O ano de 2013 foi um turbilhão de
emoções na minha
vida.
Passei o Natal de 2012 com a doce promessa de um emprego para 2 de Janeiro de 2013. No último dia do ano recebi
um e-mail esquivo, que faltando totalmente à verdade, dava o dito por não dito, sem nunca assumir o acordado. Magoou-me muito.
Foi um pontapé no estômago. Entrei o
novo ano com o peso do desemprego em cima.
Tínhamos chegado ao fundo do poço, raspado as últimas migalhas do que nos restava. Estávamos em risco de perder a casa e de ficar na rua com três crianças pequenas.
Olhava para eles e o desespero deu lugar à
determinação. Eu não podia deixar que algo de mal lhes acontecesse. Eu teria de dar a volta. Como, não sabia.
Para isso teria de fazer
algo novo. Teria de descobrir
um novo caminho, já que a tradicional pesquisa de emprego, com o envio de CV e partilha da situação com todos os contactos profissionais não estava a dar frutos. Todas as empresas estavam a despedir e não tinham lugar para mim. Ao envio de CV nunca tive resposta. Não sei se pela idade, se pela senioridade na carreira. As poucas vagas eram para júniores: gente nova, com sangue na guelra e barata.
Olhei para os meus filhos e decidi que tinha de fazer o que ainda não tinha feito. Tinha de trilhar
um caminho novo que me levasse a
bom porto.
Não podemos continuar a fazer o mesmo de sempre e esperar um desfecho diferente, já nos explicou
Einstein.
Tentei pensar de forma diferente, procurar outras áreas
fora da minha zona de conforto.
Observei que em tempo de crise, todos se refreiam no consumo. Tudo o que possa ser considerado supérfluo era preterido.
Olhei para o
essencial. O que era realmente importante para todos? O que ninguém poderia dispensar, mesmo que quisesse?
A resposta começou a formar-se no meu pensamento. A Comida. Todos precisamos de comer. Todos os dias e várias vezes ao dia. O que ingerimos desaparece. Deixa de existir. Voltamos sempre a a ter de comprar comida.
Virei-me para esta área. Comecei por confeccionar bolos e bolinhos. Pesquisei receitas, métodos e segredos. Inventei as minhas próprias combinações. Fiz comida, bolos, bolinhos e especialidades gourmet. Arranjei clientes. Tive uma enorme aceitação nos meus artigos. Todos apreciavam o que fazia. Não só me pagavam pelo que fazia como ainda me enchiam o ego com
elogios! Foi
reconfortante.
Recuperei as forças e a auto-estima.
Descobri que mesmo em tempos de crise todos precisam de comer. Quem tem emprego tem falta do bem mais escasso,
o tempo. Tempo para cozinhar uma refeição diferente, para fazer um bolo para celebrar um momento especial.
Dediquei-me a esta actividade com todo o
amor e
carinho, que se reflectiam no resultado final. Estava a
dar muito de mim no que fazia e a
receber muito em troca. O
amor que punha na confecção das minhas iguarias, era-me retribuído em enormes
elogios.
Descobri c
aminhos novos,
competências que não sabia que tinha. Eu quase não cozinhava. Tinha quem o fizesse por mim. Trabalhava muito mas chegava a casa e tinha o jantar pronto. Eu própria não tinha tempo para a cozinha. Não tinha de desenvolver as artes da culinária.
A necessidade foi mãe da
evolução. Estudei, pesquisei, testei e descobri que tinha um dom, ou um gosto muito especial para fazer coisas diferentes e muito apreciadas por quem as provava.
Foi um caminho duro. Não só estudava novas receitas, como fazia compras, cozinhava e procurava clientes para as minhas iguarias.
E ainda era mãe, mulher e pessoa. Tentava cuidar de tudo como podia. Algumas vezes, algumas coisas ficavam para trás. Tudo menos a vontade de dar uma
vida confortável aos meus filhos.
Com um tecto e comida suficientes e amor e carinho em enorme quantidade.
A minha
determinação deu frutos. Se esta nova actividade não me permitia pagar uma renda, já era suficiente para satisfazer as necessidades básicas dos meus filhos. Ganhei uma certeza. Acontecesse o que acontecesse, eles nunca iriam passar fome. Desde que eu tivesse o suficiente para comprar alguns ingredientes, podia transformá-los em algo único, receber dinheiro por isso, com o qual poderia voltar a comprar mais ingredientes e
ainda alimentar os meus filhos.
Este
novo alento e
auto-estima trouxe-me algo de muito bom: um emprego!
Chegou à minha
vida a meio do ano, em Junho. Dediquei-me com
alma e coração ao novo projecto. Prescindi de férias com os meus filhos, mas tive a alegria de voltar ao mercado de trabalho. Um emprego muito abaixo do nível de carreira que tinha tido. Um enorme retrocesso financeiro. Ainda assim um
oportunidade a agarrar com unhas e dentes. Se para voltar a trabalhar teria de aceitar ganhar quase metade do que estava habituada, assim seria. São sinais dos tempos, da crise em que vivemos. Descobri que entrei numa empresa mais que fantástica, onde adorava ficar, com progressão na carreira merecida. Tenho
esperança que isso aconteça apesar de saber que isso não é política das empresas. As progressões são lentas, curtas e nem sempre justas. Quero acreditar que o meu
mérito será
reconhecido. Quando deixar de acreditar nisso posso sempre procurar
novas oportunidades. É mais fácil arranjar emprego quando temos um emprego. A nossa capacidade negocial sobe consideravelmente. Era o que eu não tinha quando arranjei este emprego. Só
voltar ao activo era pralá de bom! Não podia perder a oportunidade com negociações salariais. Se estou arrependida? Não. Nunca!
As
oportunidades têm de ser
aproveitadas. Depois podemos procurar
algo melhor. Nunca recusar uma oportunidade pequena, esperando pela grande. Ela não nos vai bater à porta.
Este
post já vai muito longo. A
mensagem final que queria deixar é apenas uma:
nunca desistam!
Lutem, procurem, voltem a lutar, voltem a procurar. Não baixem os braços nunca! Quando encontrarem
uma oportunidade, agarrem-na. Por muito pequenina que seja. Em breve,
melhores dias virão. Haverá
melhores oportunidades para todos nós. Para já temos de
agarrar o que a
vida nos dá.
E este blog é isto mesmo,
uma ode à vida e às coisas boas que ela nos dá!
Obrigada pelo
apoio e o
carinho que me têm dado. Nem imaginam o
bem que fazem ao estarem aí, ao deixarem os
vossos comentários, ao
incentivarem e ao
apoiarem, apesar de nem sequer me conhecerem, apesar de nunca terem visto a minha cara, nem ouvido a minha voz.