Há bebés que choram com cólicas, para desespero dos pais. Eu não sei o que é isso. Juro. Os meus três filhos nunca choraram com cólicas. Parece incrível mas é verdade.
Bom, não me invejem por isso. Todos são diferentes e os meus choravam com birras de sono. A mais velha tinha horas certas para dormir. Caso isso não acontecesse, já sabíamos, íamos ter birra de sono!
Sempre que as rotinas se alteravam, se saiamos mais tempo, o dia acabava com uma birra. Até adormecer. De cansaço.
Os mais novos foram bastante mais fáceis. Ainda assim, as horas de dormir têm de ser respeitadas.
Ontem foi um dia intenso. Desfile de Carnaval com a escola. O dia inteiro mascarados a brincar. Aniversário da avó. Brincadeiras com os primos depois da escola. À hora de jantar já estavam todos derreados. Olhos vermelhos, deitados pelos sofás. Primos abraçados. Saímos às nove e meia, pouco mais tarde que a hora normal de dormir, entre as oito e meia e as nove.
A chegada a casa foi um festival. Trocar de roupa para vestir o pijama, uma aventura. Choro. Doíam os pés. Muito choro. Muitos mimos, muitas festinhas. Muitas massagens nos pés. Muito choro. Doíam muito. Pois, eu sei. São dores de crescimento, eu sei. Estás a crescer muito. Tomou paracetamol. Deitei-me com ele. Sempre a massajar os pés. Ele chorava. Eu no escuro comecei a contar uma história. Uma derivação do capuchinho vermelho inventada na hora. Muito choro.
- Mamã, pára de contar essa história HORRIPILANTE! Mais choro.
Foi assim até adormecer. De cansaço.
Os mais velhos vieram ver o bicho. Estaria mesmo a dormir?
- Mamã, história HORRIPILANTE?
E muitas gargalhadas! Não sei mesmo onde foi buscar a história HORRIPILANTE mas no meio da birra de sono e dores de crescimento, foi o que lhe saiu.
Moral da História: Nunca invejem alguém por ter algo que querem (ou não ter algo que não querem), nem imaginam o que também possa vir no pacote.
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13 de fevereiro de 2015
7 de junho de 2013
Choro
Há uns tempos escrevi sobre o choro terapêutico. Hoje estou assim. Choro por tudo. Depois de receber uma má notícia por que não esperava, fiquei muito nervosa. Dá-me para chorar. Acho que é a forma que o corpo encontra para deitar fora a tensão, como um apito de panela de pressão. Vou chorando e aos poucos sentindo-me mais aliviada.
Amanhã será um dia melhor. Espero.
Amanhã será um dia melhor. Espero.
23 de novembro de 2012
Hoje sinto-me a pior mãe do mundo
Eu sei que sou boa mãe, que tento dar a melhor educação aos meus filhos, o maior amor mas, hoje sinto-me uma mãe falhada.
Durante a licença de maternidade do meu 3º filho fiquei desempregada. Eu e o pai. Ambos estávamos efectivos em duas multinacionais diferentes e fomos dispensados por motivo de re-estruturações. Foi há 4 anos e coincidiu com a crise do sub prime nos Estados Unidos que se propagou à Europa. Nessa altura todas as empresas americanas encontraram uma boa desculpa para iniciarem os despedimentos em massa. Procurámos emprego mas não encontrámos. Todas as empresas estavam a despedir, ou a tentar manter os postos de trabalho. Fomos forçados a criar os nossos postos de trabalho. Com 3 filhos pequenos para criar, dois eram bebés, não podíamos baixar os braços. Torná-mo nos assim, empresários à força, obrigados pelas circunstâncias da vida.
Passámos a trabalhar o dobro, ou o triplo do que quando trabalhávamos por conta doutrem As responsabilidades aumentaram. Passei a ser responsável pelo vida de outros. Se não pudesse pagar salários a tempo, a vida de outros sairia prejudicada. Passei a viver com esse peso nos ombros. Perdi noites de sono a pensar nas contas a pagar. Durante algum tempo as coisas lá se arranjaram, pelo menos dava para pagar as despesas. Este ano foi o descalabro. Até tivemos trabalho mas os clientes deixaram de pagar. Estamos a sofrer aquele ciclo vicioso em que as empresas não conseguem pagar aos seus fornecedores porque os seus clientes não pagam, que pôr sua vez têm dinheiro a receber dos seus clientes que também não pagam e assim sucessivamente. De repente, o dinheiro deixou de mudar de mãos. Deixou de circular e a economia parou.
E porque é que me sinto a pior mãe do mundo?
Sinto-me falhada. Apesar da licenciatura e das duas pós-graduações, anteriores a Bolonha, da carreira de 20 anos de sucesso, vejo-me agora desempregada, sem conseguir ganhar o suficiente para sustentar os meus filhos.
Desde os 3 anos que os meus filhos frequentam um colégio. A mais velha está lá há 6 anos, com os amigos de sempre, no 3º ano.
Depois de contas e mais contas, de nenhum de nós conseguir arranjar emprego, chegámos à conclusão que os temos de tirar aos 3 do colégio. Hoje fui à secretaria pedir a transferência da mais velha para o ensino público. Não consegui conter as lágrimas e deixar de me sentir a pior mãe do mundo.
Não que as escolas públicas não sejam boas. Nada disso. Tenho falado com várias amigas que têm os filhos nas escolas públicas e que estão super-satisfeitas com a qualidade do ensino, dos professores e dos funcionários. Apenas sinto que estou a arrancar os meus filhos à escola que já conhecem, à que estão adaptados, sem qualquer preparação. Eles ainda não sabem que vão mudar. Nem tenho nada a dizer-lhes por enquanto. Nem sei em que escola terão vaga. Não tenho nada a dizer que os possa preparar. Estiveram todo o verão a sonhar com a nova educadora, com a sala do nível acima do que frequentavam. Sentem-se muito crescidos por passarem de sala e de repente vão ser desenraizados, todos de uma vez. O facto de não os ter preparado no final do ano lectivo é que me angustia. Se estivéssemos todo o verão a falar da escola nova para onde iam, seria agora tudo mais fácil. Sinto-me dividida entre o coração e a razão. A razão diz-me que sou boa mãe, que se vão adaptar bem à mudança mas, o coração está apertado, sofre por sentir que não está a dar o melhor aos seus filhos, sente-se falhado.
22 de novembro de 2012
Choro terapêutico
O que me fez rir este post da Sónia.
Há uns anos atrás, tinha de correr o país de carro em trabalho. Conduzia horas e horas sozinha pelas autoestradas portuguesas. Ia ao Porto, a Aveiro, a Coimbra e ao Algarve. Estas horas eram terapêuticas Ouvia música, pensava na vida, arrumava as ideias. Só não chorava, como a Sónia. Ela tem muita razão em dizer que chorar faz muito bem à alma. É verdade! Mas eu não preciso de conduzir umas horas sozinha para chorar. Eu aproveito quase todos os dias. É que eu tenho um grande defeito. Sou muito acelerada. Começo a andar muito depressa, a fazer tudo demasiado rápido. Resultado, bato com os ombros nas ombreiras das portas, com os cotovelos nas paredes, fecho armários deixando o nariz lá dentro, dou quedas aparatosas na rua, na casa de amigos e demais sítios por onde ando. Nestas ocasiões choro e bem. Alto e bom som. Os meus filhos já estão habituados a ouvir-me chorar e gritar de dor da outra ponta da casa. Chegam rápido a perguntar "o que foi desta vez?" e a querer saber se "tens sangue?". Já se sabe que se não houver sangue não é grave, aos olhos de uma criança. Na triagem do hospital nunca acreditam que me magoei sozinha. Já vi uns olhares complacentes e a pergunta "tem a certeza?". É claro que tenho a certeza que bati na porta sozinha, eu saberia se tivesse tido ajuda, mas não é que não preciso de nenhuma ajuda para me magoar a sério? Já sou desastrada o suficiente para fazer tudo sozinha!
Há uns anos atrás, tinha de correr o país de carro em trabalho. Conduzia horas e horas sozinha pelas autoestradas portuguesas. Ia ao Porto, a Aveiro, a Coimbra e ao Algarve. Estas horas eram terapêuticas Ouvia música, pensava na vida, arrumava as ideias. Só não chorava, como a Sónia. Ela tem muita razão em dizer que chorar faz muito bem à alma. É verdade! Mas eu não preciso de conduzir umas horas sozinha para chorar. Eu aproveito quase todos os dias. É que eu tenho um grande defeito. Sou muito acelerada. Começo a andar muito depressa, a fazer tudo demasiado rápido. Resultado, bato com os ombros nas ombreiras das portas, com os cotovelos nas paredes, fecho armários deixando o nariz lá dentro, dou quedas aparatosas na rua, na casa de amigos e demais sítios por onde ando. Nestas ocasiões choro e bem. Alto e bom som. Os meus filhos já estão habituados a ouvir-me chorar e gritar de dor da outra ponta da casa. Chegam rápido a perguntar "o que foi desta vez?" e a querer saber se "tens sangue?". Já se sabe que se não houver sangue não é grave, aos olhos de uma criança. Na triagem do hospital nunca acreditam que me magoei sozinha. Já vi uns olhares complacentes e a pergunta "tem a certeza?". É claro que tenho a certeza que bati na porta sozinha, eu saberia se tivesse tido ajuda, mas não é que não preciso de nenhuma ajuda para me magoar a sério? Já sou desastrada o suficiente para fazer tudo sozinha!
27 de agosto de 2012
3 filhos menos um
Chegámos a casa com dois filhos em vez de três. Os dois mais novos. Assim, só tivemos de carregar duas crianças adormecidas nos braços. Quando adormecem os três torna-se um pouco mais difícil. Temos de fazer mais algumas piscinas. O pais leva um para cima e deita na cama. Eu fico no carro a guardar os outros dois. Ele volta, pegamos cada um numa criança e lá vamos para cima. Depois de os deitarmos já podemos ir ao carro buscar sacos, mochilas e o mais que seja.
Ontem não. A mais velha quis ficar em casa do avô. Eu aceitei na hora. O pai ainda teve dúvidas. Não tem roupa, nem pijama, nem dada. Eu aproveitei logo. Deixa-a ficar. Quando temos filhos que são tão, tão agarrados a nós que não querem ficar com ninguém temos de aproveitar estes rasgos de soltura. Quando era filha única não ficava rigorosamente com ninguém. Nem tios que adorava, nem avós, nem ninguém.
Quando tinha penas 4 meses, aquela idade em que supostamente os bebés não estranham, deixei-a com duas tias que moravam na nossa rua. Fomos a pé para o Estádio de Alvalade para assistir a um jogo do Europeu de 2004 para o qual nos tinham oferecido bilhetes. Chegámos ao estádio, vi as cores, a festa inicial, as claques, os cânticos e... o telefone tocou. Ouvi a voz da tia aflita que me pedia para voltar. Tinham passado 30 minutos e a pequena gritava a plenos pulmões, assim tipo desesperada que fui abandonada. Nem com conversa, nem com canções, nem beijinhos, nem nada. Quanto mais a tentavam acalmar mais a minorca mostrava a sua capacidade respiratória. E se tinha bom pulmões...
Lá ficou o pai no estádio e lá foi a mãe embora. Acalmar a pequena grande fera. Quando cheguei estava vermelha de choro, olhos inchados, cara lavada em lágrimas. Mal me viu atirou-se para o meu colo e... calou-se. Pronto já tinha a mãe. Já estava tudo bem.
E foi assim até ter irmãos e os irmãos começarem a ficar em casa dos avós e ela querer imitar os irmãos, que de tímidos nunca tiveram nada. Por isso, é que quando aos 8 anos quer ficar em casa de tios ou avós, não hesito. Apoio na hora. Não posso deixar passar um raro momento de soltura.
Ontem não. A mais velha quis ficar em casa do avô. Eu aceitei na hora. O pai ainda teve dúvidas. Não tem roupa, nem pijama, nem dada. Eu aproveitei logo. Deixa-a ficar. Quando temos filhos que são tão, tão agarrados a nós que não querem ficar com ninguém temos de aproveitar estes rasgos de soltura. Quando era filha única não ficava rigorosamente com ninguém. Nem tios que adorava, nem avós, nem ninguém.
Quando tinha penas 4 meses, aquela idade em que supostamente os bebés não estranham, deixei-a com duas tias que moravam na nossa rua. Fomos a pé para o Estádio de Alvalade para assistir a um jogo do Europeu de 2004 para o qual nos tinham oferecido bilhetes. Chegámos ao estádio, vi as cores, a festa inicial, as claques, os cânticos e... o telefone tocou. Ouvi a voz da tia aflita que me pedia para voltar. Tinham passado 30 minutos e a pequena gritava a plenos pulmões, assim tipo desesperada que fui abandonada. Nem com conversa, nem com canções, nem beijinhos, nem nada. Quanto mais a tentavam acalmar mais a minorca mostrava a sua capacidade respiratória. E se tinha bom pulmões...
Lá ficou o pai no estádio e lá foi a mãe embora. Acalmar a pequena grande fera. Quando cheguei estava vermelha de choro, olhos inchados, cara lavada em lágrimas. Mal me viu atirou-se para o meu colo e... calou-se. Pronto já tinha a mãe. Já estava tudo bem.
E foi assim até ter irmãos e os irmãos começarem a ficar em casa dos avós e ela querer imitar os irmãos, que de tímidos nunca tiveram nada. Por isso, é que quando aos 8 anos quer ficar em casa de tios ou avós, não hesito. Apoio na hora. Não posso deixar passar um raro momento de soltura.
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