Esta é uma
notícia que me entristece.
Depois de 2011 ter sido o ano em que se bateu o triste record de
mínimo absoluto de nascimentos em Portugal, a queda em 2012 continua acentuada.
Até Setembro tinham nascido menos 6500 bebés que em 2011, tendência que levará ao total anual rondar os 90.000 nascimentos em Portugal, o menor número de que há registo.
Isto entristece-me por muitas razões. Por todos os casais que desejam muito ter um filho e que adiam a decisão com medo do desemprego, por não terem casa e outros apoios fundamentais para quem quer constituir família. Muitas destas pessoas podem acabar por nunca realizarem plenamente a sua condição de família, nunca virem a felicidade de ter um filho nos braços.
Eu, mãe de três crianças maravilhosas, irrequietas, ternurentas, tantos dias difíceis mas sempre amorosas, tenho imensa pena que casais que desejem viver esta realidade, não o possam fazer, por razões económicas externas ao seu controlo.
A juntar a isto temos consequências catastróficas para o nosso país. Já estamos a sentir o desemprego dos professores, que se irá acentuar nos próximos anos. Seguir-se-ão todas as outras profissões ligadas às crianças e jovens a ser encolhidas para, na melhor das hipóteses, ver alargada a oferta de profissões de cuidado aos mais idosos.
O modelo de segurança social criado, assenta em princípios que jamais se repetirão: uma população activa enorme, a efectuar descontos que permitem pagar subsídio de desemprego, de doença e reformas a uma minoria. Esta situação inverteu-se definitivamente. Como conseguir que uma minoria de trabalhadores a efectuar descontos possa suportar uma maioria reformada? É óbvio que o sistema irá colapsar, para mal de todos nós.
O que fazer então para inverter esta situação? Como criar condições, para que quem deseje, possa ter filhos? Como criar uma sociedade futura se deixarmos de ter cidadãos nessa sociedade?