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10 de dezembro de 2014

Ricardo Espírito Santo Salgado: 10 horas

Ricardo Espírito Santo Salgado

Resumo de 10 horas de inquirição a Ricardo Espírito Santo Salgado:

  • Não fiz nada de ilegal
  • Não há nada a descobrir
  • Eu não tenho culpa de nada
  • Se alguém tem culpa é o contabilista, o angolano e o Banco de Portugal
  • Se descobrirem alguma coisa, tenho tanta culpa como os outros quatro ramos da família
  • Se o meu primo fez alguma denúncia, foi porque vai ter contrapartidas
  • Mas, já vos disse que sou uma vítima?


16 de junho de 2014

Afinal não sou a pior mãe do mundo

As notas dos exames do 4º ano trouxeram-me um turbilhão de emoções.
Primeiro, claro está, a ENORME felicidade de ver a minha filha a ser bem sucedida nos estudos.
A segunda, a admiração, pois não estávamos à espera. Nem nós, nem ela.
Durante o ano não teve más notas. Começou o ano com um suficiente que utilizámos para explicar que se não trabalhasse o suficiente poderia chumbar. Trabalhou muito. Graças à professora que puxou imenso pelos miúdos. Por todos. Fracos e fortes. Pô-los a trabalhar imenso. Ensinou, exigiu e voltou a exigir. Em casa correspondemos. Pusemo-la a trabalhar muito. Ajudámos nos estudos. Explicámos e exigimos.
No 3º período o trabalho foi tanto que lhe dissemos estar muito orgulhosos do que tinha feito, independentemente dos resultados. O que quer que fossem os resultados iríamos admirá-la pela qualidade do trabalho feito.
Fez os exames e achou-os fáceis. Eu fiquei preocupada, como expliquei aqui.
Muitas vezes a facilidade esconde rasteiras. Fiquei receosa.

Quando vi as notas dos exames na pauta não queria acreditar! 5 a Matemática e 5 a Português! A segunda melhor aluna da turma. Uma colega também teve 5 - 5 com maior percentagem.
Isto foi uma subida alucinante, graças ao trabalho e força de vontade. Se tivesse sido fácil a minha alegria não seria tanta. Mas foi com esforço, muito esforço!

Isto faz-me reviver o dia em que me senti a pior mãe do mundo. Foi há quase 2 anos. A minha vida deu a maior volta possível e tive de arrancar os meus 3 filhos do colégio onde estavam desde os 3 anos. Quem mais sofreu foi a mais velha. Ter de deixar os amigos de longa data. De repente, sem preparação.

Tirá-los abruptamente do colégio fez-me sentir falhada. Sentia que não estava a dar aos meus filhos aquilo que mereciam, o melhor.

Foram para a escola pública. Eu sabia que a escola pública tem excelentes professores, profissionais dedicados. Tudo uma questão de sorte. O que mais me custou foi retirar-lhes os amigos mais chegados.
Mas eles foram fortes. Adaptaram-se muito bem. Fizeram novos amigos. Mantiveram alguns do colégio.

A mais velha mostrou alguma rebeldia não querendo estudar. Passámos uma fase complicada com ela. Recusava-se a estudar. Ficava sentada à secretária sem fazer nada.

Com muita conversa, explicações e por fim chantagem: se não estudasse não ia às festas de aniversário dos amigos do colégio, para as quais ainda era convidada. Lá conseguimos que cedesse.

Saiu do colégio muito mal preparada. Nós queixávamo-nos à  professora que ela não sabia fazer contas, que não entendia os textos e sempre recebíamos uma desculpa esfarrapada "não se preocupem, não é do programa!". Nós acompanhamos nos trabalhos de casa e bem víamos: não sabia nada.

Por vezes há males que vem por bem. Este foi um deles. Eu nunca os teria tirado do colégio se não tivesse sido obrigada. Acreditamos que o ensino é melhor, o que nem sempre é verdade, e temos horários mais flexíveis para os pôr e ir buscar à escola. Sabemos onde estão todo o dia e não temos de fazer malabarismos para os deixar na escola na estreita faixa horária em que o portão abre, nem temos de correr para os ir buscar a horas demasiado cedo para serem compatíveis com trabalhos por conta de outrem.

A nova professora é super competente. Muito experiente. Na casa dos 50, já lhe passaram muitos alunos pelas mãos. Não deixa cair nenhum. Não se dedica apenas aos bons para ignorar os mais fracos. Puxa por todos. Fui falar com ela. Ao fim de duas semanas na nova escola a professora explicou-me como estava mal preparada a matemática e a português. Deu-me um plano de estudo. Explicou-nos o que deveríamos fazer com ela ao fim de semana para que recuperasse. Muito honesta e metódica. Sem falinhas mansas. Ela tem dificuldades nisto, nisto e nisto. Têm de fazer isto, isto e isto.

Assim fizemos. Depois da rebeldia inicial, aplicou-se. Fez amigas do peito. Andou feliz na nova escola durante dois anos. Culminou o 1º ciclo com notas máximas nos Exames Nacionais! Fiquei cheia de orgulho nela, no seu trabalho. E isso também apaziguou a minha culpa de a ter tirado da sua escola de sempre.
Afinal não sou a pior mãe do mundo!

29 de abril de 2014

Sónia Morais Santos: Entrevista

Hoje, na fila de transito a caminho do trabalho entregaram-me o jornal Destak.
Gosto sempre de receber os jornais gratuitos matinais que muito resumidamente nos dão uma série de noticias que nos permitem ficar mais ou menos informados do que se está a passar em Portugal e no mundo.

Hoje, abri o jornal e pumbas! Lá estava ela! Uma entrevista à Sónia Morais Santos, a propósito do lançamento do seu novo livro A Culpa não é Sempre da Mãe. E recomendo, como a melhor prenda para o Dia da Mãe do ano!
Sónia Morais Santos

"Com o Dia da Mãe à porta, fomos perceber se A Culpa Não é Sempre da Mãe. Conheça um livro (sobretudo) para mães, escrito por uma mãe - com o input de psicólogos e psiquiatras. Além dos três filhos, Sónia Morais Santos é jornalista e autora do blog Cocó na Fralda... e também sente culpa.

Todo o livro gira à volta da culpa. Vamos desmistificá-la?

O que falo no livro é o lado mau da culpa, e em como devemos tirar o peso dos nossos ombros. Mas a culpa tem um lado bom, porque permite-nos nuns dias sermos menos boas e no dia seguinte tentarmos compor-nos. O excesso de culpa é prejudicial, mas a culpa é o que nos faz perceber que não estamos a agir da melhor forma e faz corrigir. Outras vezes não, o que nos faz sentir ainda mais culpa!

Como conseguimos afastar esse sentimento de culpa má?

Basicamente, é relativizando e percebendo que não estamos sozinhas. Um dos intuitos do livro foi deixar testemunhos que mostram às mães que sentimos as mesmas coisas, que falhamos e não somos perfeitas. Por outro lado, é perceber que não podemos exigir essa perfeição. Temos de ter corpos fantásticos, ser bonitas, ter carreiras de sucesso, ser ótimas mães, ser ótimas amantes, ser estupidamente sociáveis. Somos realmente uma espécie de canivetes suiços, mas não conseguimos fazer isto tudo ao mesmo tempo, 24 horas por dia - o que nos frusta, porque queríamos. Há que perceber que não se pode ser perfeito o tempo todo.

Há o sentimento que se não se falhar como mãe, é porque se está a falhar sempre em qualquer coisa.

Há sempre algo que está a falhar. Isso não deixa de ser verdade, mas não faz mal! Porque não há mulheres perfeitas! Somos um bocadinho supermulheres, mas não somos a supermulher!

Porque sentiu necessidade de partilhar as suas histórias?

O livro não tem a pretensão de ser um tratado científico. Pretendia ser um livro descontraído, numas partes divertido, noutras sério, com opinião dos especialistas à mistura. Envolver-me no livro e explicar que também sinto culpa era permitir que as pessoas percebessem que não estou acima delas, pelo contrário.

Ainda sente culpa?

Culpabilizo-me imenso! O livro também me ajudou a perceber de onde vem a culpa tão enraizada na nossa cultura. Muita culpa tem a ver com a psicanálise, que definia boas mães, más mães, mães que provocavam esquizofrenia nos filhos... e isto vai deixando veneno. Quando sinto essa culpa, tento rir-me e pensar que amanhã vai ser melhor.

Se há culpa e não é sempre da mãe, de quem é? Podia ser dos pais...

A culpa é muitas vezes do pai, muitas vezes da mãe e muitas vezes não é de ninguém. O problema é o sentimento de culpa, e as mães sentem-no muito mais do que os pais.



A Culpa não é sempre da mãe

Ser Boa Mãe


  1. Dar educação, carinho e alimento.
  2. Estar lá, como um porto de abrigo, um colo para onde se corre - tanto em criança, como em adulto. Saber que há sempre um abraço.
  3. Saber dizer não, nos momentos certos.
  4. Ter tempo de qualidade
  5. Deixá-los sonhar e dar-lhes oportunidades para se realizarem."

Por Filipa Estrela, in Destak.

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