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18 de fevereiro de 2015

Vacinas


Terça feira de Carnaval. O feriado que não o é. Cada empresa decide dar ou não este dia. A minha, felizmente deu! Miúdos de férias e mãe em casa, um luxo. Momento raro para aproveitar.

Toca o telefone. É a enfermeira da nossa Unidade de Saúde Familiar. Liga a avisar que o miúdo mais novo precisa de fazer vacinas. E o médico de família também o quer ver. Sim, já sabíamos das vacinas, pois fomos à pediatra na semana passada e fomos avisados.

Lá levo o miúdo para duas vacinas na Terça Feira de Carnaval. A unidade de saúde estava a funcionar normalmente. Ali não foi feriado. As enfermeiras estavam todas mascaradas. Apenas do pescoço para cima pois a farda e a exigência de assepsia mais não permitem.

Lá fez duas vacinas. E o meu valentão não deu nem um pio! Mas ficou com os dois braços doridos. Em casa fez gelo e precisou de muitos miminhos.

Não estava à espera deste telefonema da enfermeira mas ainda bem que as unidades de saúde familiares ligam para os utentes do Sistema Nacional de Saúde a avisar das vacinas. Nunca me lembraria que poderia tratar destas questões numa Terça Feira de Carnaval.

Mais pontos para o Sistema Nacional de Saúde!


29 de abril de 2013

Taxistas vivem à custa do Sistema Nacional de Saúde


Hoje fiquei a saber que centenas de empresas de taxis vivem à custa do Sistema Nacional de Saúde (SNS). Estão em protesto por o Ministério da Saúde pretender retirar aos taxis o contrato de transporte de doentes não urgentes.
Com todo o respeito que tenho por estes profissionais, fico satisfeita em saber desta alteração. Não me parece bem que o Sistema Nacional de Saúde, pago pelos impostos de todos nós, sirva para sustentar centenas de empresas de taxis. Se estas empresas não são viáveis, terão de fechar, como as de outros sectores de actividade. Gostaria de ver o orçamento do Ministério da Saúde gasto mais em saúde: consultas, cirurgias e tratamentos a doentes e não em transporte em taxis.
Mas é aquela máxima, todos concordam que o estado tem de cortar custos, desde que não seja na sua quinta. E há muitas quintas!

2 de abril de 2013

A nossa Família, Miguel Esteves Cardoso

Miguel Esteves Cardoso e Maria João Pinheiro, 2013
Adoro a escrita de Miguel Esteves Cardoso. Este texto dedicado ao Sistema Nacional de Saúde está fantástico.

"Se não fosse o NHS — o sistema de saúde do Reino Unido, onde nasceram, muito prematuramente, as minhas filhas — elas não teriam sobrevivido. Elas devem a vida ao NHS. E eu devo-lhe o amor e a alegria de conhecer a Sara e a Tristana, para não falar no meu neto, António, igualmente devedor, mais as netas e netos que aí vêm. Se não fosse o SNS (Serviço Nacional de Saúde) eu teria morrido em 2005, com uma hepatite alcoólica causada unicamente por culpa minha. Seria também coxo, quando me deram uma prótese para anca. E, sobretudo, teria morrido, se o SNS não me tivesse dado o antibiótico caríssimo (Linozelid) que me salvou do MRSA assassino que me infectou durante a operação.

Se não fosse o SNS, a Maria João, o meu amor, estaria morta. 
Se não fossem o IPO e o Hospital de Santa Maria, pagos pelo SNS, ela não estaria viva, por duas vezes.

Sem a NHS e o SNS, eu seria um morto, sem mulher, filhas ou netos. Estaríamos todos mortos ou condenados à inexistência.

Não é difícil chegar à conclusão, atingida desde os meus dezanove anos, de que as melhores ideias de todas são a social democracia e o Estado-providência: não tanto no sentido ideológico como na prática.

A nossa família e as nossas famílias só existem e podem existir se não tiverem morrido. Damos graças aos serviços nacionais de saúde — a esse empenho ideológico e caríssimo — que nos tratam como se fizéssemos parte deles.

Devemos as nossas vidas a decisões políticas tomadas por outros."

Miguel Esteves Cardoso, in Jornal Público 23/03/2013
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