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29 de novembro de 2013
Máquina do Tempo: Pesquisa online de noticias de 25 anos
O SAPO acaba de lançar em parceria com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) a Máquina do Tempo, uma ferramenta de pesquisa e um repositório online dos principais media em Portugal.
Destinada a todos os portugueses, a Máquina do Tempo, disponibiliza online um arquivo que abarca 25 anos de notícias da LUSA e milhões de notícias online das publicações mais seguidas no país, como os semanários Expresso e SOL, a revista Visão, o Diário Económico, a Rádio Renascença, a SIC, entre outras.
Todo este material permite reconstituir uma linha do tempo com mais de 7 milhões de notícias, 4 milhões das quais pertencentes ao repositório da LUSA, com datas entre 1987 e 2010, contemplando os temas e as personalidades mais relevantes da história recente do país e do mundo.
Para além de pesquisar os nomes das personalidades, períodos ou momentos marcantes, o utilizador pode ainda consultar a cada dia, o top de personalidades mais noticiadas e analisar a sua rede de ligações pessoais.
Personalidades: quem ocorre com quem nas notícias?
Através da análise automática dos nomes que são referidos nas notícias, a Máquina do Tempo mostra a forma como cada personalidade se encontra interligada com outras. Sempre que duas ou mais pessoas aparecem relacionadas na mesma notícia, é criada uma rede que acaba por refletir o papel e a importância que tiveram numa data em concreto e em dado acontecimento.
A Máquina do Tempo está suportada num amplo repositório de notícias, cuja organização e exploração integradas são essenciais para o seu funcionamento. Este repositório permite a consulta de inúmeros dados estatísticos e a navegação em várias dimensões, como notícias, galeria de fotografias, entre outras.
29 de março de 2013
Ricardo Araújo Pereira: carta aos 19% de Desempregados
O Ricardo Araújo Pereira continua a escrever como só ele, a pôr o dedo na ferida, de forma brutal e a chamar os bois pelos nomes. Ah! E sempre com um humor incomparável.
Eu, fazendo parte destes 19%, revejo-me completamente neste texto.
"Caro desempregado,
Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego.
Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.
Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.
Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade.
O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.
Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer."
Ricardo Araújo Pereira,
Visão, 27 de Março de 2013
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