12 de novembro de 2025

Luxo é ficar a seco na tempestade

 


A preparar a chegada da tempestade Claudia. Mais uma, com nome de mulher. Chuva e vento desmedidos. 

Luxo é poder ficar a trabalhar em casa, em dias de tempestade como hoje. Liberdade é poder escolher e poupar-me a enfrentar a intempérie. Chuva, vento e enorme agitação marítima. Já recebi todos os avisos. Espero que todos se mantenham seguros e não vão passear para a beira mar. O mar é lindo e poderoso. Deve ser respeitado. Visitado quando está calmo e evitado quando está tempestuoso. Se aprendemos a respeitar a Natureza teremos o melhor desta vida e evitaremos o pior. 

Não é tudo uma escolha? Mesmo quando não escolhemos, estamos a escolher não escolher!

Não fosse esta dor de cabeça e seria um dia perfeito.

9 de novembro de 2025

Sol tímido de Outono

 


Hoje o dia amanheceu com um sol tímido. Ainda assim o aproveito, a escrever na mesa da varanda virada a nascente. Cada raio de sol me energiza, me equilibra e me faz sentir alinhada comigo mesma, com a Terra e com o Universo.


O som de mil pássaros como banda sonora privada. O ar já mais fresco. Já sinto o outono que antecipa o inverno que vai chegar. Não aprecio o frio. Encolho-me e fico com contraturas no pescoço e ombros. Mas este ano estou decidida a aceitar - e a apreciar - cada uma das estações. Vou procurar aproveitar o que cada uma tem para oferecer.


E tu, como costumas aproveitar o outono?


22 de julho de 2025

 

Andy Byron e Kristin Cabot Concerto ColdPlay

Quando a Kiss Cam Não Perdoa: O Caso Andy Byron e Kristin Cabot no Concerto dos Coldplay

Imagina só: um concerto dos Coldplay em Boston, casa cheia, energia incrível, e… a famigerada kiss cam a passear pelas caras felizes da plateia. Tudo divertido e inocente, certo? Errado. Para Andy Byron, CEO da Astronomer, e Kristin Cabot, diretora de Recursos Humanos da mesma empresa, esta noite tornou-se o maior plot twist das suas vidas — digno de novela, mas sem o intervalo para publicidade.

Enquanto todos esperavam ver beijos tímidos, olhares envergonhados ou aqueles casais que parecem prontos para a capa da Cosmopolitan, eis que Andy e Kristin, apanhados pela câmara, fazem o impensável: escondem-se, tapam a cara, ficam visivelmente desconfortáveis. O motivo? Nenhum deles estava ali com o seu cônjuge legítimo. O resto é história (e viral, claro). Bastou a piada de Chris Martin — “Estes dois ou estão a ter um affair, ou são muito tímidos” — para o segredo saltar dos bastidores para as manchetes do dia seguinte.

O que se seguiu foi uma avalanche de consequências: ambos perderam os empregos, as famílias e, sejamos francos, a privacidade. Andy já anunciou que vai processar Chris Martin, como se o vocalista dos Coldplay tivesse culpa de o universo (e as câmaras HD) ter um sentido de humor negro.

Confiança e Transparência: Só Para Inglês Ver?

A pergunta que fica no ar é: se estes dois executivos mentem nos bastidores do seu próprio casamento, o que mais estarão a ocultar dos investidores, das equipas, dos clientes? Afinal, confiança e lealdade não são qualidades segmentadas. Não dá para ser ético das 9h às 17h e desligar o botão depois do expediente.

Num mundo onde tanto se fala de leadership authenticity e cultura empresarial baseada em valores, esta história mostra como a linha entre vida pessoal e profissional é cada vez mais ténue — especialmente quando ambos ocupam cargos de topo e um (veja-se o filme) contratou o outro.

Investidores, colaboradores e clientes já não toleram só resultados. Querem transparência, integridade, e o mínimo de coerência entre discurso e ação. Uma liderança que mente “em casa” arrisca-se a minar toda a confiança na empresa. Afinal, se alguém é capaz de esconder uma relação extraconjugal durante meses, que garantias têm os stakeholders de que os relatórios de contas são totalmente fiáveis?

Andy Byron e Kristin Cabot Concerto Cold Play


A Nova Era da Liderança: Sem Máscaras

Este caso vai muito além do escândalo pontual. É um alerta: vivemos uma era de máxima exposição, onde o que fazemos em privado pode, num piscar de olhos (ou de câmara), tornar-se público. E quando a máscara cai — seja num concerto, seja na gestão diária — as consequências podem ser devastadoras.

No futuro, a liderança não vai ser definida só por resultados de curto prazo, mas pela capacidade de gerar confiança genuína, dentro e fora do escritório. E, sejamos honestos, é melhor alinhar a ética nos dois mundos — ou corremos o risco de ver a nossa carreira desabar ao som de “Fix You”.

Portanto, caro leitor, um conselho para a vida moderna: se vai a um concerto com alguém “fora da agenda”, sente-se bem longe da kiss cam… ou melhor, repense as suas prioridades. O Coldplay pode cantar “Nobody said it was easy”, mas há situações que não precisam de banda sonora.

29 de janeiro de 2025

Janeiro molhado trás Fevereiro...

 


Consegues completar a frase?

Depois de tão bem habituados a um Dezembro seco e solarengo, Janeiro caí-nos em cima como um balde molhado. Literalmente. Chuva e mais chuva. Dias cinzentos, molhados, húmidos, escuros. Falta dizer alguma coisa? 

Talvez tristes. Mas tento não me deixar ficar refém da tristeza dos dias escuros. Tento abstrair-me para manter a saúde mental. Os passeios, as caminhadas estão adiadas. Respirar a maresia também espera melhores dias. 

Quais as estratégias que usas para sobreviver a estes dias?

24 de janeiro de 2025

O Pipy da Cristina Ferreia

 


Já incendiou jornais, revistas, rádios e redes sociais.

Pipy Cristina Ferreira
Pipy da Cristina Ferreira
Refiro-me ao Pipy da Cristina Ferreira. 

Segundo a própria deve-se assertoar o primeiro pí.

Mas o que é este Pipy?

Não é um perfume mas, uma bruma intima.

Uma nova vida para as mulheres portuguesas que já não tem mandar vir brumas dos estrangeiro. A sério que mandavam vir? Precisassem ou não, aqui está a bruma para o Pipy da Cristina.

Pastilha elastica

A própria o testou e garante que é seguro e validade dor dermatologistas e ginecologistas.

Não sei se fazia falta, mas se só tivéssemos produtos que fizessem falta não precisávamos de supermercados, nem perfumarias.


Ninguém sabe (oficialmente) a que cheira o Pipy da Cristina, mas quem já o comprou garante que é a pastilha elástica. Será então um Pipy Gum.

O que acham da ideia?


26 de agosto de 2024

Tremor de Terra Lisboa Agosto 2024

 

Sismo Lisboa 26 Agosto 2024
Sismo Lisboa 26 Agosto 2024 

Acordar com a casa a tremer, ouvir cães a ladrar.

Sentir os estores a tremer durante alguns minutos. Foi a certeza. É um sismo. Dos fortes. Pegar no telefone e pesquisar "Alerta de tremor de terra". 

Receber uma series de informações via Google


Magnitude estimada 5.9

Países afetados: Espanha, Gibraltar, Marrocos, Portugal

Epicentro no mar a 84 km de Lisboa.

Hora: 05:11


O que fazer em caso de sismo
O que fazer em caso de sismo
Seguem-se informações do que fazer.

Calçar sapatos, mesmo para ir ao quarto ao lado, pesquisar rachas, estar pronto para sair em caso de réplicas. Afastar-nos do mar pelo risco de tsunami.

Valha-nos o Dr. Google! Entretanto o site do IPMA - Instituto Português do Mar e da Atmosfera está em baixo, excesso de trafego. Não se consegue aceder.

Não estamos mesmo preparados para estas coisas. Caso fosse mais grave e precisássemos de diretrizes das entidades oficiais, quem nos ajudaria?

Vocês sentiram o sismo?
Contem-me onde estavam e o que sentiram.



11 de junho de 2023

 

Liga Pro Skate by Go Chill Cascais 2023

A segunda etapa da Liga Pro Skate by Go Chill  (LPS) 2023 decorre de 20 a 23 de Julho em Cascais. Em parceria com a Câmara Municipal de Cascais e o Casino do Estoril, os Jardins do Casino do Estoril acolhem a segunda etapa do campeonato nacional de skate.

A LPS 2023 conta com 4 etapas e uma finalíssima onde serão apurados os campeões nacionais, por escalão, e os campeões LPS. Este ciclo de competições seleciona os atletas para a seleção nacional, com vista à corrida à classificação para os Jogos Olímpicos Paris 2024.

“As expectativas para a etapa de Cascais são elevadas. De competição para competição os atletas apresentam um nível mais competitivo e de maior desenvolvimento. Esta prova conta com a presença dos maiores atletas nacionais e internacionais. O ranking está a ser disputado e está em aberto. Na segunda prova poderemos começar a vislumbrar quem poderá vir a ser o campeão nacional de 2023 mas, neste momento, temos os melhores atletas femininos e masculinos a disputar os primeiros lugares da tabela”, revela Paulo Ribeiro, coordenador do Comité de Skate da Federação de Patinagem de Portugal.

Liga ProSkate by Go Chill 2023 Jardins Casino Estoril


A prova de Cascais conta com a presença de Gustavo Ribeiro, o atleta olímpico português, que neste momento é o numero 2 do ranking mundial, para apuramento para os Jogos Olímpicos Paris 2024.

As inscrições estão abertas até 19 de junho em https://liveheats.pt/ligaproskate. A inscrição na prova é gratuita, tendo o atleta de fazer ou renovar a sua inscrição na Federação de Patinagem de Portugal.

Nesta prova a organização espera mais de 180 atletas de grande nível nacional e internacional para disputarem as categorias amadora e profissional.

“Para Cascais o meu objectivo é manter a liderança do ranking. Cada vez mais fica imprevisível o vencedor de cada etapa, pois o nível nacional e estrangeiro é elevado e qualquer descuido pode pôr em causa a vitória. Tenho trabalhado para continuar a assegurar o meu titulo de campeão”, confidencia Gabriel Ribeiro, campeão nacional de skate 2022.

Liga ProSkate by Go Chill 2023 Jardins Casino Estoril


A Liga PRO Skate Cascais tem organização da Câmara Municipal de Cascais, Federação de Patinagem de Portugal; Apoios da Associação de Patinagem de Lisboa, Instituto Português da Juventude e World Skate; Os patrocinadores são a Go Chill, a Seat, a Monster, a Hot Wheels, a Ericeira Surf & Skate e a JART; Apoios do Casino do Estoril, R.Sk8, Alardo, Delta. Os media partners são a SportTV, a Onsk8 e a Surge Skateboard.

Liga ProSkate by Go Chill 2023 Jardins Casino Estoril


14 de março de 2020

Isolamento social - Dia 1

Isolamento social em casa

Hoje saí à rua.
Fui ao supermercado comprar os frescos que se vão gastando.
Carne, iogurtes, fruta. Pouca coisa. Assim pretendo continuar a fazer. Enquanto for possível.
Não compro grandes quantidades.Vou comprando o que preciso. Escolho as horas de menor afluência. Hoje fui à hora de almoço.

Estavam poucas pessoas no supermercado de bairro. Ainda encontrei conhecidos. Os pais dos colegas dos meus filhos fizeram o mesmo que eu. Ficamos a conversar sobre os filhos, ... e a atual situação. Todos à distância de 2m. Muito estranho!

Segui a minha lista. E verifiquei muitos produtos em falta nas prateleiras: lexivia, álcool, papel higiénico, nem vê-los. Felizmente não precisava de comprá-los.

O mais difícil foi não tocar na cara. Tomei consciência das centenas de vezes que preciso mexer nos olhos, coçar o nariz e levar as mãos à cara. Um tormento. Foi a coisa mais complicada. Cheguei a casa, pousei as compras e fui direita à casa de banho. Lavei as mãos até aos cotovelos. Lavei a cara, depois de ter consciência das vezes em que lhe toquei, enquanto estava na rua.

Parece pouco o que nos pedem, ficar em casa. E é pouco, comparado com o que foi pedido aos nossos país e avós - ir para a guerra. Mas para nós, seres do mundo do século XXI, habituados a ter tudo o que queremos na palma da nossa mão, é muito.

É difícil não tomar o pequeno almoço fora. Complicado privarmo-nos da nossa bica no café do costume. E cancelar os jantares de amigos? E o brunch que estávamos a organizar com os amigos, não é Sónia? E o aniversário do meu filho do meio, na próxima semana?

A verdade, é que a vida como a conhecíamos se desmoronou por entre os nossos dedos. Temos de voltar a encontrar-nos no meio deste caos. Temos de rever as nossas prioridades. Resguardar a nossa saúde e a dos que nos estão próximos. Ter comida suficiente em casa. Sair o mínimo possível.

A partir daqui, construir novas rotinas diárias. Para nós, para os nossos filhos.

Como estão a conseguir adaptar-se ao isolamento social?



17 de fevereiro de 2020

Racismo em direto na TV portuguesa

Marega
Jogo em transmitido em directo na televisão portuguesa. Primeira Liga de futebol profissional.
Jogador de origem africana de uma das equipas é insultado pela cor da sua pele. Mais do mesmo. Acontece tantas e tantas vezes nos estádios de futebol.
O inesperado acontece quando o jogador decide abandonar o campo. Foram infrutíferas as tentativas dos colegas de equipa para o demover. Assim como não tiveram efeito os esforços dos adversários, nem do árbitro. O jogador abandona mesmo o campo, por ser vitima de insultos racistas, num evento público, transmitido em directo na televisão portuguesa.
Um exagero, dizem alguns. Um grito de revolta, defendem outros. A verdade é que os insultos racistas em público não podem ser tolerados na rua, nem num estádio de futebol. Constituem crime, são espelho de intolerância.
Temos uma constituição que impede que os cidadãos sejam descriminados por género, cor de pele, orientação sexual, religião. Todos têm oficialmente os mesmos direitos. Na prática todos sabemos que nem sempre é bem assim. E fechamos os olhos, encolhemos os ombros e continuamos coniventes com estas práticas.

O que este jogador teve a coragem de fazer foi dar uma bofetada de luva branca na sociedade portuguesa. Chamar a atenção para uma pratica comum que é criminosa. Ninguém pode ignorar o que aconteceu. Foi transmitido na televisão nacional. Teve eco na imprensa internacional.

Os mais elevados cargos políticos portugueses já manifestaram publicamente o seu repúdio pelo sucedido. Tanto Presidente da República como Primeiro Ministro rejeitaram publicamente esta prática. Vamos aguardar o que as autoridades civis e desportivas irão fazer perante a situação. Outros países já tiveram de lidar com práticas mais graves nos recintos desportivos, como foi o caso do Reino Unido. Adotaram leis e ações que evitam que situações de holiganismo se repitam. Vamos ver como Portugal responde ao sucedido.

O debate está lançado.


14 de fevereiro de 2020

Tempos de São Valentim

Dia de São Valentim um pouco diferente.
Hoje as minhas preocupações de São Valentim foram um pouco diferentes.
Hoje não comecei o dia a planear ou a antecipar o jantar desta noite.
Hoje não pensei no que ia receber.
Hoje não pensei no que ia oferecer a alguém especial.
Hoje as minhas preocupações resumiram-se em garantir que os dois rapazes levam para a escola os colares que escolheram para as suas amigas especiais.

São os sinais dos tempos...

4 de abril de 2019

Conversas lá de casa #23

- Mamã, não tenho mais aulas!
- O quê? Mas as aulas só acabam na sexta feira!
- Mas quinta tenho torneio de futebol e sexta visita de estudo, por isso não tenho mais aulas no segundo período!

E assim se acaba um segundo período dois dias mais cedo!

Lua Nova em Carneiro - Tempo de Inicios e Concretizações


Hoje partilho aqui um texto da minha amiga Sofia Amaral, do Serviço de Mudanças. Astrologia ao serviço da Mudança.

As coisas que esta miúda escreve parecem que fazem eco da minha minha vida.
Tantos projectos que tenho a fervilhar. Tantas pedras no cominho que tenho vindo a contornar. Tantas dificuldades a ser ultrapassadas. Cada passo tem trazido mais dificuldades.

Tenho agora, temos todos, o alinhamento planetário para concretizar os nossos projectos. A Lua Nova que trás a mudança, o início de novos ciclos, em Carneiro, signo de fogo e das concretizações.

Vamos lá aproveitar?


"5 de abril
#luanovacarneiro

Lá vem ela com as luas. Anda tudo louco com a lua nova em carneiro, abre-se as redes sociais e não se fala de outra coisa. Eu sei. 
E acredita que eu também estou a torcer. A confiar. A acreditar que é desta.
Pois que seja.

Já vem tarde diz Carneiro. 
Vem na altura certa, diz Capricórnio.

Eu sei que parece que já andas a ouvir isto há muito tempo e que sentes que as coisas nunca mais mudam.
Mas Será que não? Olha para trás, para 6 meses atrás, e repara bem na energia da tua vida, e como de "repente" a urgência, a impaciência, a impulsividade é algo que se sente no ar.

Repara como te sentes mais original e criativ@. Como se de repente uma ideia, que estava apenas no papel, está prestes a concretizar-se. carneiro é agora ou nunca. Não é para amanhã.

E esta lua em carneiro ( junta ao sol)_importante perceber o grau 15o de carneiro no teu mapa_ liberta um poder criativo igual a uma semente que plantaste há tempos, e que parecia que nunca mais, mas que agora se transforma numa linda flor.
(Ou num cacto com picos, que cada qual sabe o que plantou).

Resolve as cenas com a tua família (mãe incluída, vá lá, já tens idade para isso) manda passear quem já não te acrescenta, larga o trabalho que já não suportas, não faças mais fretes. Já chega! Não?
Acima de tudo, FICA BEM! 
Faz as pazes contigo.

Assume esse compromisso.

Vai atrás daquilo que queres. Vai atrás de ti. 
Só não vás atrás/ a trás de ninguém, de quem não te quer ao lado.

Deixa de adiar. A felicidade, a vida. Os filhos. O teu sonho. Viaja. Escreve. Canta. Pinta. Ama. Assume, decide. Abraça. Diz o que te vai na alma. Mas por favor não deixes para amanhã.

A vida é muito curta. E ninguém sabe em que lugar da fila está para se ir embora.

Dia 5/4/2019 a partir das 8h30 da manhã, hora de Lisboa, tens 8h para escrever, pensar, afirmar, assumir a tua vida, como gostarias que fosse a tua estória daqui para a frente, o teu sonho."


26 de março de 2019

CTT Terminam ação de recolha de roupa para Moçambique


Depois de anunciarem uma mega ação de recolha de roupa  para envio para as vítimas do furação Idai em Moçambique, a decorrer de 25 de março a 8 de abril, os CTT anunciam terem esgotado as 200.000 embalagens previstas e dão por terminada a campanha.

As reações dos portugueses nas redes sociais não se fizeram esperar, acusando os CTT de apenas montarem uma campanha de marketing, sem o intuito de ajudar quem mais precisa.

Quem conseguiu uma das 200,000 embalagens solidarias poderá entregar nas estações dos CTT até 8 de abril.

Todos os outros portugueses terão de procurar outros locais de entrega como a Cruz Vermelha Portuguesa. No entanto esta instituição apenas aceita artigos novos. Consultar aqui os artigos que podem ser entregues na Cruz Vermelha Portuguesa.

8 de janeiro de 2019

Rui Pedro desaparecido há 20 anos

Rui Pedro, aos 11 anos

Foi preciso a Cristina Ferreira lançar um novo programa nas manhãs da televisão portuguesa para se voltar a falar do menino desaparecido em Lousada. No dia 4 de março de 1998. Há 20 anos.

Voltamos a ver a mãe, Filomena Teixeira, e a imensa que dor transporta a cada minuto do dia.

Os anos passam e vamos esquecendo. Esquecendo que menores desaparecem, sem deixar rasto. Mas a mãe não esquece, por um minuto que seja. Corre o mundo à procura do filho. Contrata detectives quando sente que as autoridades não dão as respostas que precisa.

A dor no coração desta mãe é imensurável. Não come, quase não dorme, mesmo com a ajuda de medicação. Espera a cada momento que o filho lhe apareça à porta. Está preparada para o receber de braços abertos. Cuida da sua aparência. Bem penteada, maquilhada, cuidadosamente vestida. Faz parte da sua capa, explica. Tem de se mimar a si mesma.

Este é um relato impressionante. Pode passar o tempo que passar, que esta dor não amaina. A dor de não saber o que aconteceu a um filho.

Eu não consigo nem imaginar viver uma situação destas.



7 de junho de 2018

Junho ou Janeiro?


Não entendo. O meu cérebro não consegue processar esta informação. Frio, chuva, humidade, céu negro...

Estamos em Junho ou em Janeiro?

Estamos prestes a acabar a primavera e começar o verão, ou a meio do inverno?

Seguramente a meio, quem me dera que no fim, de um longo inverno. Um dos mais longos que assisti nas mais de 40 décadas com que a vida me presenteou.

Já usei roupa de verão. Já ganhei bronzeado na cara e braços, com a permanência ao ar livre nuns fins de semana solarengos, de há quase um mês...

Voltei a ir buscar as camisolas de malha, os sobretudos, os pijamas de inverno.

Os miúdos estão prestes a acabar as aulas. Falta apenas uma semana! Vão ficar fechados em casa? Abrigados da chuva? Não faz sentido!

O meu cérebro não consegue assimilar esta dualidade de sensações. Os dias longos de primavera, com o céu cinzento e o frio.

Olho para a lareira que me pisca o olho. Contenho-me. Recuso-me a abraçar o inverno a poucos dias do inicio oficial do verão. Depois de uma primavera com falta de comparência.




7 de fevereiro de 2018

A primavera está a chegar


A primavera está a chegar.
O frio e o vento que nos fazem enregelar até aos ossos podem fazer-nos esquecer. Mas ela está aí. À espreita.

Esta manhã percebemos. Sentei-me, como de costume, com os meus filhos a tomar o pequeno almoço na mesa da sala.

Torradas, queijo, iogurtes, chá. Cada um com os seus gostos particulares. Uma que não gosta de (quase) nada.

E a acompanhar-nos, a luz solar!
Ao contrário do que fazíamos até aqui, subimos estores, desligámos a luz elétrica. Lá fora, em vez de um céu escuro recebemos a luz solar! Soube mesmo bem, tomar o pequeno almoço com luz do dia!

Um (ainda pequeno) sinal de que a primavera está a chegar. Devagarinho, timidamente, mas a caminho. E é tão bom!


15 de novembro de 2017

Livro Pai, ensinas-me a poupar?

Se ensinarmos aos nossos filhos a poupança eles serão no futuro adultos financeiramente mais equilibrados. Noções como desperdício e poupança podem ser bastante úteis às crianças desde muito cedo.


Pai, ensinas-me a poupar? Um livro que ensina aos mais pequenos a arte da poupança

Pai, porque é que o dinheiro se chama dinheiro? Uma pergunta inesperada, de filha para pai, que abre portas ao mundo de Paulo Jorge Silveira Ferreira e Sílvia Alambert. Um livro solidário que conta uma história bem diferente, pelos porquês da pequena Ana Raquel e com uma ajuda extra e interativa da aplicação, para smatphones, “Primeira Poupança”.

Era uma vez um pai preocupado, que queria ensinar conceitos de educação financeira à sua filha mais nova. Era uma vez um livro que chegou às livrarias de todo o país e ao planeta cibernético www.reidoslivros.pt, pronto para ser contado.

Esta é uma incrível visão que ensina e diverte as crianças de hoje, adultos de amanhã, sobre ideias que de outra forma poderiam não entender. Paulo Ferreira acredita que "Se ensinarmos as crianças a poupar, teremos um mundo verdadeiramente diferente. Muitas das decisões que vão ter de fazer, partem de noções tão importantes como o desperdício ou a poupança, que podem ser descomplicadas”. Eles estão mais preparados do que possa pensar. "Não se iniba de falar com os seus filhos sobre estes assuntos. Seja um exemplo para ele.”

Este professor e pai, dá-lhe uma nova forma de transmitir ao seu filho, o porquê de sair de casa todos os dias para trabalhar. E, para tornar tudo mais divertido, terá a seu dispor uma aplicação: Primeira Poupança, feita para acompanhar e incentivar a leitura, com a conquista de “moedas” virtuais que podem ser usadas para comprar uma lista de desejos, tal como no mundo real.

O autor conversa com a sua filha, aluna na escola primária, a quem responde a algumas questões: o que é o dinheiro, para que serve, receitas e despesas, orçamento, direitos, deveres do consumidor. Convidando todas as gerações a aprender, voando além-fronteiras, por via da sua co-autora, Silvia Alambert, educadora financeira no Brasil.

E, como esta é uma obra solidária, por cada livro que comprar, estará a contribuir com 1,5€, para duas instituições que moveram as vidas de Paulo e Sílvia. Em Portugal, para a equipa local de intervenção nº1 de Évora/Cercidiana. No Brasil, direcionado para a Associação Cruz Verde, uma entidade de referência em paralisia cerebral grave, escolhida por Sílvia Alambert.

Disponível nas livrarias e aqui.

20 de outubro de 2017

Incêndios: Entrevista a Gonçalo Ribeiro Telles


Gonçalo Ribeiro Telles: Esta entrevista tem 14 anos mas podia ter sido dada hoje


Nos primeiros 15 dias de agosto de 2003 arderam cerca de 300 mil hectares no nosso País. Os fortes incêndios de Oleiros, Sertã e Aljezur fizeram as manchetes dos jornais (e da VISÃO) e os temas são sempre os mesmos: a floresta de eucaliptos e pinheiros, as falhas da proteção civil, a falta de condições de trabalho dos nossos bombeiros. Passaram 14 anos e continuamos a falar do mesmo. Por isso esta entrevista que, na altura, fizemos a Gonçalo Ribeiro Telles, arquitecto paisagista e “pai” do ecologismo português, não perdeu um pingo de atualidade. Vale a pena voltar a ler as suas palavras e perceber como nada aprendemos com a História, nenhuma lição retiramos dos nossos erros, continuando ano após ano na permissividade da celebração do eucaliptal.

VISÃO: Quais são as causas desta calamidade?

GONÇALO RIBEIRO TELLES: A grande causa é um mau ordenamento do território, ou seja, a florestação extensiva com pinheiros e eucaliptos, de madeira para as celuloses e para a construção civil. O problema foi uma má ideia para o País, a de que Portugal é um país florestal. Lançou-se a ideia de que, tirando 12% de solos férteis, tudo o resto só tem possibilidades económicas em termos de povoamentos florestais industriais.

V: De onde vem essa ideia?

GRT: É uma ideia antiga que começou nos anos 30 com a destruição, também por uma floresta extensiva, das comunidades de montanha do Norte de Portugal, que tinham a sua economia baseada na pecuária. As dificuldades por que passava a agricultura deram origem a que se quisesse transformar grandes áreas do País, já são 36%, em florestas industriais. Esta campanha transformou a silvicultura, que era a profissão básica, numa profissão de florestal, para dar resposta aos grandes interesses económicos. Houve ainda outra campanha, a do trigo, em que se organizou o País em função desta cultura, que tinha por base o mito da independência de Portugal em pão. Além das terras para o trigo, tudo o resto, num sistema de agricultura economicista, tem que ser floresta, produção de madeira. O resultado está à vista.

V: Passámos então a ser um País florestal.

GRT: Os romanos dividiam o território em três áreas, além da urbe: o ager, que era o campo cultivado intensamente; o saltus, a pastagem, a agricultura menos intensiva; e a silva, a mata de produção de madeira e de protecção. Todo esse ordenamento foi transformado, acabou-se com a silvicultura e começou o culto da floresta, que não temos. Se formos ao campo perguntar onde fica a floresta, eles só conhecem a do Capuchinho Vermelho, porque o que têm na sua terra são matas, matos, etc. No século XIX, o pinheiro bravo veio para responder às necessidades do caminho-de-ferro que estava em lançamento. Mais tarde é que vem a resina, a indústria da madeira e a celulose. O pior é que se transformou o País num território despovoado e que, dadas as características mediterrânicas, arde com as trovoadas secas.


V: Como deve ser reordenado o território?

GRT: O País está completamente desordenado. Por um lado, uma política agrícola que não considera o mosaico mediterrânico, com agricultura, pecuária, regadio e horticultura, os matos, as matas, todo um mosaico interligado e ordenado. Em Mação, por exemplo, aquela população vivia tradicionalmente da agricultura que fazia nos vales e nas naves.

E na serra existiam os matos pastados pelas cabras, pelos bovinos. Dos matos retirava-se o mel, a aguardente de medronho, a caça e as aromáticas.
A França, nas zonas de mato, tem uma política de aromáticas de abastecimento da indústria de perfumes. A questão, hoje, é criar uma mata que produza madeira, mas que se integre nos agro-sistemas, uma paisagem sustentada, polivalente e nunca repetir, como já querem, a plantação de eucaliptos e de pinhal. As populações estão fartas disso e devem ser chamadas a depor. E tem que haver duas intenções ecológicas fundamentais: a circulação da água e a circulação de matéria orgânica, aproveitando-a para melhorar as capacidades de retenção da água do solo.

V: A excessiva divisão do território (em meio milhão de proprietários) dificulta as limpezas florestais?

GRT: A limpeza da floresta é um mito. O que se limpa na floresta, a matéria orgânica? E o que se faz à matéria orgânica, deita-se fora, queima-se? Dantes era com essa matéria que se ia mantendo a agricultura em boas condições e melhorando a qualidade dos solos. E, ao mesmo tempo, era mantida a quantidade suficiente na mata para que houvesse uma maior capacidade de retenção da água.

Com a limpeza exaustiva transformámos a mata num espelho e a água corre mais velozmente e menos se retém na mata, portanto mais seco fica o ambiente.

V: Se as matas estivessem bem limpas ardiam na mesma?

GRT: Ardiam na mesma e a capacidade de retenção da água não se dava, passava a haver um sistema torrencial. A limpeza tem que ser entendida como uma operação agrícola. Mas esta floresta monocultural de resinosas e eucaliptos, limpa ou não limpa, não serve para mais nada senão para arder. Aquela floresta vive para não ter gente. Se houvesse lá mais gente aquilo não ardia assim.

V: Defende uma mata com que tipo de madeiras?

GRT: Madeiras para celulose é difícil porque temos agora uma forte concorrência no resto do mundo. Os eucaliptais, para serem mais rentáveis, só poderiam sê-lo no Minho que é onde chove mais de 800 ml ao ano. O eucalipto precisa de muita água e Portugal não pode concorrer com o Brasil e a África em termos de custo. Só se transformarmos o Minho num eucaliptal. Pode-se optar pelas madeiras de qualidade da cultura mediterrânica como todos os carvalhos, o sobreiro, a azinheira e pinhais criteriosamente distribuídos.

V: Não são tão rentáveis...

GRT: O carvalho, por exemplo, acompanha toda uma panóplia de rendimento como a cortiça, a pecuária, a produção do mel, das aromáticas, a caça.

V: Há uma visão limitada do que pode ser rentável na floresta?

GRT: É muito bom para as celuloses e muito mau para as populações e para o País, que está devastado. O mundo rural foi considerado obsoleto, como qualquer coisa que vai desaparecer. Veja-se o disparate que foi a política de diminuição dos activos na agricultura. Contribuiu para o aumento dos subúrbios, dos bairros de lata, da emigração. Trouxe alguma coisa melhor para a província? Não. Apenas um grande negócio para as celuloses e para os madeireiros.

V: As populações estão alertadas para essa multiplicidade de culturas?

GRT: Completamente alertadas; quem parece que não está são os políticos e os técnicos. Porque se perderam numa floresta de «números». Quem conhece as estatísticas diz que somos o terceiro país da Europa em número absoluto de tractores, só ultrapassados pela Alemanha e pela França. Somos um país de tractores porque os subsídios dão para isso, porque interessa à importação dessa maquinaria toda. As pessoas foram levadas a investimentos, em nome do progresso, que não tinham qualquer racionalidade.

V: No caso de se aumentarem as áreas agrícolas, temos agricultores para tratar delas?

GRT: Temos. Estão desviados, foram convencidos de que eram uns labregos. Houve toda uma política de desprestígio do mundo rural tendo por base a ideia de que era inferior ao mundo urbano. Despovoámos os campos e essa gente toda veio para a cidade. Hoje, enfrenta o desemprego. Esqueceram-se que o homem do futuro vai ser cada vez mais o homem das duas culturas, da urbana e da rural. Hoje, 30% das pessoas que praticam a agricultura económica na Europa não são agricultores. É gente que vive na cidade, tem lá o seu escritório e tem uma herdade no campo onde vai aos fins-de-semana. A expansão urbana aumenta e não podemos viver sem a agricultura senão morremos à fome.

V: Que pode fazer o Estado, uma vez que 84% da nossa floresta está nas mãos dos proprietários?

GRT: Pode fazer planos integrados de ordenamento da paisagem. O Estado não domina totalmente a expansão urbana quando quer, não faz planos gerais de urbanização? Não se devia poder plantar o que se quer porque também não se pode construir o que se quer. Constrói-se mal porque, às vezes, o Estado adormece. Faltam planos gerais de ordenamento de paisagem, que a actual legislação não contempla, apesar de já ter instituído a Estrutura Ecológica Municipal através do Decreto-Lei 380/99. A Lei de Bases do Ambiente tem os conceitos e os princípios para um plano de ordenamento de paisagem, está lá tudo escrito, mas nunca foram regulamentados.

V: A actual legislação favorece as monoculturas?

GRT: Favorece porque a chamada «modernização» da agricultura é um escândalo de incompetência. As universidades de Agronomia em Portugal tiveram um período de grande pujança intelectual no fim do século XIX e no princípio do século XX. Agora, parece terem-se rendido ao economicismo.


V: Deve o Estado apoiar com subsídios e benefícios fiscais?

GRT: Com certeza. O proprietário está com a corda na garganta, faz aquilo que lhe der dinheiro já para o ano. Por isso, têm que se estabelecer limites e normas a sistemas, não a culturas, mas sem tirar às pessoas a liberdade de correr riscos.

V: E promover o associativismo florestal, como em Espanha, por exemplo?

GRT: Abrimos um bom caminho com as «comunidades urbanas» que estão na forja, pequenas áreas metropolitanas de freguesias e aldeias, acho muito bem. Estamos numa cultura mediterrânica e não se pode traduzir o desenvolvimento em unidades economicistas de produção em grande volume de dois ou três produtos. É da polivalência, da multiplicidade de produtos e da harmonia da paisagem que resulta a possibilidade de ter uma população instalada em condições de dignidade.

Essas comunidades é que deverão fazer a síntese de todos os interesses. Porque quando começamos a destacar os interesses por sector, a visão sistémica desaparece e os interesses da comunidade passam para empresas que ultrapassam as suas fronteiras comprometendo a sustentabilidade da região.

Não defendo que haja um sector agrícola e um sector florestal, para mim é exactamente o mesmo: a agricultura completa a floresta e a floresta completa a agricultura.

V: O Partido Socialista voltou a falar da regionalização como forma mais eficaz de ordenar o território. Concorda?

GRT: Defendi uma regionalização há muito tempo, que deu origem a um documento de que os grandes partidos fizeram muita troça. Dividia o País em cerca de 30 regiões naturais, áreas de paisagem ordenada, que estavam já organizadas histórica e geograficamente.
São as terras de Basto, as terras de Santa Maria, as terras de Sousa, a Bord'água do Tejo, etc. O País é isso e não é outra coisa. Esta regionalização podia contribuir para a efectivação dos planos de ordenação da paisagem, com uma participação democrática das respectivas populações.

V: O Governo acordou tarde para a calamidade dos incêndios?

GRT: Que podia o Governo fazer? O mal vem de longe. Mas não estou seguro de que se vá enveredar agora pelo caminho certo. Já estão a dizer que querem reflorestar tudo como estava. Fico horrorizado quando ouço isso. Significa que querem voltar aos pinheiros e aos eucaliptos. Perguntem às vítimas dos incêndios que ficaram sem as casas se querem outra vez pinheiros à porta. Destruíram as hortas... Porque ardem as casas? Porque o pinheiro está no quintal.

V: Olhando para o futuro, os incêndios podem constituir uma oportunidade para se reorganizar o território?

GRT: Também o terramoto permitiu que o Manuel da Maia, a mando do Marquês de Pombal, fizesse a Baixa lisboeta. Não desejo um terramoto, mas não percam esta oportunidade. O futuro do País e da sua identidade cultural e independência está em causa.

Alexandra Correia
Jornalista

(Entrevista publicada na VISÃO 545, de 14 de Agosto de 2003)

4 de agosto de 2017

Agora estamos bem, depois não sabemos...



O dia foi muito agitado.
Com muitas emoções.

Começou com a calma e tranquilidade de um dia de férias sem obrigações.

Quem disse que não há praias desertas no Algarve?

Acordar relativamente tarde, conforme os miúdos permitiram, tomar um bom pequeno almoço e finalizar os preparativos para a praia.

Colocar as sandes de humburguer preparadas de véspera na geleira, assim como água, sumos e fruta. Reunir a matilha e sair com miúdos e cão para o carro que nos leva até à praia.

Deixar família junto ao passadiço da lagoa, encontrar estacionamento e deixar o carro à espera do nosso regresso.

Passar a lagoa para a Praia Grande. Extensão de areia não vigiada, onde nos permitimos levar o mais recente membro desta família para o segundo dia de praia.

Tommy, arraçado de labrador, adotado há duas semanas, já se porta com um cachorro bem educado. Passeia ao nosso lado sem puxar a trela e guarda as suas aflições para os passeios fora de casa. Adaptou-se a nós, e nós a ele, como se sempre aqui tivesse estado. Como se sempre tivesse pertencido nas nossas rotinas.

Adora as crianças que são incansáveis com ele. Mostra uma predileção pela mais velha, que não o larga por um minuto. Na verdade, nem ele a ela.

Ontem, a miúda não podia sair da beira mar para ir buscar comida, que ele não a seguisse com o olhar, as orelhas e o corpo preparado para largar a correr para ela. Apenas a trela na minha mão o impedia, ao que respondia com um choro de cachorro, só ultrapassado com o regresso da sua preferida.

Hoje farejou todo o caminho. Todas as ervas e rastos de animais. Cada um com a sua toalha, eu com a comida para todos e ela com o Tommy pela trela.

Conquistamos o areal. Assentámos poiso na zona híbrida e fresca da areia húmida da maré da véspera.

Rapazes correm para a beira mar onde iniciam as suas construções civis. Piscinas, muros e pontes. Grandes construções em areia efémera que os absorvem durante horas, nestes dias infindáveis de praia só oferecidos pelas férias grandes.

Passado um bocado vi-me dentro de uma ambulância a caminho do hospital.

Por vezes estamos tão bem, que nem nos passa pela cabeça que tudo possa mudar de um momento para o outro.

Agora podemos estar bem, mas nunca sabemos o que a próxima hora nos reserva.


26 de julho de 2017

Tommy: A rosa e os espinhos


A vida continua cheia de emoções na família que adota mais um elemento.

Os miúdos estão mais felizes que nunca, mais calmos e tranquilos e acima de tudo, mais responsáveis. Diariamente escovam o cão. Levam-no a passear várias vezes ao dia. Ainda estamos naquela fase de treino de xixis e cocós na rua.

A tradicionalmente (demasiado) barulhenta hora das refeições tornou-se num momento de tranquilidade para esta família de quatro alminhas e um cão. As crianças comem tranquilamente, sem dar pontapés ou cotoveladas aos irmãos, sem se empurrarem e sem se levantarem. Tudo em nome do bem estar do novo elemento da família que deitado ao lado da mesa de jantar, se assusta com gritos e movimentos bruscos. De repente esta família como tantas outras parece uma família modelo, daquelas das revistas cor de rosa (é melhor aproveitar antes que acabe...).

Como no melhor pano caí a nódoa, o senhor Tommy ontem fez das suas.
Fiquei zangada. Ralhei e não mostrei os dentes. Ficou de orelhas encolhidas e corpo colado ao chão.
Tinha acabado de mudar a minha cama de lavado, quando a encontro com uma mancha molhada... Seriam os miúdos que ali deixaram um fato de banho molhado da piscina? Não... O senhor Tommy tinha resolvido "marcar o território". Nunca o deixei subir para a minha cama, mas mal me apanhou pelas costas, na ausência de cheiro a gente, resolveu reclamar para si aquele novo e fofo território... Lá deixou o seu xixi... Por cima de lençol e edredão... (sim, eu friorenta me confesso, não dispenso tapar-me com um edredão... nem no verão). O sangue subiu-me à cabeça, fiquei com as bochechas a ferver. Mas, calmamente ralhei com ele. Ele, esperto como só ele, percebeu tudo muito bem. Pediu-me desculpa um milhão de vezes... Deu-me a pata, encolheu as orelhas e refugiou-se na sua cama. Eu, apesar de me apetecer abraçá-lo e fazer-lhe festas, mantive-me firme e distante (já são muitos episódios de Dog Whisperer no papo). Acho que aprendeu a sua lição. Vamos ver... O futuro o revelará. Eu eu aqui darei conta das emoções desta família e seu recém chegado Tommy.

Prevejo que uns dias sejam mais rosa, outros mais espinhos.



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