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24 de setembro de 2014
Medo do escuro
Os meus rapazes participaram-me que têm medo do escuro.
Desdobrei-me em explicações e demonstrações (ora apaga, ora acende a luz) e tudo se mantém igual no quarto, mas não adiantou.
Contam-me que não tinham medo, mas que depois de verem A Origem dos Guardiões passaram a ter. Começaram a ter pesadelos.
Não sei o que pensar. Se miúdos de 6 e 7 anos não podem ver animações para a sua idade, o que poderão ver sem mais efeitos secundários?
A pediatra explicou-me há muitos anos, quando a mais velha começou com pesadelos, que as crianças vivem os sonhos como se fossem a realidade. Durante a noite revivem os acontecimentos do dia e pois isso esperneiam, mexem braços e pernas pois acreditam que estão a correr e a repetir os jogos do dia. As imagens rápidas das vivências diurnas, tomam proporções fantasmagóricas durante a noite. Os pesadelos são normais, vão passar, piti piti piti.
Mas, e até passarem? Como gerir estas noites atribuladas com palavras, gritos e movimentações estranhas?
Alguma dica por esse lado?
3 de fevereiro de 2014
O que eu penso sobre a tragédia do Meco?
Penso isso mesmo, que foi uma tragédia. Um terrível acidente. O João Miguel Gouveia, o dux será também uma vítima. Prefiro chamá-lo de João Miguel Gouveia pois não lhe reconheço nenhuma hierarquia.
Um grupo de miúdos fazem as suas brincadeiras parvas, como todos os adolescentes fazem. Desta vez foram longe demais, colocaram-se em perigo. Numa altura de alerta vermelho na costa portuguesa, com ondas superiores a dez metros não é sensato ir para uma praia à noite. Mas todos sabemos que os adolescentes não são sensatos. Foram levados por uma onda. O João Miguel Gouveia inclusivé. Teve a sorte, ou não, de ter sobrevivido. Pode até não ter culpa no sucedido mas da desconfiança não se livra. Ainda para mais depois de se remeter ao silêncio. O silêncio de quem sofre mas também o silêncio de quem teme o juízo alheio. Mesmo que não tenha qualquer culpa não será fácil de convencer da sua inocência.
Qualquer castigo que lhe possa ser infligido jamais se compará à dor da culpa pela morte de um grupo de amigos. O João Miguel Gouveia teve a sorte, ou não, de ter sobrevivido.
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