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22 de abril de 2015

Eu estou bem!

Não sou eu quem ficou sem andar.

Mas dói-me na alma. Foi alguém muito próximo, a minha mãe. Aquela pessoa que já existia antes de nós existirmos. A pessoa que nos gerou. Quem nos embalou, nos ensinou a andar, a correr e a voar.
Ficou sem andar. Para sempre, ou até um dia. Não sabemos. Nunca se sabe.

Como se diz a uma pessoa que não volta a andar?

Como se lida como uma notícia destas?
O que pode o próprio fazer? O que deve a família fazer?
Isto são questões que me assaltam os pensamentos.

O notícia é demasiado pesada. Terrível. A notícia que ninguém queria dar. As pistas que deixavam, as possibilidades que levantavam. Sempre a direcionar para uma conversa com o cirurgião.
Foram simpáticos, foram-nos preparando para a devastação que seria esta notícia de chofre.
Agora, ainda falta conseguir digerir e assimilar esta informação.
Só depois poderemos lidar com o E agora?

Sinto-me perdida. Muito perdida. É uma novo mundo no qual tenho zero de experiência.
O ser humano tem uma enorme capacidade de adaptação. Vamos ver como nos saímos disto.

21 de abril de 2015

Noticias devastadoras

Finalmente uma conversa com o cirurgião para receber as más noticias.
Quando tudo está bem ninguém insiste na conversa com o cirurgião.
Agora tudo muda. Puf! Nada mais será como antes.
Ainda tenho de digerir e assimilar a informação.
Não se recebe esta notícia como se nada fosse.  Sei que tudo mudou mas preciso de uns dias para conseguir imaginar e planear as coisas daqui para a frente.

20 de abril de 2015

À espera

Ainda à espera de notícias.  Só o cirurgião me dirá o que se passa.
A falta de notícias não pode ser bom sinal.
Continuo sentada à porta à espera do médico.
Tento pensar noutra coisa.


19 de abril de 2015

Parcas notícias

Casa-hospital-casa. Este tem sido o meu itinerário.
Novo dia, nova equipa. Felizmente mais simpática. Finalmente algumas informações. Escassas. Demasiado escassas.

A cirurgia correu bem mas as consequências podem ser devastadoras. Ninguém me quer dizer. Chutam para canto. Terei de falar com o cirurgião. Segunda feira lá estarei. A esperar o melhor, mas a temer o pior.

Obrigada pelo apoio. As vossas mensagens têm sido uma grande ajuda. De verdade.



18 de abril de 2015

Segunda ronda do dia


Visitas de meia hora aos cuidados intensivos. Hospital de Santa Maria. Em várias doses ao dia.

17 de abril de 2015

Preocupação, impotência e raiva


Que dia! Descobrir a tua mãe nos cuidados intensivos. Ter a alegria de a ver bem; acordada e consciente. Quereres perceber o que aconteceu mas ninguém te dar informações; nem um médico, nem um enfermeiro. Nada. Só um: a cirurgia correu bem.

Chorar lágrimas de preocupação, mas também de raiva; lágrimas de impotência.

Gostei de a ver com boa disposição.
Mas angustia-me não saber o que tem; não conhecer as consequências do que lhe aconteceu.
Estou preocupada. Muito preocupada.

Quando o telefone muda o teu dia

Receber um telefone pela manhã que te deixa em alvoroço. Apenas uma chamada. Descobrir que durante a noite, enquanto dormias, a tua mãe foi operada de urgência e está nos cuidados intensivos.

Ficas com o coração apertado. Tens um nó no peito que te dificulta até a respiração. Mas tens de esperar, tentar ter paciência até à hora que os cuidados intensivos permitem que as famílias lá vão.

Tens de dizer mil vezes a ti mesma, para te tentares convencer, que vai ficar tudo bem. Que tudo correu bem e tudo vai ficar bem.

Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.
Tudo correu bem e tudo vai ficar bem.

31 de julho de 2014

14 de maio de 2014

A mãe real: que não sou


A revista Saber Viver apresenta uma capa com as "mães reais" "como nós".
São elas mães que trabalham, têm empregada doméstica, organizam jantares, fazem drenagem linfática, tratam da imagem. Sugiro a leitura do post da MãeGyver a este propósito aqui.

Eu até gosto da Saber Viver mas este artigo realmente decepcionou-me.
A minha casa está com tudo em atraso. Todos os fins de semana me preparo para grandes arrumações mas acabo por me ficar nas 4 máquinas de roupa que lavo, estendo, dobro e arrumo (Desisti de vez de engomar. Agora é tudo pendurado esticado e bem dobrado, excepto as camisas dele que uma vez por mês ponho numa engomadoria.). Ah e dar banho a três, secar cabelo, por creme (neles), vestir, lavar dentes, deitar, contar histórias. Assim como dar pequeno almoço, vestir, por nas 3 escolas, buscar às 3 escolas e tudo novamente. Todos os dias!
Chego à conclusão que também não sou real... Pelo menos não sou real "como elas"!

6 de maio de 2014

Os Corpos das Mães


A fotógrafa Jade Beall está determinada em mostrar a beleza do corpo da mulher qualquer que seja a sua fase da vida. O seu novo livro de fotografia "The Bodies of Mothers" será lançado nos Estados Unidos no próximo dia 11 de Maio, Dia da Mãe.















29 de abril de 2014

Sónia Morais Santos: Entrevista

Hoje, na fila de transito a caminho do trabalho entregaram-me o jornal Destak.
Gosto sempre de receber os jornais gratuitos matinais que muito resumidamente nos dão uma série de noticias que nos permitem ficar mais ou menos informados do que se está a passar em Portugal e no mundo.

Hoje, abri o jornal e pumbas! Lá estava ela! Uma entrevista à Sónia Morais Santos, a propósito do lançamento do seu novo livro A Culpa não é Sempre da Mãe. E recomendo, como a melhor prenda para o Dia da Mãe do ano!
Sónia Morais Santos

"Com o Dia da Mãe à porta, fomos perceber se A Culpa Não é Sempre da Mãe. Conheça um livro (sobretudo) para mães, escrito por uma mãe - com o input de psicólogos e psiquiatras. Além dos três filhos, Sónia Morais Santos é jornalista e autora do blog Cocó na Fralda... e também sente culpa.

Todo o livro gira à volta da culpa. Vamos desmistificá-la?

O que falo no livro é o lado mau da culpa, e em como devemos tirar o peso dos nossos ombros. Mas a culpa tem um lado bom, porque permite-nos nuns dias sermos menos boas e no dia seguinte tentarmos compor-nos. O excesso de culpa é prejudicial, mas a culpa é o que nos faz perceber que não estamos a agir da melhor forma e faz corrigir. Outras vezes não, o que nos faz sentir ainda mais culpa!

Como conseguimos afastar esse sentimento de culpa má?

Basicamente, é relativizando e percebendo que não estamos sozinhas. Um dos intuitos do livro foi deixar testemunhos que mostram às mães que sentimos as mesmas coisas, que falhamos e não somos perfeitas. Por outro lado, é perceber que não podemos exigir essa perfeição. Temos de ter corpos fantásticos, ser bonitas, ter carreiras de sucesso, ser ótimas mães, ser ótimas amantes, ser estupidamente sociáveis. Somos realmente uma espécie de canivetes suiços, mas não conseguimos fazer isto tudo ao mesmo tempo, 24 horas por dia - o que nos frusta, porque queríamos. Há que perceber que não se pode ser perfeito o tempo todo.

Há o sentimento que se não se falhar como mãe, é porque se está a falhar sempre em qualquer coisa.

Há sempre algo que está a falhar. Isso não deixa de ser verdade, mas não faz mal! Porque não há mulheres perfeitas! Somos um bocadinho supermulheres, mas não somos a supermulher!

Porque sentiu necessidade de partilhar as suas histórias?

O livro não tem a pretensão de ser um tratado científico. Pretendia ser um livro descontraído, numas partes divertido, noutras sério, com opinião dos especialistas à mistura. Envolver-me no livro e explicar que também sinto culpa era permitir que as pessoas percebessem que não estou acima delas, pelo contrário.

Ainda sente culpa?

Culpabilizo-me imenso! O livro também me ajudou a perceber de onde vem a culpa tão enraizada na nossa cultura. Muita culpa tem a ver com a psicanálise, que definia boas mães, más mães, mães que provocavam esquizofrenia nos filhos... e isto vai deixando veneno. Quando sinto essa culpa, tento rir-me e pensar que amanhã vai ser melhor.

Se há culpa e não é sempre da mãe, de quem é? Podia ser dos pais...

A culpa é muitas vezes do pai, muitas vezes da mãe e muitas vezes não é de ninguém. O problema é o sentimento de culpa, e as mães sentem-no muito mais do que os pais.



A Culpa não é sempre da mãe

Ser Boa Mãe


  1. Dar educação, carinho e alimento.
  2. Estar lá, como um porto de abrigo, um colo para onde se corre - tanto em criança, como em adulto. Saber que há sempre um abraço.
  3. Saber dizer não, nos momentos certos.
  4. Ter tempo de qualidade
  5. Deixá-los sonhar e dar-lhes oportunidades para se realizarem."

Por Filipa Estrela, in Destak.

24 de abril de 2014

Livro: A Culpa Não é Sempre da Mãe


O livro que todas as mães precisavam. Foi escrito pela jornalista Sónia Morais Santos. Também ela mãe, filha e irmã.
Fui ao lançamento do livro da Sónia. Estava agendado para as 18h30 e apesar de ter uma alerta no Outlook não consegui sair do trabalho. Cheguei à Fnac do Colombo já passava das 19h30. Não ouvi nada da apresentação mas, felizmente, quando cheguei havia uma fila interminável de leitores, fãs, familiares e amigos à espera que a Sónia autografasse o livro. Ainda cheguei a tempo de ter o meu livro autografado. Apesar do cansaço, a Sónia brindou todos com um sorriso, com palavras de simpatia e uma cuidada dedicatória (Obrigada Sónia!).
Eu, mãe de 3, diariamente atormentada pelas ausências, por chegar demasiado tarde e achar que não estou tempo suficiente com os meus filhos, AGRADEÇO à Sónia este livro. Apesar de estar bem consciente do mal que a culpa infringe nas pessoas, não consigo evitar que em diversas situações da vida dos meus filhos, a sinta, como uma espada enterrada no peito.
Livro obrigatório para todas as mães se sentirem mais leves.
Um presente doce e terno para os filhos oferecerem às mães no Dia da Mãe que se avizinha (é já dia 4 de Maio). Podem encomendar aqui.


3 de abril de 2014

Só hoje: Aguenta mais!

Comovi-me com este post.
Tocou-me pois sinto na pele a dicotomia de desejar manter um emprego e o sentimento de perda da vida dos meus filhos.
Ontem foi um dia muito importante para eles. Os dois mais velhos tiveram uma audição de violino.
Eu tive de escolher, entre manter o emprego, ou fazer parte da vida dos meus filhos.
Nunca fui alcoólica mas agora compreendo quem faz parte do Alcoólicos Anónimos. Todos os dias digo para mim mesma. - Hoje não me vou despedir! Hoje vou conseguir resistir ao desejo do meu corpo, do meu cérebro que diariamente me ordenam: - Despede-te! - Vai-te embora! - Não engulas mais sapos! - Tu não mereces isto!
E eu penso. Penso que não mereço mas que tenho de ter força e aguentar, pelo bem estar dos meus filhos. É bom poder ir ao supermercado e comprar o que é preciso. É bom poder ir comprar os ténis para substituir os que lhes deixaram de servir na última semana.
Todos os dias digo a mim mesma: - Só hoje, tem força e não te despeças.
É uma luta infernal. Uma luta titanica entre coração e razão. Tenho seguido a razão, quando sei que o coração é que tem razão.
O coração é que sente o que é melhor para mim. Sabe o que é melhor para a minha vida. Sei que tenho de mudar. Encontrar outro lugar para mim. Apesar de tentar estou profundamente infeliz.
Perdi um marco importante na vida dos meus filhos e chorei. Às escondidas no trabalho, em claro em casa, chorei. Deixei sair a enorme dor que sinto no peito.
Tenho de encontrar uma ocupação, ou um trabalho que seja compatível com a minha condição de mãe. Tenho de conseguir estar com os meus filhos.
Voltei a dizer. Vão te despeças. Aguenta. Só mais um dia, só mais um mês.
Não sei se vou conseguir.
Não sei se chego ao fim do dia com trabalho.

21 de outubro de 2013

Balanço de Fim de Semana

Ai, fim de semana de mãe...
Cinco máquinas de roupa lavada, estendida, dobrada e arrumada.
Refeições para toda a semana confeccionadas, arrumadas em caixas, congeladas.
Frango, peru, carne picada, sopa de legumes. Ainda bem que cozinho com três panelas de pressão em simultâneo, assim é tudo mais rápido.
Houve ainda tempo para um jantar em casa de amigos.
Ainda bem que tenho uma semana inteira para trabalhar fora de casa...

26 de fevereiro de 2013

Ser mãe pela primeira vez

Faz hoje anos que me tornei mãe pela primeira vez.
Talvez tenha sido o dia mais feliz da minha vida. Ah! Eu sempre detestei estas designações. Mas foi o dia em que estive mais emocionada, o tempo todo. Saber que iria ter a minha filha. Ir para a maternidade para esse efeito. Vê-la pela primeira vez, confirmar-se todo o amor que eu já sentia. Tocar esta bebé linda. Olharmo-nos nos olhos pela primeira vez. E ter a certeza que na minha vida nada mais seria como dantes.
Amo-te filha mais linda do meu coração!

23 de novembro de 2012

Hoje sinto-me a pior mãe do mundo


Eu sei que sou boa mãe, que tento dar a melhor educação aos meus filhos, o maior amor mas, hoje sinto-me uma mãe falhada.
Durante a licença de maternidade do meu 3º filho fiquei desempregada. Eu e o pai. Ambos estávamos efectivos em duas multinacionais diferentes e fomos dispensados por motivo de re-estruturações. Foi há 4 anos e coincidiu com a crise do sub prime nos Estados Unidos que se propagou à Europa. Nessa altura todas as empresas americanas encontraram uma boa desculpa para iniciarem os despedimentos em massa. Procurámos emprego mas não encontrámos. Todas as empresas estavam a despedir, ou a tentar manter os postos de trabalho. Fomos forçados a criar os nossos postos de trabalho. Com 3 filhos pequenos para criar, dois eram bebés, não podíamos baixar os braços. Torná-mo nos assim, empresários à força, obrigados pelas circunstâncias da vida.
Passámos a trabalhar o dobro, ou o triplo do que quando trabalhávamos por conta doutrem  As responsabilidades aumentaram. Passei a ser responsável pelo vida de outros. Se não pudesse pagar salários a tempo, a vida de outros sairia prejudicada. Passei a viver com esse peso nos ombros. Perdi noites de sono a pensar nas contas a pagar. Durante algum tempo as coisas lá se arranjaram, pelo menos dava para pagar as despesas. Este ano foi o descalabro. Até tivemos trabalho mas os clientes deixaram de pagar. Estamos a sofrer aquele ciclo vicioso em que as empresas não conseguem pagar aos seus fornecedores porque os seus clientes não pagam, que pôr sua vez têm dinheiro a receber dos seus clientes que também não pagam e assim sucessivamente. De repente, o dinheiro deixou de mudar de mãos. Deixou de circular e a economia parou.

E porque é que me sinto a pior mãe do mundo?

Sinto-me falhada. Apesar da licenciatura e das duas pós-graduações, anteriores a Bolonha, da carreira de 20 anos de sucesso, vejo-me agora desempregada, sem conseguir ganhar o suficiente para sustentar os meus filhos.

Desde os 3 anos que os meus filhos frequentam um colégio. A mais velha está lá há 6 anos, com os amigos de sempre, no 3º ano.
Depois de contas e mais contas, de nenhum de nós conseguir arranjar emprego, chegámos à conclusão que os temos de tirar aos 3 do colégio. Hoje fui à secretaria pedir a transferência da mais velha para o ensino público. Não consegui conter as lágrimas e deixar de me sentir a pior mãe do mundo.

Não que as escolas públicas não sejam boas. Nada disso. Tenho falado com várias amigas que têm os filhos nas escolas públicas e que estão super-satisfeitas com a qualidade do ensino, dos professores e dos funcionários. Apenas sinto que estou a arrancar os meus filhos à escola que já conhecem, à que estão adaptados, sem qualquer preparação. Eles ainda não sabem que vão mudar. Nem tenho nada a dizer-lhes por enquanto. Nem sei em que escola terão vaga. Não tenho nada a dizer que os possa preparar. Estiveram todo o verão a sonhar com a nova educadora, com a sala do nível acima do que frequentavam. Sentem-se muito crescidos por passarem de sala e de repente vão ser desenraizados, todos de uma vez. O facto de não os ter preparado no final do ano lectivo é que me angustia. Se estivéssemos todo o verão a falar da escola nova para onde iam, seria agora tudo mais fácil. Sinto-me dividida entre o coração e a razão. A razão diz-me que sou boa mãe, que se vão adaptar bem à  mudança mas, o coração está apertado, sofre por sentir que não está a dar o melhor aos seus filhos, sente-se falhado.

16 de outubro de 2012

Sina de mãe: correr e esperar

Ir a correr buscar uma à escola, levar ao conservatório onde estuda violino. Esperar enquanto dura a aula de orquestra, seguida de iniciação musical e para rematar reunião de pais. Hoje nem sei a que horas consigo sair daqui com a miúda. Possivelmente teremos de jantar por cá, para chegarmos a casa já aconchegadas.
Com sorte consigo que ela faça os trabalhos de casa por aqui e eu consiga escrever um bocadinho. Ao chegar a casa será só banho e caminha...

Para o pai fica a tarefa de ir buscar os mais novos, ir para casa, dar banho e jantar aos mais novos. é um trabalho de equipa mas cada um para seu lado tratando de filhos de idades diferentes. Ufa! Há dias em fico arrasada!
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