe, de quem é? Podia ser dos pais...

A culpa é muitas vezes do pai, muitas vezes da mãe e muitas vezes não é de ninguém. O problema é o sentimento de culpa, e as mães sentem-no muito mais do que os pais.



A Culpa não é sempre da mãe

Ser Boa Mãe


  1. Dar educação, carinho e alimento.
  2. Estar lá, como um porto de abrigo, um colo para onde se corre - tanto em criança, como em adulto. Saber que há sempre um abraço.
  3. Saber dizer não, nos momentos certos.
  4. Ter tempo de qualidade
  5. Deixá-los sonhar e dar-lhes oportunidades para se realizarem."

Por Filipa Estrela, in Destak.

21 de dezembro de 2012

Continuação

Segui os vossos conselhos. Apresentei uma contra proposta. Querem falar comigo. Desejem-me sorte!

20 de dezembro de 2012

A entrevista

Acho que tive a entrevista mais longa da minha vida. Durou três horas. Deve ter sido dura, pensam vocês. Estar três horas a responder a perguntas não deve ser fácil. A verdade é que não foi nada disso. Acho que durante esse tempo fizeram-me uma única pergunta. Até achei estranho. Tiveram todo o tempo a explicar-me a actividade da empresa e os seus produtos. Uma área muito técnica, com as explicações muito em detalhe. Penso que mostrei que posso ser uma mais valia e que causei boa impressão. Penso, pois o meu interlocutor é daquelas pessoas pouco expressivas em que muito dificilmente conseguimos perceber o que pensa. Senti até que as minhas competências eram um pouco irrelevantes para a conversa. Pareceu-me tudo muito mais centrado nos produtos da empresa do que no que eu poderia acrescentar. Portei-me à altura. Demonstrei muito interesse por tudo e acrescentei comentários a marcar a minha experiência no sector de actividade.
Vou aproveitar-me do anonimato que este blog me dá e contar o que jamais confessaria em público. Tenho por hábito não escrever nada neste blog que não possa tornar público. Hoje, no entanto abro uma excepção.
Chegou aquela altura de saber as condições, pois já me tinham dito que era para entrada imediata. E de condições nada. Tive de puxar o assunto subtilmente. E nada. Continuava a falar no que queria que eu fizesse. Tive de perguntar abertamente qual a proposta de salário. Hesitação, silêncio, perguntaram-me até se eu pretendia um contrato de trabalho! Sei que isto não está fácil para as empresas, que há muitas contribuições e impostos a pagar, mas perguntarem se queremos um contrato de trabalho? É muito constrangedor. Depois a proposta. Tirada a ferros. Já não tinha uma grande expectativa. Quem me indicou, após ter recusado a oferta já me tinha indicado um valor. Baixo. Baixíssimo. Estava preparada para negociar esse valor. Mas o que ouvi deixou-me sem fala. A proposta foi ainda 20% mais baixa que o valor mínimo que tinham indicado. Não reagi. Tomei nota no caderno que levava. Nem pestanejei. Disse que iria analisar a proposta e que depois entrava em contacto para dar uma resposta.
Eu sei que o mercado está mal. Estava preparada para ganhar muito menos do que o meu salário anterior. Mas, para terem uma ideia esta proposta representa um valor 85% abaixo do que eu ganhava. Estava preparada para aceitar metade, ou mesmo um pouco menos. Agora 85% abaixo? Não acham isto uma afronta?
Fiquei triste. Muito triste mesmo. Aquele trabalho assentava-me como uma luva. É uma área em que tenho experiência. A empresa é pequena, com uma facturação interessante, mas com possibilidade de crescer muito. Eu sei que a posso fazer crescer. Sei como o fazer. Mas trabalhar por um valor que não me permite nem pagar a prestação da casa? Contratar uma profissional com todas as qualificações e experiência necessárias e querer pagar um ordenado miserável? Fiquei muito triste.
Queria muito aceitar. Mas estas condições são inaceitáveis. Caiu-me um balde de água fria. Não sei o que fazer. Estou a pensar apresentar uma contra proposta. O que fariam no meu lugar?

19 de dezembro de 2012

Pesquisa de Emprego

A pesquisa de um novo emprego é um trabalho a full-time. Foi o que aprendi com o serviço de outplacement que a multinacional que me despediu teve a gentileza de me oferecer. Aprendi tudo o que pude e apliquei. Desde a elaboração de um curriculum eficaz, às fontes de pesquisa de emprego, ao mais importante, à activação dos contactos profissionais.
O maior erro que um desempregado pode cometer é fechar-se na sua concha, não falar da sua situação com os seus conhecidos e contactos profissionais. Todos sabemos que se estivermos em casa, ninguém vai bater à nossa porta e oferecer-nos o emprego dos nossos sonhos. Apesar disso, muitas vezes por vergonha, isolamo-nos. Nada mais errado. Um desempregado precisa de ligar aos seus amigos, aos seus conhecidos a nível profissional para informar que está à procura de emprego e em que área pretende o emprego. O objectivo é que as pessoas que respeitam o nosso trabalho saibam que estamos disponíveis, estamos à procura de trabalho e referenciem o nosso nome em conversas profissionais.
A verdade é que 90% das vagas de emprego nunca aparecem publicadas num jornal ou site de emprego. Na grande maioria, as vagas de emprego, são comentadas dentro da emprega "precisamos de alguém para esta área", os colegas ouvem e indicam alguém. "Conheço uma pessoa indicada para isto, já trabalhei com ele e é de confiança". Isto não são cunhas, são referências. Quem contrata tem mais segurança em empregar alguém de quem já tenha uma referência positiva, especialmente no que se refere a competências pessoais do género ser trabalhador, dedicado e de confiança. Estas qualidades não vêem nos curricula e são muito difíceis de avaliar numa entrevista. A referência de alguém que conhece o trabalho de alguém é a arma mais poderosa na contratação.
Posto isto, tenho-me dedicado afincadamente a ligar aos meus amigos e conhecidos a nível profissional, a explicar a minha situação actual e a pedir que me indiquem caso saibam de alguma oportunidade no mercado. Faço tudo certinho, como aprendi. O pior é que com esta crise o que tenho ouvido é "Gostava tanto de te poder chamar para trabalhar connosco, temos uma área que é mesmo indicada para ti, mas agora estamos a despedir, não podemos contratar ninguém". E tenho ouvido isto repetidamente. Sempre com a esperança que um dia a necessidade da empresa realizar trabalho e atingir objectivos se sobreponha à vontade de despedir. Não tem sido fácil. A última entrevista que fui e que vos contei aqui, foi em Agosto e não deu em nada.
Hoje tenho uma entrevista noutra empresa, numa área muito próxima da minha, que gostaria muito que se concretizasse. Desejem-me sorte!

14 de agosto de 2012

Dia importante

Hoje vai ser um dia importante.
Entrevista de trabalho e duas reuniões.
Desejem-me sorte. A minha vida pode mudar.

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