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28 de outubro de 2014
Estamos a Contratar
Na empresa onde trabalho estamos a contratar.
Há quase um ano. Mas não encontramos a pessoa certa.
Tem de ter experiência, falar línguas, ser dinâmico.
Mas só querem pagar um salário de um miúdo.
Ah! E tal o mercado está mau, há muito desemprego.
Mas quando começamos a querer competências muito específicas as pessoas não aceitam salários baixos.
Continuamos à procura...
31 de dezembro de 2013
Ultrapassar 2013
O ano de 2013 foi um turbilhão de emoções na minha vida.
Passei o Natal de 2012 com a doce promessa de um emprego para 2 de Janeiro de 2013. No último dia do ano recebi um e-mail esquivo, que faltando totalmente à verdade, dava o dito por não dito, sem nunca assumir o acordado. Magoou-me muito.
Foi um pontapé no estômago. Entrei o novo ano com o peso do desemprego em cima.
Tínhamos chegado ao fundo do poço, raspado as últimas migalhas do que nos restava. Estávamos em risco de perder a casa e de ficar na rua com três crianças pequenas.
Olhava para eles e o desespero deu lugar à determinação. Eu não podia deixar que algo de mal lhes acontecesse. Eu teria de dar a volta. Como, não sabia.
Para isso teria de fazer algo novo. Teria de descobrir um novo caminho, já que a tradicional pesquisa de emprego, com o envio de CV e partilha da situação com todos os contactos profissionais não estava a dar frutos. Todas as empresas estavam a despedir e não tinham lugar para mim. Ao envio de CV nunca tive resposta. Não sei se pela idade, se pela senioridade na carreira. As poucas vagas eram para júniores: gente nova, com sangue na guelra e barata.
Olhei para os meus filhos e decidi que tinha de fazer o que ainda não tinha feito. Tinha de trilhar um caminho novo que me levasse a bom porto.
Não podemos continuar a fazer o mesmo de sempre e esperar um desfecho diferente, já nos explicou Einstein.
Tentei pensar de forma diferente, procurar outras áreas fora da minha zona de conforto.
Observei que em tempo de crise, todos se refreiam no consumo. Tudo o que possa ser considerado supérfluo era preterido.
Olhei para o essencial. O que era realmente importante para todos? O que ninguém poderia dispensar, mesmo que quisesse?
A resposta começou a formar-se no meu pensamento. A Comida. Todos precisamos de comer. Todos os dias e várias vezes ao dia. O que ingerimos desaparece. Deixa de existir. Voltamos sempre a a ter de comprar comida.
Virei-me para esta área. Comecei por confeccionar bolos e bolinhos. Pesquisei receitas, métodos e segredos. Inventei as minhas próprias combinações. Fiz comida, bolos, bolinhos e especialidades gourmet. Arranjei clientes. Tive uma enorme aceitação nos meus artigos. Todos apreciavam o que fazia. Não só me pagavam pelo que fazia como ainda me enchiam o ego com elogios! Foi reconfortante. Recuperei as forças e a auto-estima.
Descobri que mesmo em tempos de crise todos precisam de comer. Quem tem emprego tem falta do bem mais escasso, o tempo. Tempo para cozinhar uma refeição diferente, para fazer um bolo para celebrar um momento especial.
Dediquei-me a esta actividade com todo o amor e carinho, que se reflectiam no resultado final. Estava a dar muito de mim no que fazia e a receber muito em troca. O amor que punha na confecção das minhas iguarias, era-me retribuído em enormes elogios.
Descobri caminhos novos, competências que não sabia que tinha. Eu quase não cozinhava. Tinha quem o fizesse por mim. Trabalhava muito mas chegava a casa e tinha o jantar pronto. Eu própria não tinha tempo para a cozinha. Não tinha de desenvolver as artes da culinária.
A necessidade foi mãe da evolução. Estudei, pesquisei, testei e descobri que tinha um dom, ou um gosto muito especial para fazer coisas diferentes e muito apreciadas por quem as provava.
Foi um caminho duro. Não só estudava novas receitas, como fazia compras, cozinhava e procurava clientes para as minhas iguarias.
E ainda era mãe, mulher e pessoa. Tentava cuidar de tudo como podia. Algumas vezes, algumas coisas ficavam para trás. Tudo menos a vontade de dar uma vida confortável aos meus filhos. Com um tecto e comida suficientes e amor e carinho em enorme quantidade.
A minha determinação deu frutos. Se esta nova actividade não me permitia pagar uma renda, já era suficiente para satisfazer as necessidades básicas dos meus filhos. Ganhei uma certeza. Acontecesse o que acontecesse, eles nunca iriam passar fome. Desde que eu tivesse o suficiente para comprar alguns ingredientes, podia transformá-los em algo único, receber dinheiro por isso, com o qual poderia voltar a comprar mais ingredientes e ainda alimentar os meus filhos.
Este novo alento e auto-estima trouxe-me algo de muito bom: um emprego!
Chegou à minha vida a meio do ano, em Junho. Dediquei-me com alma e coração ao novo projecto. Prescindi de férias com os meus filhos, mas tive a alegria de voltar ao mercado de trabalho. Um emprego muito abaixo do nível de carreira que tinha tido. Um enorme retrocesso financeiro. Ainda assim um oportunidade a agarrar com unhas e dentes. Se para voltar a trabalhar teria de aceitar ganhar quase metade do que estava habituada, assim seria. São sinais dos tempos, da crise em que vivemos. Descobri que entrei numa empresa mais que fantástica, onde adorava ficar, com progressão na carreira merecida. Tenho esperança que isso aconteça apesar de saber que isso não é política das empresas. As progressões são lentas, curtas e nem sempre justas. Quero acreditar que o meu mérito será reconhecido. Quando deixar de acreditar nisso posso sempre procurar novas oportunidades. É mais fácil arranjar emprego quando temos um emprego. A nossa capacidade negocial sobe consideravelmente. Era o que eu não tinha quando arranjei este emprego. Só voltar ao activo era pralá de bom! Não podia perder a oportunidade com negociações salariais. Se estou arrependida? Não. Nunca!
As oportunidades têm de ser aproveitadas. Depois podemos procurar algo melhor. Nunca recusar uma oportunidade pequena, esperando pela grande. Ela não nos vai bater à porta.
Este post já vai muito longo. A mensagem final que queria deixar é apenas uma: nunca desistam!
Lutem, procurem, voltem a lutar, voltem a procurar. Não baixem os braços nunca! Quando encontrarem uma oportunidade, agarrem-na. Por muito pequenina que seja. Em breve, melhores dias virão. Haverá melhores oportunidades para todos nós. Para já temos de agarrar o que a vida nos dá.
E este blog é isto mesmo, uma ode à vida e às coisas boas que ela nos dá!
Obrigada pelo apoio e o carinho que me têm dado. Nem imaginam o bem que fazem ao estarem aí, ao deixarem os vossos comentários, ao incentivarem e ao apoiarem, apesar de nem sequer me conhecerem, apesar de nunca terem visto a minha cara, nem ouvido a minha voz.
18 de junho de 2013
Não sou feita para desistir
Esta talvez seja a frase que melhor me define.
A vida tem-me pregado muitas partidas. Como se forças superiores me quisessem colocar à prova. Tenho passado muitas dificuldades a vários níveis. Uma infância e adolescência difíceis, que não me levaram para a droga ou alcoolismo mas antes que fizeram agarrar aos estudos com uma enorme vontade de chegar a ser alguém na vida. Consegui ser esse alguém. Ter muito sucesso e reconhecimento na vida profissional. Constituir família.
Não fosse eu ficar demasiado arrogante com o que tinha atingido, a vida decidiu colocar-me à prova novamente. O desemprego duplo, meu e do meu marido, que chega quase ao mesmo tempo, precisamente durante a licença de maternidade do nosso terceiro filho.
Neste momento sentimos que nos tiram o chão debaixo dos pés. Se ao terceiro filho já temos o receio e nos questionamos em como vamos conseguir educar, sustentar 3 crianças, tendo os dois emprego, ao ficarmos os dois desempregados, posso dizer que dá medo. Muito medo.
Ainda assim não desistimos. Procurámos emprego que não encontrámos. Criámos o nosso próprio posto de trabalho. Com a crise que se seguiu tornou-se num descalabro financeiro. Terminamos o processo ainda com mais dívidas.
Vivemos muitos dias de aflição. Eu tive muito medo de perder a casa. De ficar com os meus 3 filhos na rua.
De um dia para o outro tivemos de os tirar do colégio onde sempre estiveram. Sem qualquer preparação. Literalmente de um dia para o outro. Sofri muito por eles. No fim eles adaptaram-se muito bem. Estão felizes nas suas novas escolas públicas. Mostraram que também são fortes, que se adaptam às dificuldades da vida. Que herdaram os nossos genes, ou que lhes soubemos passar os nossos valores. São uns lutadores e uns vencedores. E eu fico muito feliz com isso.
Tive um revés que mudou tudo e que contei aqui. No dia antes do Natal ofereceram-me um emprego, numa empresa de vão de escada é certo, em que até tinha medo que não me chegassem a pagar o ordenado, para no último dia do ano me enviarem um e-mail a dar o dito por não dito, numa esquiva mentirosa que me insultou. Preferia muito mais que me tivessem dito: mudámos de ideias. Tão simples quanto isso.
Passei o Ano Novo com um balde de água fria em cima. Isso deu-me ainda mais vontade de dar a volta. De fazer algo diferente.
A pesquisa de emprego não estava a resultar. Eu tinha de procurar algo diferente. Fui ao fundo do baú procurar outras competências que nunca tinha usado a nível profissional. Encontrei o que nunca esperei. Comecei a cozinhar e a fazer bolos para fora. Descobri que mesmo em alturas de crise, a comida é o que ninguém pode dispensar. Mesmo em alturas de quebra de consumo, todos têm de comer todos os dias e várias vezes ao dia. E mesmo em alturas de crise há quem ainda tenha emprego e ganhe dinheiro. E são estas pessoas que têm emprego e dinheiro que não têm tempo. Não têm tempo para as coisas básicas da vida como cozinhar ou fazer um bolo. São estas pessoas que têm de dedicar as 24 horas do seu dia a manter o seu emprego. E descobri serem estas as pessoas dispostas a pagar a alguém que tem tempo, vontade, dedicação e bom gosto para fazer um prato delicioso para uma festa de família, ou um bolo para uma ocasião especial.
Desde Janeiro que me tenho dedicado a esta nova arte. Recebi muito em troca: quer o pagamento pelo meu trabalho, quer muito reconhecimento pelo que faço. Recebi muitos parabéns, muitas pessoas me disseram que o que fazia era delicioso.
Foi um novo alento na minha vida. Uma nova energia em mim. Fui novamente reconhecida pelo meu trabalho, ainda que num trabalho diferente. Voltei a ganhar dinheiro, ainda que não o suficiente para pagar uma renda.
Por isso, posso dizer a todos os desempregados: não desistam! Procurem algo diferente. Todos servimos para alguma coisa, ou para muitas coisas. Procurem algo diferente e alguma coisa há-de surgir. As peças irão encaixar-se, como para mim.
Depois de começar a ter sucesso numa nova arte, a vida deu-me um grande presente. Ofereceu-me novamente uma enorme dádiva. Deu-me a oportunidade de voltar a trabalhar! Um novo emprego na minha área! Numa altura como esta, o que mais podia desejar?
Estou mil vezes grata à VIDA por mais esta oportunidade.
Prometo aproveitá-la com unhas e dentes!
São nestes momentos que sinto que algo superior me pôs à prova. Deu-me uma dificuldade enorme, para ver como reagia. Outros no meu lugar desistiram, caíram, suicidaram-se. Eu lutei, com todas as minhas forças! Tentei poupar os meus filhos às dificuldades, na medida do possível. Sabiam que não tínhamos dinheiro mas nada lhes faltou. Nem comida nem diversão. Passeios, brincadeiras, estarmos juntos não tem preço. Continuaram a divertir-se. Fizeram novos e fantásticos amigos nas escolas novas. São crianças felizes.
Eu, mais uma vez provei à vida que Não sou feita para desistir!
A vida tem-me pregado muitas partidas. Como se forças superiores me quisessem colocar à prova. Tenho passado muitas dificuldades a vários níveis. Uma infância e adolescência difíceis, que não me levaram para a droga ou alcoolismo mas antes que fizeram agarrar aos estudos com uma enorme vontade de chegar a ser alguém na vida. Consegui ser esse alguém. Ter muito sucesso e reconhecimento na vida profissional. Constituir família.
Não fosse eu ficar demasiado arrogante com o que tinha atingido, a vida decidiu colocar-me à prova novamente. O desemprego duplo, meu e do meu marido, que chega quase ao mesmo tempo, precisamente durante a licença de maternidade do nosso terceiro filho.
Neste momento sentimos que nos tiram o chão debaixo dos pés. Se ao terceiro filho já temos o receio e nos questionamos em como vamos conseguir educar, sustentar 3 crianças, tendo os dois emprego, ao ficarmos os dois desempregados, posso dizer que dá medo. Muito medo.
Ainda assim não desistimos. Procurámos emprego que não encontrámos. Criámos o nosso próprio posto de trabalho. Com a crise que se seguiu tornou-se num descalabro financeiro. Terminamos o processo ainda com mais dívidas.
Vivemos muitos dias de aflição. Eu tive muito medo de perder a casa. De ficar com os meus 3 filhos na rua.
De um dia para o outro tivemos de os tirar do colégio onde sempre estiveram. Sem qualquer preparação. Literalmente de um dia para o outro. Sofri muito por eles. No fim eles adaptaram-se muito bem. Estão felizes nas suas novas escolas públicas. Mostraram que também são fortes, que se adaptam às dificuldades da vida. Que herdaram os nossos genes, ou que lhes soubemos passar os nossos valores. São uns lutadores e uns vencedores. E eu fico muito feliz com isso.
Tive um revés que mudou tudo e que contei aqui. No dia antes do Natal ofereceram-me um emprego, numa empresa de vão de escada é certo, em que até tinha medo que não me chegassem a pagar o ordenado, para no último dia do ano me enviarem um e-mail a dar o dito por não dito, numa esquiva mentirosa que me insultou. Preferia muito mais que me tivessem dito: mudámos de ideias. Tão simples quanto isso.
Passei o Ano Novo com um balde de água fria em cima. Isso deu-me ainda mais vontade de dar a volta. De fazer algo diferente.
A pesquisa de emprego não estava a resultar. Eu tinha de procurar algo diferente. Fui ao fundo do baú procurar outras competências que nunca tinha usado a nível profissional. Encontrei o que nunca esperei. Comecei a cozinhar e a fazer bolos para fora. Descobri que mesmo em alturas de crise, a comida é o que ninguém pode dispensar. Mesmo em alturas de quebra de consumo, todos têm de comer todos os dias e várias vezes ao dia. E mesmo em alturas de crise há quem ainda tenha emprego e ganhe dinheiro. E são estas pessoas que têm emprego e dinheiro que não têm tempo. Não têm tempo para as coisas básicas da vida como cozinhar ou fazer um bolo. São estas pessoas que têm de dedicar as 24 horas do seu dia a manter o seu emprego. E descobri serem estas as pessoas dispostas a pagar a alguém que tem tempo, vontade, dedicação e bom gosto para fazer um prato delicioso para uma festa de família, ou um bolo para uma ocasião especial.
Desde Janeiro que me tenho dedicado a esta nova arte. Recebi muito em troca: quer o pagamento pelo meu trabalho, quer muito reconhecimento pelo que faço. Recebi muitos parabéns, muitas pessoas me disseram que o que fazia era delicioso.
Foi um novo alento na minha vida. Uma nova energia em mim. Fui novamente reconhecida pelo meu trabalho, ainda que num trabalho diferente. Voltei a ganhar dinheiro, ainda que não o suficiente para pagar uma renda.
Por isso, posso dizer a todos os desempregados: não desistam! Procurem algo diferente. Todos servimos para alguma coisa, ou para muitas coisas. Procurem algo diferente e alguma coisa há-de surgir. As peças irão encaixar-se, como para mim.
Depois de começar a ter sucesso numa nova arte, a vida deu-me um grande presente. Ofereceu-me novamente uma enorme dádiva. Deu-me a oportunidade de voltar a trabalhar! Um novo emprego na minha área! Numa altura como esta, o que mais podia desejar?
Estou mil vezes grata à VIDA por mais esta oportunidade.
Prometo aproveitá-la com unhas e dentes!
São nestes momentos que sinto que algo superior me pôs à prova. Deu-me uma dificuldade enorme, para ver como reagia. Outros no meu lugar desistiram, caíram, suicidaram-se. Eu lutei, com todas as minhas forças! Tentei poupar os meus filhos às dificuldades, na medida do possível. Sabiam que não tínhamos dinheiro mas nada lhes faltou. Nem comida nem diversão. Passeios, brincadeiras, estarmos juntos não tem preço. Continuaram a divertir-se. Fizeram novos e fantásticos amigos nas escolas novas. São crianças felizes.
Eu, mais uma vez provei à vida que Não sou feita para desistir!
1 de maio de 2013
Dia do Trabalhador
Neste dia 1 de Maio sinto aquela nostalgia de já não ser trabalhadora. Sim. Trabalhadora. Daquelas que têm salário . E têm de cumprir horário. Das que têm subsídios que podem ser cortados.
Enquanto uns se manifestam contra os cortes de regalias eu aqui fico, a desejar voltar a ter trabalho. Daquele que paga salário.
Trabalho tenho muito, mas sem salário e esse não conta.
Aí que saudades de ter trabalho!
Enquanto uns se manifestam contra os cortes de regalias eu aqui fico, a desejar voltar a ter trabalho. Daquele que paga salário.
Trabalho tenho muito, mas sem salário e esse não conta.
Aí que saudades de ter trabalho!
29 de março de 2013
Ricardo Araújo Pereira: carta aos 19% de Desempregados
O Ricardo Araújo Pereira continua a escrever como só ele, a pôr o dedo na ferida, de forma brutal e a chamar os bois pelos nomes. Ah! E sempre com um humor incomparável.
Eu, fazendo parte destes 19%, revejo-me completamente neste texto.
"Caro desempregado,
Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego.
Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.
Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.
Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade.
O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.
Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer."
Ricardo Araújo Pereira,
Visão, 27 de Março de 2013
17 de janeiro de 2013
Os momentos que valem a pena
Como muitos de vocês já sabem porque contei aqui, arranjei um trabalho temporário em part-time. Estou a dar aulas de inglês como AEC (Actividades de Enriquecimento Curricular) numa escola básica da rede pública. Isto significa que trabalho duas horas por dias, durante alguns dias, pois estou a fazer uma substituição de outro professor.
Não é muito, mas para quem não tinha nada é uma oportunidade a não perder. Já tinha dado aulas de inglês no final da adolescência, mesmo antes de entrar para a faculdade, pois já tinha os cursos do Cambridge.
A experiência está a ser muito gratificante. Os alunos da primária são muito queridos, ternos e meigos. Os do 1º e 2º anos querem muito aprender e colaboram nas actividades que lhes proponho com muito interesse e dedicação. Os do 4º ano, já estão a entrar na fase em que se acham muito engraçadinhos, que podem dar "baile" ao professor. As duas turmas do 4º ano dão-me mais trabalho do que as outras todas juntas.
Ontem tive uma experiência deliciosa numa destas turmas. Esta turma é muito pequena. Tenho em sala apenas 9 alunos. Acreditem, ainda existem algumas turmas pequenas nos centros urbanos da rede pública. Esta turma teria tudo para ser uma turma fácil, mas não é. Dos 9 alunos há 3 pestinhas impossíveis. Um rapaz que se acha engraçado e finge que é atrasado mental, sem o ser. Mas as piores são duas miúdas que se acham o máximo. Gritam e guincham o tempo todo, acham-se as maiores do mundo e por sua grande sorte são bastante inteligentes e conseguem ter bom aproveitamento , apesar de prejudicarem o resto da turma com o seu comportamento.
Ontem quando cheguei à escola a outra professora de inglês avisou-me que teríamos festa de anos com bolo, ou na minha sala de onde era o aniversariante, ou na sala dela onde está o irmão. O aniversariante eu ainda não conhecia. É um miúdo com trissomia 21 que costuma estar na sala da educação especial mas que pertence a esta turma. As miúdas tagarelas pediram-me autorização para o ir buscar e explicaram que ele deveria estar connosco na aula de inglês o que nem sempre acontecia pois na educação especial nem sempre sabem os horários das AEC e não o trazem.
Eu concordei e passado um pouco as alunas chegaram com o aniversariante e a professora da educação especial que me informou que o pai do aluno estaria a chegar com o bolo. O mais giro foi ver a forma carinhosa como esta turma terrível recebeu o seu colega com trissomia 21. Todos o queriam ter ao pé de si, as duas miúdas engraçadinhas viraram mães protectoras do seu colega. Ficaram sossegadinhas na aula, escreviam as palavras em inglês numa folha para o seu colega as copiar. Elogiavam o colega quando ele copiava as palavras correctamente, enfim, de pestinhas viraram anjinhos, apenas pela presença de um colega com trissomia 21, por quem se sentiam responsáveis e queriam mimar e proteger.
São estes momentos que se tornam tão gratificantes. A escola pública tem esta diversidade que enriquece os alunos. Aprendem a conviver com as diferenças, aprendem a proteger os mais fracos, aprendem o valor do carinho. Nem imaginam o que foi de abraços e beijinhos ao seu colega. Nem imaginam os abraços que eu própria recebi desta criança que nunca me tinha visto mas que estava mais feliz que nunca, por ser o seu aniversário, ter uma coroa de rei da festa e ser tão acarinhado pelos seus colegas e irmão.
E vocês, também já tiveram situações que os surpreenderam de uma forma especial?
Não é muito, mas para quem não tinha nada é uma oportunidade a não perder. Já tinha dado aulas de inglês no final da adolescência, mesmo antes de entrar para a faculdade, pois já tinha os cursos do Cambridge.
A experiência está a ser muito gratificante. Os alunos da primária são muito queridos, ternos e meigos. Os do 1º e 2º anos querem muito aprender e colaboram nas actividades que lhes proponho com muito interesse e dedicação. Os do 4º ano, já estão a entrar na fase em que se acham muito engraçadinhos, que podem dar "baile" ao professor. As duas turmas do 4º ano dão-me mais trabalho do que as outras todas juntas.
Ontem tive uma experiência deliciosa numa destas turmas. Esta turma é muito pequena. Tenho em sala apenas 9 alunos. Acreditem, ainda existem algumas turmas pequenas nos centros urbanos da rede pública. Esta turma teria tudo para ser uma turma fácil, mas não é. Dos 9 alunos há 3 pestinhas impossíveis. Um rapaz que se acha engraçado e finge que é atrasado mental, sem o ser. Mas as piores são duas miúdas que se acham o máximo. Gritam e guincham o tempo todo, acham-se as maiores do mundo e por sua grande sorte são bastante inteligentes e conseguem ter bom aproveitamento , apesar de prejudicarem o resto da turma com o seu comportamento.
Ontem quando cheguei à escola a outra professora de inglês avisou-me que teríamos festa de anos com bolo, ou na minha sala de onde era o aniversariante, ou na sala dela onde está o irmão. O aniversariante eu ainda não conhecia. É um miúdo com trissomia 21 que costuma estar na sala da educação especial mas que pertence a esta turma. As miúdas tagarelas pediram-me autorização para o ir buscar e explicaram que ele deveria estar connosco na aula de inglês o que nem sempre acontecia pois na educação especial nem sempre sabem os horários das AEC e não o trazem.
Eu concordei e passado um pouco as alunas chegaram com o aniversariante e a professora da educação especial que me informou que o pai do aluno estaria a chegar com o bolo. O mais giro foi ver a forma carinhosa como esta turma terrível recebeu o seu colega com trissomia 21. Todos o queriam ter ao pé de si, as duas miúdas engraçadinhas viraram mães protectoras do seu colega. Ficaram sossegadinhas na aula, escreviam as palavras em inglês numa folha para o seu colega as copiar. Elogiavam o colega quando ele copiava as palavras correctamente, enfim, de pestinhas viraram anjinhos, apenas pela presença de um colega com trissomia 21, por quem se sentiam responsáveis e queriam mimar e proteger.
São estes momentos que se tornam tão gratificantes. A escola pública tem esta diversidade que enriquece os alunos. Aprendem a conviver com as diferenças, aprendem a proteger os mais fracos, aprendem o valor do carinho. Nem imaginam o que foi de abraços e beijinhos ao seu colega. Nem imaginam os abraços que eu própria recebi desta criança que nunca me tinha visto mas que estava mais feliz que nunca, por ser o seu aniversário, ter uma coroa de rei da festa e ser tão acarinhado pelos seus colegas e irmão.
E vocês, também já tiveram situações que os surpreenderam de uma forma especial?
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3 de janeiro de 2013
Pesquisa de Emprego II
A minha pesquisa de emprego continua no Novo Ano.
Lembram-se desta entrevista? Recordam-se da proposta ridícula que me fizeram? Acabei por seguir muitos dos conselhos e apresentei uma contra proposta, mais razoável. Tinha uma base ainda bastante baixa mas com variáveis atractivos, caso conseguisse colocar os produtos na empresa em mais clientes e introduzir novos produtos nos clientes actuais da empresa. Enviei a proposta por e-mail e aguardei. Recebi uma resposta a concordar e a pedir nova reunião para acertar detalhes! Fiquei super feliz! Afinal vale a pena apresentar contra propostas quando a inicial não está de acordo com as nossas expectativas.
Fui à reunião onde acertámos todos os detalhes e combinámos que iria começar em Janeiro. Acordámos fazer um contrato de prestação de serviços, pois agora as empresas fogem a sete pés de contratos de trabalho. Entretanto foi Natal e quando enviei uma minuta de contrato, para colocar por escrito o acordo verbal, recebo uma resposta vaga do tipo "Logo que o processo de selecção esteja concluído será contactada pelos nossos consultores...". Oi? Não tínhamos chegado a acordo, eu e o dono da empresa? Quais consultores que não existem? Qual processo de selecção, depois de várias reuniões, propostas, contra propostas e acordo verbal? Peguei no telefone e liguei directamente para o telemóvel do exmo. senhor dono da empresa, com quem tinha falado inúmeras vezes. Não ficam admirados se eu disser que o telemóvel nunca foi atendido, pois não? Que não recebi nenhum retorno das minhas chamadas?
Não gosto mesmo nada que me tomem por parva. Recebem-me várias vezes na pequena empresa, contam-me toda a história, estrutura e funcionamento. Aparentemente mudam de ideias e inventam um processo de selecção e uns consultores que nunca existiram, já que todos os contactos foram efectuado directamente pelo dono da empresa. Custa muito ser sincero e dizer "Mudámos de ideias", ou "Não queremos avançar já"? Tudo direitos que assistem a uma empresa, antes de assinar qualquer contrato. Gosto muito de ter as coisas claras. Aceito que mudem de opinião, vontade, agora fico fula quando me querem enganar.
Foi assim que passei o Natal, Feliz, a pensar no trabalho que iria iniciar em Janeiro. Foi assim que cheguei ao Fim de Ano com um balde de água fria em cima.
Mas Ano Novo, Vida Nova, logo não baixarei os braços. As contrariedades não nos podem fazer desistir.
A pesquisa de emprego continua. Mas tive uma alegria.
Lembram-se do que vos contei aqui, sobre termos de dizer a todos os amigos, contactos e conhecidos que estamos à procura de emprego? Pois recebi uma proposta pequenina de alguém conhecido. Um pequeno part-time que é muito bem vindo! Valem-me os cursos e exames de inglês que tirei no Cambridge. Vou dar aulas de inglês a crianças da primária, nas agora chamadas AES's (Actividades de Enriquecimento Curricular). Para já, fico apenas como professora substituta, para quando os outros professores estiverem de férias, doentes, ou com outro impedimento. Tenho pena é que as AEC's tenham apenas a duração de duas horas por dia. Em todas as escolas decorrem simultaneamente depois das actividades lectivas, das 15h30 às 17h30. Significa que não é possível completar um horário e que, na melhor das hipóteses, trabalhamos duas horas por dia. Não me queixo. Deito mão a tudo!
Acaba por ser um regresso ao passado, já que no final do liceu cheguei a dar aulas de inglês num colégio, como actividade extra-curricular e noutra área dei aulas durante um ano numa escola secundária. Agora já com outra bagagem. Depois de trabalhar 10 anos em multinacionais, sempre em inglês, e com larga experiência a dar formação.
E assim, hoje lá vou eu!
Lembram-se desta entrevista? Recordam-se da proposta ridícula que me fizeram? Acabei por seguir muitos dos conselhos e apresentei uma contra proposta, mais razoável. Tinha uma base ainda bastante baixa mas com variáveis atractivos, caso conseguisse colocar os produtos na empresa em mais clientes e introduzir novos produtos nos clientes actuais da empresa. Enviei a proposta por e-mail e aguardei. Recebi uma resposta a concordar e a pedir nova reunião para acertar detalhes! Fiquei super feliz! Afinal vale a pena apresentar contra propostas quando a inicial não está de acordo com as nossas expectativas.
Fui à reunião onde acertámos todos os detalhes e combinámos que iria começar em Janeiro. Acordámos fazer um contrato de prestação de serviços, pois agora as empresas fogem a sete pés de contratos de trabalho. Entretanto foi Natal e quando enviei uma minuta de contrato, para colocar por escrito o acordo verbal, recebo uma resposta vaga do tipo "Logo que o processo de selecção esteja concluído será contactada pelos nossos consultores...". Oi? Não tínhamos chegado a acordo, eu e o dono da empresa? Quais consultores que não existem? Qual processo de selecção, depois de várias reuniões, propostas, contra propostas e acordo verbal? Peguei no telefone e liguei directamente para o telemóvel do exmo. senhor dono da empresa, com quem tinha falado inúmeras vezes. Não ficam admirados se eu disser que o telemóvel nunca foi atendido, pois não? Que não recebi nenhum retorno das minhas chamadas?
Não gosto mesmo nada que me tomem por parva. Recebem-me várias vezes na pequena empresa, contam-me toda a história, estrutura e funcionamento. Aparentemente mudam de ideias e inventam um processo de selecção e uns consultores que nunca existiram, já que todos os contactos foram efectuado directamente pelo dono da empresa. Custa muito ser sincero e dizer "Mudámos de ideias", ou "Não queremos avançar já"? Tudo direitos que assistem a uma empresa, antes de assinar qualquer contrato. Gosto muito de ter as coisas claras. Aceito que mudem de opinião, vontade, agora fico fula quando me querem enganar.
Foi assim que passei o Natal, Feliz, a pensar no trabalho que iria iniciar em Janeiro. Foi assim que cheguei ao Fim de Ano com um balde de água fria em cima.
Mas Ano Novo, Vida Nova, logo não baixarei os braços. As contrariedades não nos podem fazer desistir.
A pesquisa de emprego continua. Mas tive uma alegria.
Lembram-se do que vos contei aqui, sobre termos de dizer a todos os amigos, contactos e conhecidos que estamos à procura de emprego? Pois recebi uma proposta pequenina de alguém conhecido. Um pequeno part-time que é muito bem vindo! Valem-me os cursos e exames de inglês que tirei no Cambridge. Vou dar aulas de inglês a crianças da primária, nas agora chamadas AES's (Actividades de Enriquecimento Curricular). Para já, fico apenas como professora substituta, para quando os outros professores estiverem de férias, doentes, ou com outro impedimento. Tenho pena é que as AEC's tenham apenas a duração de duas horas por dia. Em todas as escolas decorrem simultaneamente depois das actividades lectivas, das 15h30 às 17h30. Significa que não é possível completar um horário e que, na melhor das hipóteses, trabalhamos duas horas por dia. Não me queixo. Deito mão a tudo!
Acaba por ser um regresso ao passado, já que no final do liceu cheguei a dar aulas de inglês num colégio, como actividade extra-curricular e noutra área dei aulas durante um ano numa escola secundária. Agora já com outra bagagem. Depois de trabalhar 10 anos em multinacionais, sempre em inglês, e com larga experiência a dar formação.
E assim, hoje lá vou eu!
31 de dezembro de 2012
Desejos de Ano Novo
2012 aproxima-se rapidamente do fim.
Foi um ano e pêras!
Com muita coisa boa, com muita coisa má.
Com menos trabalho tive mais tempo para os meus filhos. Aproximei-me mais deles. Usufrui mais da sua companhia. Acho que os meus três pitufos tiveram mais pai e mãe em 2012, do que em todos os seus anos de vida. Com menos trabalho tivemos menos dinheiro. Passeámos menos. Ainda assim, conseguimos em Janeiro levá-los a ver neve ao vivo, pela primeira vez das suas vidas. Viajamos menos, não tivemos férias na praia, pela primeira vez das suas vidas. Ficámos em casa nas férias. Íamos à praia nuns dias, aos parques noutras, a piscinas noutros. Passámos tempo juntos. Tivemos muita saúde. Todos nós. Vi pessoas à minha volta terem doenças chatas, fatais. Felizmente nada com os meus. E disso tenho de agradecer à VIDA! Tivemos também muitos momentos maus, a falta de dinheiro. Começar a contar os meses em que conseguimos manter a casa. Procurar emprego, trabalho e não conseguir nada. Ficar frustrados, chorar muito. Secar as lágrimas e tratar das crianças. Mudar tudo na nossa vida. Passar de ricos a pobres num piscar de olhos. Aprender a lidar com isso. Tentar transmitir segurança aos filhos. Uma segurança que não sentimos. Continuar com Esperança no futuro. Desejar com todas as forças arranjar trabalho que nos permita viver. Pagar a casa e comer, que são as coisas mais importantes. Para o Novo Ano desejo que continuemos todos a ter muita Saúde e um Trabalho, Emprego o que seja, que pague um salário que nos permita sobreviver em 2013. Par além disso continuaremos a ser trabalhadores, dedicados, optimistas, honestos, determinados. Agora só precisamos que a Vida nos dê um pouco de Sorte!
21 de dezembro de 2012
Continuação
Segui os vossos conselhos. Apresentei uma contra proposta. Querem falar comigo. Desejem-me sorte!
20 de dezembro de 2012
A entrevista
Acho que tive a entrevista mais longa da minha vida. Durou três horas. Deve ter sido dura, pensam vocês. Estar três horas a responder a perguntas não deve ser fácil. A verdade é que não foi nada disso. Acho que durante esse tempo fizeram-me uma única pergunta. Até achei estranho. Tiveram todo o tempo a explicar-me a actividade da empresa e os seus produtos. Uma área muito técnica, com as explicações muito em detalhe. Penso que mostrei que posso ser uma mais valia e que causei boa impressão. Penso, pois o meu interlocutor é daquelas pessoas pouco expressivas em que muito dificilmente conseguimos perceber o que pensa. Senti até que as minhas competências eram um pouco irrelevantes para a conversa. Pareceu-me tudo muito mais centrado nos produtos da empresa do que no que eu poderia acrescentar. Portei-me à altura. Demonstrei muito interesse por tudo e acrescentei comentários a marcar a minha experiência no sector de actividade.
Vou aproveitar-me do anonimato que este blog me dá e contar o que jamais confessaria em público. Tenho por hábito não escrever nada neste blog que não possa tornar público. Hoje, no entanto abro uma excepção.
Chegou aquela altura de saber as condições, pois já me tinham dito que era para entrada imediata. E de condições nada. Tive de puxar o assunto subtilmente. E nada. Continuava a falar no que queria que eu fizesse. Tive de perguntar abertamente qual a proposta de salário. Hesitação, silêncio, perguntaram-me até se eu pretendia um contrato de trabalho! Sei que isto não está fácil para as empresas, que há muitas contribuições e impostos a pagar, mas perguntarem se queremos um contrato de trabalho? É muito constrangedor. Depois a proposta. Tirada a ferros. Já não tinha uma grande expectativa. Quem me indicou, após ter recusado a oferta já me tinha indicado um valor. Baixo. Baixíssimo. Estava preparada para negociar esse valor. Mas o que ouvi deixou-me sem fala. A proposta foi ainda 20% mais baixa que o valor mínimo que tinham indicado. Não reagi. Tomei nota no caderno que levava. Nem pestanejei. Disse que iria analisar a proposta e que depois entrava em contacto para dar uma resposta.
Eu sei que o mercado está mal. Estava preparada para ganhar muito menos do que o meu salário anterior. Mas, para terem uma ideia esta proposta representa um valor 85% abaixo do que eu ganhava. Estava preparada para aceitar metade, ou mesmo um pouco menos. Agora 85% abaixo? Não acham isto uma afronta?
Fiquei triste. Muito triste mesmo. Aquele trabalho assentava-me como uma luva. É uma área em que tenho experiência. A empresa é pequena, com uma facturação interessante, mas com possibilidade de crescer muito. Eu sei que a posso fazer crescer. Sei como o fazer. Mas trabalhar por um valor que não me permite nem pagar a prestação da casa? Contratar uma profissional com todas as qualificações e experiência necessárias e querer pagar um ordenado miserável? Fiquei muito triste.
Queria muito aceitar. Mas estas condições são inaceitáveis. Caiu-me um balde de água fria. Não sei o que fazer. Estou a pensar apresentar uma contra proposta. O que fariam no meu lugar?
Vou aproveitar-me do anonimato que este blog me dá e contar o que jamais confessaria em público. Tenho por hábito não escrever nada neste blog que não possa tornar público. Hoje, no entanto abro uma excepção.
Chegou aquela altura de saber as condições, pois já me tinham dito que era para entrada imediata. E de condições nada. Tive de puxar o assunto subtilmente. E nada. Continuava a falar no que queria que eu fizesse. Tive de perguntar abertamente qual a proposta de salário. Hesitação, silêncio, perguntaram-me até se eu pretendia um contrato de trabalho! Sei que isto não está fácil para as empresas, que há muitas contribuições e impostos a pagar, mas perguntarem se queremos um contrato de trabalho? É muito constrangedor. Depois a proposta. Tirada a ferros. Já não tinha uma grande expectativa. Quem me indicou, após ter recusado a oferta já me tinha indicado um valor. Baixo. Baixíssimo. Estava preparada para negociar esse valor. Mas o que ouvi deixou-me sem fala. A proposta foi ainda 20% mais baixa que o valor mínimo que tinham indicado. Não reagi. Tomei nota no caderno que levava. Nem pestanejei. Disse que iria analisar a proposta e que depois entrava em contacto para dar uma resposta.
Eu sei que o mercado está mal. Estava preparada para ganhar muito menos do que o meu salário anterior. Mas, para terem uma ideia esta proposta representa um valor 85% abaixo do que eu ganhava. Estava preparada para aceitar metade, ou mesmo um pouco menos. Agora 85% abaixo? Não acham isto uma afronta?
Fiquei triste. Muito triste mesmo. Aquele trabalho assentava-me como uma luva. É uma área em que tenho experiência. A empresa é pequena, com uma facturação interessante, mas com possibilidade de crescer muito. Eu sei que a posso fazer crescer. Sei como o fazer. Mas trabalhar por um valor que não me permite nem pagar a prestação da casa? Contratar uma profissional com todas as qualificações e experiência necessárias e querer pagar um ordenado miserável? Fiquei muito triste.
Queria muito aceitar. Mas estas condições são inaceitáveis. Caiu-me um balde de água fria. Não sei o que fazer. Estou a pensar apresentar uma contra proposta. O que fariam no meu lugar?
19 de dezembro de 2012
Pesquisa de Emprego
A pesquisa de um novo emprego é um trabalho a full-time. Foi o que aprendi com o serviço de outplacement que a multinacional que me despediu teve a gentileza de me oferecer. Aprendi tudo o que pude e apliquei. Desde a elaboração de um curriculum eficaz, às fontes de pesquisa de emprego, ao mais importante, à activação dos contactos profissionais.
O maior erro que um desempregado pode cometer é fechar-se na sua concha, não falar da sua situação com os seus conhecidos e contactos profissionais. Todos sabemos que se estivermos em casa, ninguém vai bater à nossa porta e oferecer-nos o emprego dos nossos sonhos. Apesar disso, muitas vezes por vergonha, isolamo-nos. Nada mais errado. Um desempregado precisa de ligar aos seus amigos, aos seus conhecidos a nível profissional para informar que está à procura de emprego e em que área pretende o emprego. O objectivo é que as pessoas que respeitam o nosso trabalho saibam que estamos disponíveis, estamos à procura de trabalho e referenciem o nosso nome em conversas profissionais.
A verdade é que 90% das vagas de emprego nunca aparecem publicadas num jornal ou site de emprego. Na grande maioria, as vagas de emprego, são comentadas dentro da emprega "precisamos de alguém para esta área", os colegas ouvem e indicam alguém. "Conheço uma pessoa indicada para isto, já trabalhei com ele e é de confiança". Isto não são cunhas, são referências. Quem contrata tem mais segurança em empregar alguém de quem já tenha uma referência positiva, especialmente no que se refere a competências pessoais do género ser trabalhador, dedicado e de confiança. Estas qualidades não vêem nos curricula e são muito difíceis de avaliar numa entrevista. A referência de alguém que conhece o trabalho de alguém é a arma mais poderosa na contratação.
Posto isto, tenho-me dedicado afincadamente a ligar aos meus amigos e conhecidos a nível profissional, a explicar a minha situação actual e a pedir que me indiquem caso saibam de alguma oportunidade no mercado. Faço tudo certinho, como aprendi. O pior é que com esta crise o que tenho ouvido é "Gostava tanto de te poder chamar para trabalhar connosco, temos uma área que é mesmo indicada para ti, mas agora estamos a despedir, não podemos contratar ninguém". E tenho ouvido isto repetidamente. Sempre com a esperança que um dia a necessidade da empresa realizar trabalho e atingir objectivos se sobreponha à vontade de despedir. Não tem sido fácil. A última entrevista que fui e que vos contei aqui, foi em Agosto e não deu em nada.
Hoje tenho uma entrevista noutra empresa, numa área muito próxima da minha, que gostaria muito que se concretizasse. Desejem-me sorte!
O maior erro que um desempregado pode cometer é fechar-se na sua concha, não falar da sua situação com os seus conhecidos e contactos profissionais. Todos sabemos que se estivermos em casa, ninguém vai bater à nossa porta e oferecer-nos o emprego dos nossos sonhos. Apesar disso, muitas vezes por vergonha, isolamo-nos. Nada mais errado. Um desempregado precisa de ligar aos seus amigos, aos seus conhecidos a nível profissional para informar que está à procura de emprego e em que área pretende o emprego. O objectivo é que as pessoas que respeitam o nosso trabalho saibam que estamos disponíveis, estamos à procura de trabalho e referenciem o nosso nome em conversas profissionais.
A verdade é que 90% das vagas de emprego nunca aparecem publicadas num jornal ou site de emprego. Na grande maioria, as vagas de emprego, são comentadas dentro da emprega "precisamos de alguém para esta área", os colegas ouvem e indicam alguém. "Conheço uma pessoa indicada para isto, já trabalhei com ele e é de confiança". Isto não são cunhas, são referências. Quem contrata tem mais segurança em empregar alguém de quem já tenha uma referência positiva, especialmente no que se refere a competências pessoais do género ser trabalhador, dedicado e de confiança. Estas qualidades não vêem nos curricula e são muito difíceis de avaliar numa entrevista. A referência de alguém que conhece o trabalho de alguém é a arma mais poderosa na contratação.
Posto isto, tenho-me dedicado afincadamente a ligar aos meus amigos e conhecidos a nível profissional, a explicar a minha situação actual e a pedir que me indiquem caso saibam de alguma oportunidade no mercado. Faço tudo certinho, como aprendi. O pior é que com esta crise o que tenho ouvido é "Gostava tanto de te poder chamar para trabalhar connosco, temos uma área que é mesmo indicada para ti, mas agora estamos a despedir, não podemos contratar ninguém". E tenho ouvido isto repetidamente. Sempre com a esperança que um dia a necessidade da empresa realizar trabalho e atingir objectivos se sobreponha à vontade de despedir. Não tem sido fácil. A última entrevista que fui e que vos contei aqui, foi em Agosto e não deu em nada.
Hoje tenho uma entrevista noutra empresa, numa área muito próxima da minha, que gostaria muito que se concretizasse. Desejem-me sorte!
23 de novembro de 2012
Hoje sinto-me a pior mãe do mundo
Eu sei que sou boa mãe, que tento dar a melhor educação aos meus filhos, o maior amor mas, hoje sinto-me uma mãe falhada.
Durante a licença de maternidade do meu 3º filho fiquei desempregada. Eu e o pai. Ambos estávamos efectivos em duas multinacionais diferentes e fomos dispensados por motivo de re-estruturações. Foi há 4 anos e coincidiu com a crise do sub prime nos Estados Unidos que se propagou à Europa. Nessa altura todas as empresas americanas encontraram uma boa desculpa para iniciarem os despedimentos em massa. Procurámos emprego mas não encontrámos. Todas as empresas estavam a despedir, ou a tentar manter os postos de trabalho. Fomos forçados a criar os nossos postos de trabalho. Com 3 filhos pequenos para criar, dois eram bebés, não podíamos baixar os braços. Torná-mo nos assim, empresários à força, obrigados pelas circunstâncias da vida.
Passámos a trabalhar o dobro, ou o triplo do que quando trabalhávamos por conta doutrem As responsabilidades aumentaram. Passei a ser responsável pelo vida de outros. Se não pudesse pagar salários a tempo, a vida de outros sairia prejudicada. Passei a viver com esse peso nos ombros. Perdi noites de sono a pensar nas contas a pagar. Durante algum tempo as coisas lá se arranjaram, pelo menos dava para pagar as despesas. Este ano foi o descalabro. Até tivemos trabalho mas os clientes deixaram de pagar. Estamos a sofrer aquele ciclo vicioso em que as empresas não conseguem pagar aos seus fornecedores porque os seus clientes não pagam, que pôr sua vez têm dinheiro a receber dos seus clientes que também não pagam e assim sucessivamente. De repente, o dinheiro deixou de mudar de mãos. Deixou de circular e a economia parou.
E porque é que me sinto a pior mãe do mundo?
Sinto-me falhada. Apesar da licenciatura e das duas pós-graduações, anteriores a Bolonha, da carreira de 20 anos de sucesso, vejo-me agora desempregada, sem conseguir ganhar o suficiente para sustentar os meus filhos.
Desde os 3 anos que os meus filhos frequentam um colégio. A mais velha está lá há 6 anos, com os amigos de sempre, no 3º ano.
Depois de contas e mais contas, de nenhum de nós conseguir arranjar emprego, chegámos à conclusão que os temos de tirar aos 3 do colégio. Hoje fui à secretaria pedir a transferência da mais velha para o ensino público. Não consegui conter as lágrimas e deixar de me sentir a pior mãe do mundo.
Não que as escolas públicas não sejam boas. Nada disso. Tenho falado com várias amigas que têm os filhos nas escolas públicas e que estão super-satisfeitas com a qualidade do ensino, dos professores e dos funcionários. Apenas sinto que estou a arrancar os meus filhos à escola que já conhecem, à que estão adaptados, sem qualquer preparação. Eles ainda não sabem que vão mudar. Nem tenho nada a dizer-lhes por enquanto. Nem sei em que escola terão vaga. Não tenho nada a dizer que os possa preparar. Estiveram todo o verão a sonhar com a nova educadora, com a sala do nível acima do que frequentavam. Sentem-se muito crescidos por passarem de sala e de repente vão ser desenraizados, todos de uma vez. O facto de não os ter preparado no final do ano lectivo é que me angustia. Se estivéssemos todo o verão a falar da escola nova para onde iam, seria agora tudo mais fácil. Sinto-me dividida entre o coração e a razão. A razão diz-me que sou boa mãe, que se vão adaptar bem à mudança mas, o coração está apertado, sofre por sentir que não está a dar o melhor aos seus filhos, sente-se falhado.
14 de novembro de 2012
Ainda sobre a greve
Troco dois lugares de desempregados sem subsídio por lugar de um indignado com os baixos salários e os altos impostos.
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