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22 de setembro de 2016

Dizem que começa hoje


Bem vindo Outono!


Sim, ainda o escrevo com letra maiúscula, pois foi assim que a minha super professora da escola primária, Maria Emília, me ensinou.

A ela devo muito. Devo a forma como escrevo, hoje (quase) sem erros. Na verdade, hoje, os erros devem mais à pressa, aos teclados e aos corretores ortográficos do que à ignorância. Graças a ela aprendi a escrever corretamente. Não foi um caminho fácil.

Nunca poderei esquecer o dia que dei a mão à palmatória. Na verdade foi a uma régua comprida que a professora Maria Emília manejava com mestria, fruto de muitos anos de experiência.

Andava na Terceira Classe, hoje rebatizada de Terceiro Ano. O desafio era um ditado em que não se podiam dar erros. O castigo, uma reguada por cada erro acima dos cinco. Foi uma manhã tenebrosa. O meu veredito foram 11 (Onze!) erros. Um a um, os meus colegas caminharam em direção à mesa da professora. Levaram uma, duas reguadas. Ainda me estou a ver chegar junto à professora Maria Emília, fixar a palma da mão enquanto os dedos eram firmemente seguros e aquela régua estalava na minha mão, seis vezes!

Não sabia que uma mão podia latejar de dor. Mas aquela latejou toda a manhã, todo o dia. Não sei nem se tive coragem de contar aos meus pais. Não senti raiva, só vergonha Morri de vergonha por ter 11 erros no ditado.




16 de junho de 2014

Afinal não sou a pior mãe do mundo

As notas dos exames do 4º ano trouxeram-me um turbilhão de emoções.
Primeiro, claro está, a ENORME felicidade de ver a minha filha a ser bem sucedida nos estudos.
A segunda, a admiração, pois não estávamos à espera. Nem nós, nem ela.
Durante o ano não teve más notas. Começou o ano com um suficiente que utilizámos para explicar que se não trabalhasse o suficiente poderia chumbar. Trabalhou muito. Graças à professora que puxou imenso pelos miúdos. Por todos. Fracos e fortes. Pô-los a trabalhar imenso. Ensinou, exigiu e voltou a exigir. Em casa correspondemos. Pusemo-la a trabalhar muito. Ajudámos nos estudos. Explicámos e exigimos.
No 3º período o trabalho foi tanto que lhe dissemos estar muito orgulhosos do que tinha feito, independentemente dos resultados. O que quer que fossem os resultados iríamos admirá-la pela qualidade do trabalho feito.
Fez os exames e achou-os fáceis. Eu fiquei preocupada, como expliquei aqui.
Muitas vezes a facilidade esconde rasteiras. Fiquei receosa.

Quando vi as notas dos exames na pauta não queria acreditar! 5 a Matemática e 5 a Português! A segunda melhor aluna da turma. Uma colega também teve 5 - 5 com maior percentagem.
Isto foi uma subida alucinante, graças ao trabalho e força de vontade. Se tivesse sido fácil a minha alegria não seria tanta. Mas foi com esforço, muito esforço!

Isto faz-me reviver o dia em que me senti a pior mãe do mundo. Foi há quase 2 anos. A minha vida deu a maior volta possível e tive de arrancar os meus 3 filhos do colégio onde estavam desde os 3 anos. Quem mais sofreu foi a mais velha. Ter de deixar os amigos de longa data. De repente, sem preparação.

Tirá-los abruptamente do colégio fez-me sentir falhada. Sentia que não estava a dar aos meus filhos aquilo que mereciam, o melhor.

Foram para a escola pública. Eu sabia que a escola pública tem excelentes professores, profissionais dedicados. Tudo uma questão de sorte. O que mais me custou foi retirar-lhes os amigos mais chegados.
Mas eles foram fortes. Adaptaram-se muito bem. Fizeram novos amigos. Mantiveram alguns do colégio.

A mais velha mostrou alguma rebeldia não querendo estudar. Passámos uma fase complicada com ela. Recusava-se a estudar. Ficava sentada à secretária sem fazer nada.

Com muita conversa, explicações e por fim chantagem: se não estudasse não ia às festas de aniversário dos amigos do colégio, para as quais ainda era convidada. Lá conseguimos que cedesse.

Saiu do colégio muito mal preparada. Nós queixávamo-nos à  professora que ela não sabia fazer contas, que não entendia os textos e sempre recebíamos uma desculpa esfarrapada "não se preocupem, não é do programa!". Nós acompanhamos nos trabalhos de casa e bem víamos: não sabia nada.

Por vezes há males que vem por bem. Este foi um deles. Eu nunca os teria tirado do colégio se não tivesse sido obrigada. Acreditamos que o ensino é melhor, o que nem sempre é verdade, e temos horários mais flexíveis para os pôr e ir buscar à escola. Sabemos onde estão todo o dia e não temos de fazer malabarismos para os deixar na escola na estreita faixa horária em que o portão abre, nem temos de correr para os ir buscar a horas demasiado cedo para serem compatíveis com trabalhos por conta de outrem.

A nova professora é super competente. Muito experiente. Na casa dos 50, já lhe passaram muitos alunos pelas mãos. Não deixa cair nenhum. Não se dedica apenas aos bons para ignorar os mais fracos. Puxa por todos. Fui falar com ela. Ao fim de duas semanas na nova escola a professora explicou-me como estava mal preparada a matemática e a português. Deu-me um plano de estudo. Explicou-nos o que deveríamos fazer com ela ao fim de semana para que recuperasse. Muito honesta e metódica. Sem falinhas mansas. Ela tem dificuldades nisto, nisto e nisto. Têm de fazer isto, isto e isto.

Assim fizemos. Depois da rebeldia inicial, aplicou-se. Fez amigas do peito. Andou feliz na nova escola durante dois anos. Culminou o 1º ciclo com notas máximas nos Exames Nacionais! Fiquei cheia de orgulho nela, no seu trabalho. E isso também apaziguou a minha culpa de a ter tirado da sua escola de sempre.
Afinal não sou a pior mãe do mundo!

7 de dezembro de 2013

Nelson Mandela contado às crianças


Cada vez gosto mais da professora do 1º ano do meu filho do meio!
A propósito da morte de Nelson Mandela, explicou às crianças quem foi este homem.

Ontem ao jantar o meu filho contou-nos:

  • O Nelson Mandela era um homem muito bom
  • Ganhou o Prémio Nobel da Paz
  • Esteve preso 26 anos
  • Foi preso porque queria igualdade entre pretos e brancos
  • Na África do Sul os pretos não podiam estar ao pé dos brancos
  • Foi Presidente da Africa do Sul

Ouvir esta história da boca de uma criança de 6 anos é comovente. Também me comovo cada vez que me cruzo com um professor destes, apaixonado pela sua profissão, com vontade de ensinar, de partilhar conhecimentos. Professores que nos inspiram. Que tornam o mundo uma aventura fascinante.

A professora do 4º ano da minha filha, apesar de competente, não fez qualquer menção a Nelson Mandela. A minha filha conheceu a história deste homem, através da boca do seu irmão mais novo e claro da nossa que complementámos a história, contando mais detalhes e mostrando imagens.

16 de setembro de 2013

1º Dia: Conhecer a Professora


Na 6ª feira tivemos a apresentação na escola do filho do meio, o que entrou na primária.
A escola, limitou-se a cumprir o calendário. Fez uma apresentação formal, das 9h às 11h30.
Os pais tiraram a manhã, não puderam ir trabalhar para acompanhar os seus filhos nesta importante fase da vida.
Chegados à escola e no recreio fomos recebidos pelo director do agrupamento e pela coordenadora da escola. De megafone em riste deram algumas indicações que ninguém ouviu tal era o eco e a fraca qualidade do som.
Depois, convidaram pais e alunos para irem para a respectiva sala, onde mais uma vez deram as explicações, desta vez mais audíveis. Ficámos a saber que nenhuma turma tinha professor, mas que 2ª feira estariam colocados.
Lá percebemos que não valeu a pena perder a manhã de 6ª feira, quando se avizinhava a verdadeira apresentação com os professores na 2ª feira. Mas a escola cumpriu o calendário. E o país perdeu mais uma manhã de trabalho dos pais, pelo menos dos que ainda têm trabalho. Valerá a pena cortar feriados e depois fazer as pessoas perderem dias de trabalho?

Hoje finalmente conhecemos a professora do nosso filho. O pai gostou muito: uma morena com ar de top model. Altíssima, cabelos longos, bronzeada com vestido branco a contrastar, como se tivesse passado 3 meses na praia, o que deve ter feito mesmo! Ainda fiquei a pensar que seria para os apanhados, que a dita professora era uma nova atriz de novelas.

Amanhã veremos se o meu filho terá uma tradicional professora primária ou se continua com a miúda que saiu directamente da passerelle para a EB1 local.
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